Nova Bomba de Insulina Promete Inovações Tecnológicas


Dr. Márcio Krakauer
Médico, coordenador do núcleo digital da SBD
Presidente da ADIABC
Endocrinologista colaborador do site da SBD

Deve entrar no mercado Brasileiro ainda este ano, o novo SIC (Sistema de infusão de insulina) da companhia Suíça Roche. A promessa é uma mudança em alguns conceitos e sempre visando a melhora no controle glicêmico dos pacientes diabéticos que necessitam de insulina de forma intensiva.

Accu-Chek Combo é o nome mundial e a inovação aparece no acoplamento do monitor de glicemia (No Brasil o Accu-Chek Performa) com um controle remoto, que controla todas as funções da Bomba (Semelhante a atual Spirit).

Neste “monitor-controle remoto”, o paciente faz sua glicemia capilar normalmente e daí é que começam as novidades. A transferência de informações entre o controle remoto e a bomba é total e realizada pela tecnologia Bluetooth aumentando muito a segurança.

Há neste controle remoto um software desenvolvido para gerenciar os bôlus de insulina chamado de calculador de bôlus (Em Inglês bôlus Advice). O sistema leva em consideração vários dados, como: Contagem dos carboidratos, Valor da glicemia Capilar, Stress, Exercícios, Doenças e outros. Também leva em conta a insulina ativa e o último bôlus que o paciente recebeu, para diminuir o risco de hipoglicemias. As correções de glicemia após as refeições ganham mais segurança com novos dados inseridos na conta que minimizam as hipoglicemias de super correções.

O interessante é que não há mais necessidade de expor a bomba para mandar um bôlus, tornando este ato bem mais discreto com um aparelho que parece mais um telefone celular. Podemos gerenciar os dados pelo próprio controle remoto com gráficos de horário, de tendência, de dia de semana etc...

Lembro que a tecnologia ainda depende totalmente dos dados que inserimos no software para cada paciente (Sensibilidade a insulina, relação insulina-carboidrato) e que o calculador de bôlus apenas sugere qual dose pode ser administrada. É o próprio paciente que decide se deve ou não infundir determinada dose de insulina. Ainda as decisões são tomadas pela equipe e paciente.

Uma das maiores tecnologias modificadas é quanto ao sistema de alarme de “entupimento” do cateter. Quem lida com bomba sabe bem que as bombas falham em avisar problemas deste tipo e não infrequentemente nossos pacientes passam por períodos de descompensação intensa, até mesmo quadros de cetoacidose. Neste caso a Roche calculou a pressão dentro do cateter e assim, o alarme vai soar quando houver modificações nesta pressão, e não após entupir, resguardando e muito estes quadros de descompensação aguda.

As basais podem ser divididas de 0,05 U/h até 50U/h e ajustes de 0,01U/h importante em casos de pediatria. Há 24 taxas horárias de basal e 5 perfis de basal possíveis.

Todos os dados do controle remoto (glicemias capilares, basais e bôlus) podem ser transferidos para um software instalado em um computador – Accu-Chek 360 – para realizar a visualização dos dados, dos gráficos, das basais e bôlus utilizados em determinado período e com isso tomar as decisões terapêuticas caso a caso tornando o controle glicêmico o mais fino possível, e cada vez com menos riscos para a saúde dos portadores de diabetes.

O médico pode realizar todas as modificações que achar necessário pelo seu computador, e depois passa por via Bluetooth essas modificações para a bomba e o monitor de glicemia sem necessidade de ajustar diretamente nestes aparelhos, facilitando seu uso.

A tecnologia vem cada vez mais colaborar com os portadores de diabetes, levando a um melhor controle, e a uma melhor qualidade de vida. Certamente caminhamos para que todos esses mecanismos funcionem sozinhos chegando cada vez mais próximo do tão falado “Pâncreas Artificial”. O Caminho é esse! Aproveitemos!

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