Futuro das Insulinas Basais


Dr. Márcio Krakauer
Médico, coordenador do núcleo digital da SBD
Presidente da ADIABC
Endocrinologista colaborador do site da SBD

Sabemos que o controle do diabetes, tanto do Tipo 1 quanto do Tipo 2, de forma intensiva reduz drasticamente as complicações crônicas da doença. (Retinopatia, Nefropatia, Neuropatia e doenças cardiovasculares). Todos os diabéticos tipo 1 e muitos do Tipo 2 necessitam o uso de Insulinas para o controle mais adequado da doença. Uma insulinização mais fisiológica requer a reposição de insulina o mais parecido com a normalidade possível. Para tanto atualmente, lançamos mão da Insulinização do tipo Basal-Bolus. O Objetivo do artigo é discutir as Insulinas Basais existentes, suas características e pontos que podem ser melhorados, e apresentar as possibilidades futuras neste campo.

As Insulinas Basais que utilizamos atualmente são: NPH (utilizada em 3 aplicações), Glargina e Detemir.

A NPH, mais antiga, possui diversas características que dificultam sua utilização como insulina basal: Pico de ação de 6-8h, grande variabilidade intra-individual, tempo de ação mais curto, necessidade de múltiplas aplicações ao dia, maior risco de hipoglicemia principalmente noturna. A Glargina, apesar de se mostrar mais estável e com menor variabilidade glicêmica, apresenta um pico de ação, porém menor que a NPH. Além disso, apresenta uma ligação com IGF importante e apresenta alguns estudos ligando a insulina com câncer. Há também a impossibilidade de misturar com insulinas ultra-rápidas devido ao Ph e precipitação. A Insulina Detemir, apresenta um tempo menor de ação muitas vezes devendo ser aplicada em 2 vezes, apresenta também um pico de ação e também não é recomendada a mistura na mesma aplicação com outras insulinas por possibilitar a modificação do perfil de ação desta insulina. Portanto, com essas considerações cabe o desenvolvimento de novos análogos que possam corrigir tais barreiras existentes nas insulinas atualmente utilizadas.

Candidatos as novas Insulinas:

Insulina Degludec: Atualmente em fase 3 do desenvolvimento clínico, tem a característica de ter um tempo de ação maior e mais estável que as insulinas atuais podendo ser aplicada 3 vezes por semana! Apresenta baixa afinidade pelo receptor de IGF com baixo potencial metabólico/mitogênico, baixa variabilidade individual, o controle glicêmico é comparável a Glargina, porém com uma tendência a um menor número de episódios hipoglicêmicos.

Insulina Basal da Lilly: Registrado com as siglas LY2605541 e LY2963016, estão em estudos de fase 2, devendo entrar em fase 3 ainda em 2011. A primeira molécula não foi divulgada seu estrutura molecular e nenhum dado acerca dela e a segunda é uma nova insulina glargina.  Aguardamos as publicações sobre essas novas insulinas.

Insulina basal da Sanofi-Aventis: SAR161271 foi descontinuado, portanto sem dados.

Biodel: Está desenvolvendo 2 formulações de longa duração, ambas em fase pré clínica. A BIOD-Adjustable Basal é uma modificação e melhoria da Glargina. Adicionando excipientes GRAS (Generally Recognizes as Safe) à insulina glargina, pode-se alterar o tempo de ação em longo, médio e curto. Isso possibilitará customizar a insulina basal de cada indivíduo. Poderá reduzir os riscos de hipoglicemia e hiperglicemia. A outra formulação chama-se BIOD-Smart Basal, que inclui Glargina, glicose oxidase, e per oxidase em um ph=4.  A solubilidade da glargina é ph dependente, ficando mais solúvel em ph menor. A adição de glicose oxidase e peroxidase respondem por um aumento da concentração de glicose produzido pelo ácido glucônico, baixando o ph e aumentando a solubilidade da fórmula. Isso iria fazer com que a insulina fosse secretada de acordo com a presença de glicose no subcutâneo. 

Patch Pumps para insulinização basal: A bomba CeQur, é um dos exemplos de aparelhos que estão sendo desenvolvidos para DM 2 para fazer o papel da insulina basal. Ele pode mandar até 7 taxas pré fixadas de insulina basal, e o bolus pode ser feito de 2 em 2 unidades por um botão mecânico. Acumula até 300 unidades de insulina em seu reservatório, e deve ser trocado a cada 3 dias. Utiliza-se assim como as outras bombas, insulinas ultrarápidas.  Há um detector de fluxo de insulina que avisa ao portador, se está na hora de trocar o conjunto. 

Conclusões: Acredito que muito se tem a fazer nesta área de insulinas, tanto basal quanto análogos de curta duração tão esperados nos próximos tempos. O desenvolvimento de novas tecnologias é mais rápido que as pesquisas que podem levar a cura do DM1, portanto são bem vindas, por melhorarem a qualidade de vida dos indivíduos que necessitam insulinas, e reduzirem as crises de hipoglicemia, a maior barreira e o maior desafio no tratamento dos pacientes que utilizam insulinas.

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