"Regional differences in clinical care among patients with type 1 diabetes in Brazil: Brazilian Type 1 Diabetes Study Group"


Dra. Marília de Brito
Professora Associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

n Behalf of the Brazilian Type 1 Diabetes Study Group (BrazDiab1SG) *
O objetivo do presente estudo transversal e  multicêntrico, realizado entre dezembro de 2008 a dezembro de 2010, em 28 clínicas públicas de atenção secundária e terciária em 20 cidades brasileiras de quatro regiões geográficas (norte / nordeste, centro-oeste, sudeste e sul) foi determinar as características de cuidados clínicos oferecidos aos pacientes com diabetes tipo 1 (DM1) nas regiões geográficas do Brasil, incluindo o controle glicêmico, a prevalência de fatores de risco cardiovascular (CV), o rastreamento de complicações crônicas e a freqüência com que as metas de tratamento recomendadas pela Associação Americana de Diabetes foram atingidas. Foram obtidos dados de 3.591 pacientes (56,0% mulheres e 57,1% caucasianos) com idade de 21,2 ± 11,7 anos, com uma duração da doença de 9,6 ± 8,1 anos (<1 a 50 anos). No geral, 570 (18,4%) pacientes apresentaram níveis de HbA1c <7,0%, e 1472 (47,5%) pacientes apresentaram níveis de HbA1c ≥ 9%. Os níveis de HbA1c foram associados com baixa condição socioeconômica, sexo feminino, idade e freqüência diária de automonitorização de glicose no sangue (SMBG), mas não com o tipo de tratamento e região geográfica. A hipertensão arterial foi mais freqüente nas regiões Centro-Oeste (32%) e Norte / Nordeste (25%) do que no Sudeste (19%) e Sul (17%). Mais pacientes da região sudeste alcançaram as metas de colesterol LDL e eram tratados com estatinas. Menos pacientes do norte / nordeste e centro-oeste foram rastreados para a presença de retinopatia e nefropatia, em comparação com pacientes das regiões sul e sudeste. Mais pacientes das regiões sul/ sudeste eram tratados com esquemas de insulinoterapia intensiva do que os pacientes do norte /nordeste e centro-oeste. A terapia de combinação de insulina mais comum foi de insulina de ação intermediária com insulina humana regular, principalmente na região norte / nordeste . A combinação de insulina glargina com lispro e glulisina foi mais usada na região centro-oeste.Os pacientes da região norte / nordeste eram mais jovens, não-brancos, de baixa condição socioeconômica, utilizavam menos o sistema de infusão contínua de insulina subcutânea, realizavam menos SMBG e apresentavam menos sobrepeso / obesidade, em comparação com pacientes de outras regiões. Os autores concluíram que a maioria dos pacientes, principalmente no norte / nordeste e centro-oeste, não estava nas metas de controle metabólico e não foram rastreados para as complicações crônicas  relacionadas ao  diabetes. Estes resultados devem orientar as decisões político governamentais de saúde, específicas para cada região geográfica, para melhorar o cuidado ao diabético e diminuir o impacto negativo do diabetes sobre o sistema de saúde pública.


Este é o maior estudo envolvendo todas as regiões do país sobre as características demográficas, clínicas, o tratamento do diabetes e a avaliação do controle metabólico  do paciente com DM1 no Brasil. As diferenças regionais foram marcantes e podem auxiliar a implementação de intervenções específicas para cada região do país. A baixa condição socioeconômica se configurou como uma importante barreira para obtenção do controle glicêmico adequado. Possivelmente, deveremos ter abordagens educacionais diferentes para os pacientes. Da mesma forma a complexidade do tratamento também deve ser avaliada de acordo com cada paciente considerando-se suas dificuldades e nível educacional (incluindo seus familiares). Um dado relevante foi a observação que 31% dos pacientes não apresentavam o IMC adequado.  Este dado foi observado em todas as regiões do país.

Os autores discutem as limitações do estudo de maneira adequada e um dado importante foi a dificuldade de obtenção de dados da população rural e de pacientes atendidos em nível de atenção primária. Outro dado importante que não muda em nosso país é a dificuldade de padronização da HbA1c, que também foi um fator limitante do estudo.

Mensagens chave:

1.O paciente com DM1 no Brasil não apresenta um controle clínico e metabólico adequado.
2.A triagem das complicações crônicas não esta de acordo com as diretrizes da SBD.
3.O controle do IMC destes pacientes merece nossa atenção. 
4.As diferenças regionais observadas na maioria dos dados clínicos , laboratoriais e de tratamento deve ser intensivamente abordada. 
5. O cuidado clínico dos pacientes com DM1 deve ser substancialmente melhorado no nosso país.

*Marília de Brito Gomes                                                                                Professora Associada da UERJ
*Roberta Arnoldi Cobas                                                                                Professora Adjunta da UERJ
*Alessandra Saldanha de Mattos Matheus                                                       Médica do Serviço de Diabetes-UERJ
*Lucianne Righeti Monteiro Tannus                                                                Médica do Serviço de Diabetes – UERJ

*Brazilian Type 1 Diabetes Study Group (BrazDiab1SG)


Comissão organizadora: Marilia Brito Gomes (chair), Roberta Cobas, Sergio Atala Dib, Carlos Negrato.


Universidade Estado Rio de Janeiro: Roberta Cobas*, Alessandra Matheus, Lucianne Tannus; Universidade Federal Rio de Janeiro: Melanie Rodacki*,  Lenita Zadenverg; Hospital Geral de Bonsucesso: Neuza Braga Campos de Araújo*, Marilena de Menezes Cordeiro; Hospital Universitário Clementino Fraga Filho – IPPMG: Dr. Jorge Luiz Luescher*; Renata Szundy Berardo; Serviço de Diabetes da Disciplina de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo: Marcia Nery*; Catarina Cani; Maria do Carmo Arruda Marques; Unidade de Endocrinologia Pediátrica da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo: Luiz Eduardo Calliari*, Renata Maria de Noronha; Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo: Thais Della Manna*, Roberta Salvodelli, Fernanda Garcia Penha; Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP: Milton Cesar Foss*, Maria Cristina Foss-Freitas; Ambulatório da Faculdade Estadual de Medicina de São José do Rio Preto: Antonio Carlos Pires*, Fernando Cesar Robles; Associação de Diabéticos de Bauru: Carlos Antonio Negrato*, Maria de Fatima Guedes; Centro de Diabetes da Escola Paulista de Medicina: Sergio Atala Dib*, Patricia Dualib; Clínica de Endocrinologia da Santa Casa de Belo Horizonte Setor Diabetes Tipo 1: Saulo Cavalcanti da Silva*, Janice Sepulveda; Ambulatório Multiprofissional de Atendimento à Diabetes do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina: Henriqueta Guidio de Almeida*, Emerson Sampaio; Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná:Rosangela Roginski Rea*, Ana Cristina Ravazzani de Almeida Faria; Instituto da Criança com Diabete Rio Grande Sul: Balduino Tschiedel*, Suzana Lavigne, Gustavo Adolfo Cardozo; Hospital de Clínicas de Porto Alegre:Mirela Azevedo*, Luis Henrique Canani, Alessandra Teixeira Zucatti;Hospital Universitário de Santa Catarina: Marisa Helena Cesar Coral*, Daniela Aline Pereira; Instituto de Diabetes-Endocrinologia de Joinville: Luiz Antonio de Araujo*; Hospital Regional de Taguatinga, Brasília: Hermelinda Cordeiro Pedrosa*, Monica Tolentino; Flaviene Alves Prado; Hospital Geral de Goiânia: Dr Alberto Rassi: Nelson Rassi*, Leticia Bretones de Araujo; Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia: Reine Marie Chaves Fonseca*; Alexis Dourado Guedes, Odelisa Silva de Mattos; Universidade Federal do Maranhão: Manuel Faria*, Rossana Azulay; Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão do Ceará: Adriana Costa e Forti*, Maria Cristina Façanha; Universidade Federal do Ceará: Renan Montenegro Junior*, Ana Paula Montenegro; Universidade Federal de Sergipe: Naira Horta Melo*, Karla Freire Rezende; Hospital Universitário Alcides Carneiro: Alberto Ramos*; Hospital Universitário João de Barros Barreto, Pará: João Felício Soares*, Flavia Marques Santos; Hospital Universitário Getúlio Vargas, Hospital Adriano Jorge: Deborah Laredo Jezini*

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