Soja: Benefícios e Discutíveis Malefícios


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

A soja é uma leguminosa utilizada pelos chineses há milênios. No ocidente, o seu consumo em larga escala só iniciou na década de 60, e desde então não para de crescer. Durante muito tempo os Estados Unidos foram o seu maior produtor, no entanto, desde 2003 a produção na América do Sul, Brasil em primeiro lugar, ultrapassou a dos americanos.

A sua composição agrada aos nutricionistas. Na forma de grãos, tem 40% de proteínas, 34% de carboidratos, 15% de minerais, óleos poliinsaturados e fibras. Sendo portanto, livre de gorduras saturadas e colesterol. Além disso, os seus ácidos graxos fazem com que tenha uma ação benéfica sobre os níveis de colesterol sanguíneo dos seus consumidores. Na forma de “leite”, a quantidade de carboidratos diminui para 2,5%. Esta composição, aparentemente muito saudável,  seria um dos fatores para baixa incidência de doenças cardiovasculares entre os japoneses, possui o maior consumo.

Outro grande mérito deste é a sua quantidade de proteína, tipo de macronutriente  que o mundo tem grande carência e ser muito maior do que outras leguminosas. Por exemplo, ela ganha do feijão de goleada: 40 x 20%, é rica em um tipo de substância chamada de isoflavonas. Estas substâncias tem mecanismos de ações interessantes: Em alguns órgãos atuam semelhante aos hormônios femininos, os estrógenos, porém em outros ela os antagoniza.

Acredita-se que o fato das mulheres japonesas, terem menos osteoporose que as do ocidente, seja por conta da ação pró estrogênica das isoflavonas da soja e a diminuição da incidência do câncer de mama e do endométrio, que também ocorre com as nipônicas, ocorreria pela outra ação, antiestrogênica. A mais frequente indicação terapêutica do componente da soja, as isoflavonas, é para o tratamento do  fogacho. O fogacho é um sintoma extremamente desagradável, que as muitas mulheres apresentam nos meses subsequentes a menopausa. Trata-se de um distúrbio na regulação de temperatura corporal.

Na parte profunda do corpo há um declínio de temperatura enquanto na superfície, ela aumenta. Este choque térmico costuma ser seguido de sudorese profusa. A medicação mais eficaz para tratá-lo é o uso de hormônios femininos, os estrógenos. Em alguns casos as isoflavonas, pela sua ação estrogênica conseguem eliminá-lo ou pelo menos diminuir a sua freqüência e intensidade. A grande vantagem com este tipo de tratamento seria não ter os efeitos colaterais possíveis da estrogenoterapia tradicional, aumento da incidência de câncer  de mama e endométrio, doença coronária, trombose  venosa. Calculo de vesícula, etc. Nos últimos anos tem se levantado algumas críticas ao consumo da soja. Uma delas pela grande utilização de defensivos agrícolas nos seus plantios, e que eles possam ter um efeitos maléficos sobre a nossa saúde. Outra pelo temor de que o consumo de espécies de soja transgênicas, possam nos ser lesivo. Por possuir substâncias que diminuem a ação das enzimas necessárias a síntese dos hormônios tireoidianos,  aumentam a chance de Hipotiroidismo nos seu consumidores.

Uma substância existente na sua composição, o fitato, diminui a absorção de minerais, cálcio, ferro, magnésio, podendo levar a seus déficits no nosso organismo. Outra preocupação é com recém nascidos, que utilizam “leite” de soja ao invés do bovino. A quantidade de isoflavonas na sua dieta diária corresponde a de estrógenos de varias pílulas anticoncepcionais. Teria isto a longo prazo,  malefícios?

Em resumo, os benefícios nutricionais da soja, são bem conhecidos e comprovados e quanto aos malefícios, eles por enquanto são apenas aventados, mas não ainda, a maioria deles, comprovados.

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