Aleitamento materno protege contra o desenvolvimento do Diabetes tipo 1


Dra. Marlene Merino
Nutricionista da Universidade Federal Fluminense
Doutora em Ciências da Nutrição IN-UFRJ
Coordenadora do departamento de Metabologia e Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes 2014/2015

O aumento dos casos de Diabetes tipo 1 (DM1) em crianças e adolescentes faz surgir diversas investigações com as  mais diversas hipóteses sobre o seu fator causal. O desenvolvimento do diabetes tipo 1 é caracterizada pela destruição autoimune das células betas do pâncreas, as quais produzem insulina. São conhecidos na literatura pelo menos 5 tipos de anticorpos associados ao diabetes tipo 1 na adolescência. Contudo também são citados alguns fatores externos que contribuem para o desenvolvimento da doença que incluem nutrição, infecções virais, peso de nascimento, idade materna, crescimento infantil acelerado, estresse e fatores socioeconômicos.

Estudos têm demonstrado que a exposição dietética ao leite de vaca precocemente pode aumentar o risco de autoimunidade de células betas e DM1, enquanto que o efeito positivo da amamentação tem sido associado ao fortalecimento do sistema imunológico da criança. Nesse sentido foi realizada recentemente uma revisão sistemática para avaliar a existência de evidências sobre a associação entre amamentação ou o consumo de leite de vaca ou fórmula láctea durante o início da infância, com o desenvolvimento de DM1 posteriormente na infância e adolescência.

Foi encontrado um total de 161 estudos, os quais sofreram diversos filtros resultando em uma amostra final de 28 estudos. Os resultados desta revisão sistemática indicaram que a curta duração e/ou a falta de aleitamento materno podem constituir como um fator de risco para o desenvolvimento de DM1 mais tarde.

O papel protetor do leite materno pode ser atribuído principalmente pela sua composição, particularmente pelas substâncias antimicrobianas, tais como lactoferrina, lisozima e IgA secretória. A lactoferrina é uma proteína que protege contra uma ampla gama de microrganismos que requerem ferro para seu crescimento. A lisozima é uma enzima que tem a capacidade de proteger o corpo humano ligando-se a microorganismos e causando destruição celular, além disso, a imunoglobulina A secretória fornece proteção contra várias bactérias (Escherichia coli, Vibrio cholerae, Streptococcus pneumonia e, Clostridium difficile, Salmonella) e contra numerosos  vírus. Ademais o leite materno oferece diversos mecanismos que protegem contra a imaturidade do sistema imune da criança.

Os resultados dessa revisão sistemática reforçam a importância do incentivo ao aleitamento materno exclusivo até o sexto mês e de sua manutenção até dois anos de idade, associado à alimentação complementar. No Brasil, os dados estatísticos ainda são alarmantes quanto a introdução precoce de alimentos (ex: leite de vaca e fórmulas infantis) e da cobertura de aleitamento materno exclusivo, o qual atinge somente 41% das crianças com menos de seis meses, fato este, que poderia estar contribuindo para a instalação de diversas condições desfavoráveis a saúde da criança.

Ler mais:

Current evidence on the associations of breastfeeding, infant formula, and cow's milk introduction with type 1 diabetes mellitus: a systematic review. Nutrition Reviews® Vol. 70(9):509–519, 2012.

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