A Internet pode ajudar a melhorar o controle de Pacientes Diabéticos


Dr. Márcio Krakauer
Médico, coordenador do núcleo digital da SBD
Presidente da ADIABC
Endocrinologista colaborador do site da SBD

Em recente artigo publicado em agosto de 2010, na famosa revista médica “Diabetes Care” sob a referência - Effect of Internet Therapeutic Intervention on A1C Levels in Patients With Type 2 Diabetes Treated With Insulin.  

Diabetes Care August 2010 33:1738-1740; doi:10.2337/dc09-2256 - Os autores estudaram como um programa de monitorização baseado na Internet poderia beneficiar os portadores de diabetes tipo 2.  

O estudo envolveu 50 pacientes divididos randomicamente para receberem por 6 meses tratamento convencional apenas, ou com a ajuda do programa desenvolvido pelos autores, que consiste em fazer o “upload”, ou seja, mandar os dados dos monitores de glicemia para um web site seguro próprio da pesquisa, a cada 2 semanas, e receberam de volta a resposta dos seus endocrinologistas sobre as alterações que deveriam realizar. 

Foram coletados dados laboratoriais e Hb Glicada (A1c) no início do estudo e 3 meses e 6 meses após a intervenção. 

Os resultados foram surpreendentes. Demonstraram uma queda na Hb Glicada de 8,8% para 7,6% (P<0,001) no grupo que mandava os dados para o site, contra uma queda de 8,5% para 8,4% (P=0,51) no grupo de pacientes que mantiveram o tratamento convencional. 

A conclusão é bastante simples e mostra que a monitorização dos portadores de diabetes tipo 2 é ainda fundamental, e que não apenas monitorar é suficiente, é preciso que os dados sejam analisados pela equipe de saúde, e mais ainda, que isto seja constante. Neste sentido, uma ferramenta tecnológica como a Internet é extremamente eficaz, rápida, barata e interessante para colaborar com o controle do Diabetes. Acredito que poderemos criar situações semelhantes em alguns centros em nosso país.  

Sabemos que alguns colegas já utilizam-se da Internet como ferramenta recebendo e-mails dos seus pacientes com os dados de glicemia capilar, mas estender a um número maior de pessoas e profissionais da saúde pode ser interessante. 

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