The effect of vitamin D on insulin resistence in patients with type 2 diabetes- Análise Crítica.


Dra. Marília de Brito
Professora Associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

O artigo “The effect of vitamin D on insulin resistence in patients with type 2 diabetes” publicado em Diabetology & Metabolic Syndrome 2013,5:8 por Talaei et al, aborda um importante tema : a deficiência de vitamina D e sua relação com a resistência insulínica.

A deficiência de vitamina D  e o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) possuem fatores de risco em comum como etnia afro-americana, obesidade, envelhecimento e diminuição da atividade física; além de associação com osteoporose, doença cardiovascular e síndrome metabólica. Alguns estudos demonstraram que a vitamina D possa ter um papel fundamental na tolerância à glicose através de seus efeitos  tanto na secreção  como na sensibilidade à insulina.Em comparação a controle sadios, os pacientes com DM2 possuem uma  menor quantidade circulante de 25-OH-vitamina D, demonstrado pelo estudo de Pietschmann et al.

O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos da suplementação de vitaminaD na resistência insulínica de pacientes com DM2. Foram avaliados 100 pacientes com DM2, com idade entre 30-70 anos, que estavam em dieta apenas  ou em uso de antidiabéticos orais(glibenclamida ou repaglinida mais metformina ou apenas metformina). Todos os pacientes foram suplementados com 50.000Ui de vitamina D, via oral por semana durante 8 semanas. Como resultados, os autores não encontraram alterações no peso antes e após a suplementação; os níveis de glicose em jejum e concentração de insulina diminuíram significativamente após a suplementação assim como as médias de HOMA-IR . Não foram observadas diferenças entre o perfil lipídico antes e após a suplementação de vitamina D. Utilizando um modelo de regressão linear, os autores sugerem um modelo de predição da glicose em jejum após a suplementação com vitamina D. Eles mostraram que o feito da vitamina D levou a uma redução de 30% na glicemia de jejum.

Na discussão, apesar de ressaltarem os achados de que a suplementação de vitamina D reduziram os níveis de glicose em jejum, insulina e HOMA-IR  nos pacientes diabéticos tipo 2; os autores demonstraram uma relação inversa entre os níveis de glicemia em jejum final e os níveis basais de 25-OH- vitamina D. Sendo assim, os pacientes que possuíam um maior valor basal de vitamina D se beneficiaram mais da suplementação, levando a uma maior redução da glicose em jejum. Os efeitos da vitamina D na resistência insulínica demonstrados por este estudo foram significativos apenas quando a concentração de vitamina D era de 40-60ng/ml(100-150nmol/l). Em concentrações de vitamina D menores ou maiores que o limite , não foi demonstrado alteração na resistência insulínica, sugerindo que os efeitos não-esqueléticos da vitamina D aparecem apenas em altas concentrações da vitamina e que em concentrações menores as ações se limitem a ossos e músculos.

Como críticas a  este estudo temos: o grande intervalo de faixa etária da população de diabéticos tipo 2 (30-70 anos), com diferentes necessidades diárias de vitamina D. A suplementação de vitamina D (50.000Ui/semana) ter sido a mesma para todos os grupos, desde os com deficiência de vitamina D (vitamina D <20ng/ml) até os que encontravam com níveis normais. A suplementação de vitamina D em um grupo de pacientes com níveis basais de vitamina D normais (> 30ng/ml), onde não é recomendado a prescrição de vitamina D acima dos limites diários  necessários para finalidade de prevenção de doença cardiovascular ou morte ou melhora da qualidade de vida, de acordo com o guideline da Endocrine Society de 2011.

Os efeitos não esqueléticos da vitamina D no grupo de pacientes com  IOG e/ou DM2, está sendo alvo de diversos estudos visando a descoberta de mais  mecanismos da vitamina D nas células alfa e beta pancreáticas e na resistência insulínica.

Key Messages:

- a deficiência de vitamina D e o DM2 possuem fatores de risco em comum,

- a vitamina D pode ter um papel fundamental na tolerância à glicose através de seus efeitos  tanto na secreção  como na sensibilidade à insulina,

-  a suplementação de vitamina D reduziu os níveis de glicose em jejum, insulina e HOMA-IR nos pacientes diabéticos tipo 2 deste estudo.

- os efeitos não- esqueléticos da vitamina D foram observados apenas em altas concentrações da vitamina e que em concentrações menores as ações  possam ser  limitadas a ossos e músculos.

- Mais estudos são necessários para determinar o papel da suplementação da vitamina D nos pacientes diabéticos.

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