Management of diabetes mellitus and associated cardiovascular risk factors in Brazil – the Brazilian study on the practice of diabetes care


Dra. Marília de Brito
Professora Associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

O comentário é sobre um estudo chamado The Brazilian Study on Practices of Diabetes Care (BDMPS), que avalia os dados sobre controle glicêmico e fatores de risco cardiovascular do diabetes tipo 1 e tipo 2, comparando com as recomendações internacionais de controle na pratica médica.

Os autores coletaram dados de pacientes atendidos em 3 de 5 regiões do Brasil durante 2 semanas. No total foram 1.385 participantes do estudo. Foi avaliada Hipertensão definida como uma pressão arterial ≥ 130/80mmHg; dislipidemia como LDL-colesterol ≥ 100 mg / dl ou HDL-colesterol <40 mg / dl para homens e <50 mg / dl para mulheres ou triglicérides ≥ 150 mg / dL, obesidade central, circunferência abdominal > 90 centímetros em homens e > 80 cm em mulheres. O controle glicêmico foi definido como uma hemoglobina glicada ≤ 7%. Durante a visita de inclusão, os pacientes foram questionados e avaliados quanto ao perfil demográfico, socioeconômico e nível cultural.

Nenhum teste foi realizado especificamente para o presente estudo. Um terço dos pacientes com DM tipo 2 e mais da metade das pessoas com DM tipo 1 tinham ensino superior.

Os resutados achados pelos autores mostram que a maioria dos pacientes não atingiu o controle glicêmico adequado. Vinte e dois por cento e 43,2% dos indivíduos com diabetes tipo 1 e 2, respectivamente, tinham HbA1c inferior a 7%. Nos últimos 3 meses antes da visita inicial, 9,1% dos diabéticos tipo 1 e 4,5% do tipo 2 precisaram de  internação em hospital. Síndrome coronária aguda foi avaliado em 1,8% e 10,4% e acidente cerebrovasculares em 1% e 4,2% dos diabéticos tipo 1 e 2, respectivamente. Fatores de risco cardiovascular associados à hipertensão arterial, dislipidemia e obesidade central foram presentes em 23%, 28,5% e 39% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 75,7%, 71%, e 84% dos com diabetes tipo 2. Apenas 16,7% dos indivíduos com diabetes tipo 2 tinham pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg e cerca de 40% tinham o colesterol-LDL abaixo de 100 mg/dl.

No estudo se destaca o fato da maioria dos pacientes ser usuário de cuidados de saúde privados e com altos níveis de educação e mesmo assim, especialmente aqueles com diabetes tipo 2, teve uma alta prevalência de outros fatores de risco cardiovascular, tais como hipertensão, dislipidemia e obesidade central. Isso limita a generalização dos achados no estudo, mas é possível que, para o indivíduos de nível educacional médio e disponibilidade limitada para testes diagnósticos e medicamentos, os resultados poderiam ser muito piores do que aos obtidos no presente estudo. Outra crítica é a falta de normatização dos resultados laboratoriais, visto o paciente trazer os resultados, na hora consulta, do laboratório de sua preferência.

O maior investimento em condutas que modifiquem hábitos alientares e melhore a prática de atividade física nos pacientes diabéticos para alcançar melhorias no controle do diabetes e de outros fatores de risco cardiovascular (hipertensão, dislipidemia, etc) não pode ser esquecida em detrimento ao uso de medicamentos.

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