“The prevalence, patterns and predictors of diabetic perepheral neuropathy in a developing country”


Dra. Marília de Brito
Professora Associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Publicado em Diabetology & Metabolic Syndrome 2012, 4:21 faz uma avaliação da complicação microvascular mais comum em pacientes com diabetes mellitus: a neuropatia diabética (ND).
Prasad Katulanda1,2*, Priyanga Ranasinghe3, Ranil Jayawardena1,4, Godwin R Constantine1, M H Rezvi Sheriff1 and David R Matthews
Diabetology & Metabolic Syndrome 2012 May 29;4(21). doi:10.1186/1758-5996-4-21  

A polineuropatia distal sensitivo motora de membros inferiores representa a manifestação clínica mais comum da ND resultando em perda de sensibilidade protetora  e, como consequência, leva ao prejuízo da capacidade de reconhecimento de determinados estímulos como dor e temperatura ou mesmo a presença de ulcerações nos pés. Representa a principal causa de amputação de membros inferiores.

Atualmente, existem poucos dados sobre a prevalência da ND em países em desenvolvimento, especialmente no Sul da Ásia (população sabidamente conhecida pela predisposição para esta doença). Sri Lanka é um país em desenvolvimento do Sul da Ásia com população de 20,9 milhões de habitantes. Aproximadamente 1 em cada 5 adultos com > 20 anos de idade apresentam diabetes ou pré diabetes. O objetivo do artigo foi avaliar a prevalência e fatores preditores de ND em pacientes com diabetes do Sri Lanka com o intuito de aprimorar medidas preventivas e cuidados com a saúde em pacientes diabéticos do Sula da Ásia.

O artigo avaliou 4477 participantes e o diagnóstico de diabetes foi encontrado em 528 (11.9%) indivíduos. Do total, 337 (63.8%) eram pacientes com diagnóstico prévio de diabetes e 191 (36.2%) eram pacientes que desconheciam o diagnóstico de diabetes, sendo considerados como novos casos. A média de idade era de 55 ± 12.4 anos, 37.3% pacientes eram do sexo masculino e apenas 3 pacientes tinham diagnóstico de diabetes tipo 1. A maioria dos pacientes recebia metformina (61.3%) e sulfas (48.4%) enquanto que 4.2% utilizavam glitazonas e apenas 3.9% eram usuários de insulina.

A prevalência de ND encontrada na população total, em pacientes com diagnóstico prévio e aqueles com diagnóstico recente de diabetes foi de, respectivamente, 48.1% (n=254), 59.1% (n=199) e 28.8% (n=55). O sintoma mais comum entre os indivíduos recém-diagnosticados foi queimação, dor ou desconforto nos pés (n = 30, 15,7%), seguido de dormência (n = 24, 12,6%), sensação de picada (n = 22, 11,5 %) e instabilidade da marcha (n = 20, 10,5%).

O restante do artigo foi baseado apenas na população com diagnóstico prévio do diabetes (n=337) os quais foram submetidos à avaliação dos sinais e sintomas neurológicos (através do sistema de escore clínico de Toronto - TCSS). Diagnóstico de ND foi estabelecido quanto o escore TCSS era > 5. A prevalência de ND de acordo com o TCSS foi de 24%; a maioria dos pacientes (16.6%/ n=56) apresentava a forma leve da ND; o principal sintoma encontrado foi dormência (37.1%/ n=125) seguido de queimação ou desconforto nos pés (32.3%/ n=109), sensação de picada (29.7%/n=100) e instabilidade da marcha (25.5%/n=86); o principal déficit sensorial foi alteração da sensibilidade dolorosa ( 39.7%/n=134), seguido de alteração da sensibilidade tátil (38.3%/n=129), vibratória (26.1%/n=88), propriocepção (16.6%/ n=56) e térmica (8.3%/ n=28). Alterações dos reflexos Aquileu e patelar foram identificadas em 28.2% e 11.6% respectivamente. ND foi mais prevalente no sexo feminino (26.4%) do que no sexo masculino (20%) e em residentes em áreas rurais ( 75.3%) e 87.6% dos pacientes com ND apresentavam renda mensal < 12.000 rúpias (moeda local).

Os pacientes com ND quando comparados aos diabéticos sem ND apresentavam maior duração do diabetes (7.8 ± 7.1 vs 5.8 ± 5 anos), idade maior (62.1 ± 10.8 vs 55.1± 10.8 anos), maior prevalência de úlceras ( 64.7 vs 35.3%), eram mais altos ( diabetes acomete nervos mais longos) e tinham menor peso, índice de massa corporal, circunferência abdominal e de quadril e maiores níveis de triglicerídeos. Sem diferença estatística em relação à pressão arterial e níveis de colesterol total, HDL ou LDL.

A principal limitação deste estudo é a utilização de um escore que avalia apenas os sintomas de neuropatia diabética em pacientes recém diagnosticados, não incluindo a avaliação de sinais neuropáticas o que poderia subestimar a prevalência de ND. A avaliação dos fatores preditores de ND foi baseada apenas nos casos previamente diagnosticados, sendo excluídos pacientes com diagnósticos recente de diabetes podendo representar um viés de seleção.

Mensagens importantes:

  • Os principais fatores associados com o risco de desenvolvimento de ND em pacientes com DM no Sri Lanka foram a presença de úlceras em membros inferiores, tabagismo e sexo feminino.
  • Outros fatores de risco identificados foram tratamento com insulina, presença de retinopatia diabética, uso de sulfas, estatura, morador em área rural, triglicerídeos, baixo nível sócio econômico e duração do diabetes após ajuste pra a idade.
  • O diagnóstico de ND é complexo e requer avaliação de vários tipos de fibras nervosas, além de pesquisa de sinais (alteração de sensibilidade) e sintomas neurológicos.
  • Associação do tratamento com insulina e ND: exacerbação da obesidade, retenção hídrica, hipertensão e hiperlipidemia induzidas pela insulina ou indicador de falência de célula beta pancreática, representando estágio mais avançado e severo da evolução do diabetes?
  • Proteção da ocorrência de ND em pacientes tratados com metformina vs sulfas.
  • Hipertrigliceridemia: marcador de resistência à insulina / papel no desenvolvimento da ND.
  • Dificuldade de acesso à saúde (área rural) e baixo nível econômico: retardo no diagnóstico e dificuldade no controle adequado do diabetes e risco de ND.
  • Necessidade de mais estudos para definir o papel do peso corporal no desenvolvimento da ND.

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