Hipoglicemia: Este vilão está com seus dias contados?


Dr. Márcio Krakauer
Médico, coordenador do núcleo digital da SBD
Presidente da ADIABC
Endocrinologista colaborador do site da SBD

Eu sempre comento com meus pacientes que se não houvesse hipoglicemia, todos os portadores de diabetes seriam muito bem compensados. Sabemos de longa data que o maior desafio do controle intensivo do diabetes é a hipoglicemia.

Nos portadores de DM1 os sintomas são muito intensos, por vezes graves e consequências sérias. Nos DM2 estudos recentes mostraram aumento da mortalidade por hipoglicemia quando tentamos atingir um controle rígido da glicemia.

E o que está por trás disso?  Nosso salva-vidas é o Glucagon, hormônio produzido nas células alfa do pâncreas que é o maior responsável pelo aumento da glicemia quando esta fica baixa.

Muitos conhecem aquela caixinha laranja, já quase pronta para o uso em uma situação de emergência. Porém, o Glucagon fica na forma de um pó que deve ser diluído e aplicado no momento do uso, e em dose empírica, de meia a 1 ampola dependendo do caso.

Muitas vezes nos questionando do motivo pelo qual não existe uma bomba de glucagon, da mesma maneira que hoje utilizamos, com excelentes resultados, as bombas de infusão de insulina.

Claro, se já temos monitores contínuos que podem detectar leves oscilações glicêmicas, elas poderiam atuar em conjunto com a liberação de glucagon, para evitar as hipoglicemias e fechar o círculo que chamamos de “Pâncreas Artificial”. Aí é que está o problema.

O Glucagon que temos a disposição hoje, só pode ser administrado imediatamente após ser solubilizado, pois não consegue manter sua estabilidade por mais tempo (devido ao ph), e pode formar fibrilas de amilóide (e conseqüentemente doenças degenerativas) e citotoxicidade.

A Revista Journal of Diabetes Science and Technology do mês de Novembro traz vários artigos relacionados ao glucagon. Em 1 deles, os autores mostram um análogo do glucagon (MAR-D28) que foi testado in vitro e em animais com grande sucesso, estabilidade e ausência de citotoxicidade por 5 dias!!

Outros artigos mostram a dificuldade de se conseguir determinar as doses e a forma de liberação do glucagon em bomba de infusão, pois ainda é algo desconhecido para todos. Vários softwares e algoritmos estão sendo testados, para se chegar corretamente a uma liberação mais adequada.

Este é talvez o início de uma era onde vamos aperfeiçoar a utilização do glucagon junto com as bombas de insulina e também com os novos monitores contínuos, fechando a alça do Pâncreas Artificial, melhorando muito o controle do diabetes que necessita de insulina, e prevenindo os tão graves episódios de hipoglicemia severa.

Porém, uma estrada muito longa e tortuosa ainda é necessária ser percorrida até chegarmos lá. Vamos aguardar!!

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