A Importância da Equipe Interdisciplinar na Educação em Diabetes


Dra. Janice Sepúlveda Reis
Endocrinologista - Coordenadora do Ambulatório de Diabetes Tipo 1 da Santa Casa de BH
Doutora em Clínica Médica pelo Instituto de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Belo Horizonte
Coordenadora do Mestrado Profissional em Educação em Diabetes - IEP - Santa Casa de BH

Os sistemas de saúde atuais, sejam os de medicina privada ou os públicos, enfrentam a realidade de consultórios médicos e ambulatórios cheios, transferindo para os pacientes o ônus de consultas rápidas e com longos períodos para retorno. Tal realidade traz para os endocrinologistas e para os pacientes diabéticos maiores dificuldades no tratamento e no alcance das metas terapêuticas.  

O tempo restrito para educar os diabéticos sobre sua doença e sobre as intervenções necessárias para o sucesso do tratamento, e muitas vezes a limitação de conhecimentos abrangentes na área educacional, acrescidos da escassa formação na área psicossocial, reforçam as barreiras originadas com o diagnóstico e a vivência do diabetes. As diretrizes internacionais e brasileiras no manejo do diabetes contemplam em suas recomendações a necessidade do investimento em educação em diabetes.

A Associação Americana de Educadores em Diabetes (AADE) defende documentos que suportam e esclarecem as regras para a prática da educação em diabetes, definindo inclusive os vários níveis de educadores e as responsabilidades de cada um, e preconiza a colaboração entre a equipe interdisciplinar no tratamento do diabetes.  Essa equipe, dentre várias atividades, busca encorajar os pacientes na modificação do seu estilo de vida e na adoção de comportamentos de autocuidado, apresentar informações básicas sobre o diabetes e seu manejo e treinar os pacientes e cuidadores no uso dos dispositivos de tratamento, agindo de forma interativa em todas as etapas do tratamento e da evolução educacional. 

Essa iniciativa reconhece a importância de se compartilhar a educação em diabetes entre o médico e outros profissionais tecnicamente habilitados para atuar junto aos pacientes, otimizando o processo terapêutico pela introdução de educadores físicos, nutricionistas, enfermeiros e psicólogos, dentre outros, como agentes, e não meros consultores, no tratamento do diabetes.  

A individualização do tratamento nutricional, o que muitas vezes não é conseguido pelo médico, permite o aprendizado de práticas nutricionais mais avançadas e específicas, como a de contagem de carboidratos, assim como a abordagem das questões psicossociais por psicólogos especializados em diabetes avalia as atitudes e expectativas dos pacientes frente à doença, desenvolvendo habilidades de enfrentamento do problema. Assim como detectam distúrbios psiquiátricos que mereçam tratamento específico antes que causem prejuízo adicional no estado psicossocial e no tratamento do diabetes.  

A participação de um educador físico reforça e qualifica a prática de exercícios no que diz respeito à sua duração, intensidade e modalidades. A supervisão de um educador físico sem dúvida permite o alcance de melhores resultados, e ainda minimiza a ocorrência de lesões e complicações mais graves decorrentes de uma atividade física feita de forma inapropriada. A equipe de enfermagem, em um trabalho interativo com a equipe de saúde, reforça, educa e corrige as etapas fundamentais do tratamento.  

Dentro dessa ideologia, apesar do atraso em relação a outros países, destacam-se no Brasil iniciativas de entidades e serviços que desenvolvem cursos de qualificação para profissionais de saúde em educação em diabetes, assim como participação rotineira dos educadores no tratamento ambulatorial. É preciso, agora, a conscientização dos médicos dessa realidade, no sentido de dividir tarefas e mudar o modelo de cuidado centrado na informação para um modelo centrado no paciente.  

Da mesma forma, é necessária a sensibilização dos serviços públicos de saúde e convênios médicos para arcar com os investimentos nesses profissionais qualificados, objetivando uma economia de recursos em longo prazo com esta intervenção desde o diagnóstico do diabetes. 

Citando Dr. Christopher Saudek, diretor do John Hopkins Diabetes Center, “nenhuma ferramenta de manejo do diabetes – nenhuma medicação oral, insulina ou dispositivo médico – é tão importante quanto os serviços de um educador em diabetes”. 

Guidelines para prática dos educadores: http://www.diabeteseducator.org/   

Dr. Daniel Dutra

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