Os Gordinhos e o Câncer


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

São poucas as vantagens que o excesso de peso, traz a saúde dos seus portadores. As mulheres com quantidade excessiva de gordura tem menos sintomas quando na menopausa e é menor a chance de ter grande perda óssea, atingindo o estágio de osteoporose.

Tanto as mulheres como os homens com peso excessivo, são menos acometidos de tuberculose pulmonar, porém, na quase totalidade de outras doenças o excesso ponderal faz ser mais prevalente e ou mais grave, algumas delas são inclusive extremamente mais freqüentes nos mais pesados.

No Diabetes do Tipo 2, 80% dos acometidos apresentam quantidade aumentada de tecido adiposo. Em 70% hipertensos, o problema também está presente. A elevação de uma das gorduras do sangue, o triglicerídeo é extremamente mais frequente entre eles. Por conta dessas desvantagens os obesos costumam ter uma qualidade de vida e longevidade inferior aos de peso normal. Apesar de todas as repercussões negativas, a medicina ainda não dispõe de recursos efetivos para tratar ou prevenir o grande problema de saúde publica, que é a obesidade.

A situação é grave e a tendência é se tornar cada vez pior. Mais de 75% de americanos adultos atualmente com excesso ponderal, deverão se tornar perto 100%, em 2030.

Muitas das repercussões negativas da obesidade sobre a saúde das pessoas  já são extremamente conhecidas, como diabetes, hipertensão arterial, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, etc.

Nos últimos anos se descobriu mais uma extremamente grave, o câncer. Acredita-se inclusive, que a elevação dos números de casos dessa patologia no mundo se deva pelo menos em parte, ao aumento de peso da população.

Hoje, sabe-se que um número grande de câncer é mais prevalente e/ou mais grave neste tipo de paciente. Tumores de mama, esôfago, endométrio, colón, fígado, pâncreas, vesícula, rim, entre eles.

Uma mulher com excesso de peso tem 3 vezes mais chance de desenvolver um carcinoma de endométrio e a probabilidade do surgimento de um tumor de mama antes da menopausa é 40% maior. O tumor de intestino é 24% mais freqüente nos homens com excesso de ponderal. Porque isto acontece?

Baseado em estudos com animais, três seriam os principais fatores:

Elevação dos níveis de insulina que o excesso de peso acarreta, a quantidade excessiva de hormônios sexuais circulantes e de substâncias produzidas pelos adipocitos  que causam  alteração no metabolismo celular dos vários tecidos.

Quantidade aumentado da gordura, principalmente a abdominal, cria resistência a ação insulina ao nível dos tecidos. Por conta disso, o pâncreas aumenta a produção deste hormônio.

Quantidade excessiva de insulina estimula a produção do tecido adiposo de varias substâncias. Que entre outras ações, elas estimulam a divisão das células e inibem as suas mortalidades. Resultado, favorecimento do surgimento de tumores.

A quantidade excessiva dos hormônios circulantes corre por conta de que a célula gordurosa é capaz de transformar um hormônio masculino, em feminino. A androstenediona, um hormônio masculino secretado pela glândula adrenal, é no tecido adiposo transformado em feminino.

Este  é  o motivo pelo qual as mulheres com excesso de peso tem menos sintomas quando na menopausa e também menos osteoporose. Em compensação mais câncer de mama e endométrio.

O ideal para evitar esta maior propensão do surgimento de um câncer nos portadores  de excesso de ponderal, seria fazê-los perder peso. Como isto nem sempre é possível, pesquisam novas alternativas. Nos últimos anos surgiu uma, a metformina. Essa droga é a mais usada no tratamento dos diabéticos do tipo adulto. Ela atua diminuindo a secreção aumentada da insulina. Várias pesquisas vem demonstrando que os diabéticos que a usam, tem muito menos câncer. Considerando que o seu mecanismo de ação e o fato de não ter maiores efeitos colaterais, existe a possibilidade de que o seu uso possa também ser feito em gordinhos não diabéticos. E com isto possa diminuir a maior prevalência de câncer nesta população.

Tomara.

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