Grandes doses de vitamina fazem bem?


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

As vitaminas são substâncias essenciais ao nosso organismo. Participam milhares de reações químicas, que ocorrem simultaneamente no nosso metabolismo.

Quando em quantidades não adequadas, causam problemas sérios de saúde. Grandes déficits, podem até acarretar a morte.

A fonte principal das vitaminas é a dieta. A vitamina D, ao contrário das outras, tem como sua principal fonte de fornecimento, a ação dos raios solares sobre a pele.

O composto ali formado, ao passar pelo fígado sofre uma modificação química, uma, hidroxilação, se transformando na 25 (OH) Vitamina D. Ao passar pelo rim, nova hidroxilação, formando-se assim a 1,25 (OH) Vitamina D, também chamada Vitamina D3. Está é a forma ativa da vitamina, e que tem como principais ações, nos ossos e no metabolismo do cálcio e fósforo.

È por esta razão que os portadores de Insuficiência Renal Grave, são deficitários desta vitamina, pela incapacidade dos rins de produzi-la. E a sua falta, acarreta uma doença óssea g, a Osteodistrofia Renal.

Por conta disso, os doentes em hemodiálise devem fazer uso, permanente, da D3 por via oral. A contribuição da dieta fornecimento da vitamina D é extremamente modesta.

São poucos os alimentos, que a possuem: salmão, bacalhau, sardinha, algumas vísceras e gema de ovo entre eles.

A ação da vitamina D, ao nível dos ossos, favorece a sua formação e no intestino e rins a absorção do cálcio. As duas doenças estabelecidas classicamente estabelecidas por sua deficiência são ósseas.

Raquitismo na criança e Osteomalacia no adulto. Patologias muito raras no nosso meio. No entanto, já há anos se descobriu que a vitamina D também age em vários outros órgãos.

Mais recentemente, tem se a aventado que o seu déficit pode ser a causa ou contribuição para o surgimento de varias outras doenças.

Ressalte-se, que as evidencias neste sentido ainda estão longe de serem conclusivas. Câncer, Hipertensão Arterial, doenças cardíacas, Diabetes, Demência, seriam algumas delas.

Apesar das conclusões não serem definitivas, alguns médicos acreditam que a sua administração em doses maiores que se acreditava anteriormente, preveniriam varias doenças. A solicitação da determinação dos seus níveis sanguíneos é cada vez mais realizada.

Consequentemente cada vez mais prescrições para o seu uso, em grandes doses são feitas. Até no nosso Brasil, “pais tropical e bonito por natureza”, com grandes números de dias ensolarados, isto está ocorrendo. Os argumentos são que cada vez mais a pessoas evitam se expor ao sol, o uso de filtro solares cada vez mais potentes, pele escura da nossa população etc.

Apesar desses argumentos, este fato continua para mim ser estranho. Afinal as nossas necessidades da vitamina D situam-se entre 400 e 800 unidades diárias, em trinta minutos de exposição à luz solar produzem 10.000 unidades.

É fácil entender que isto possa ocorrer nas pessoas que nunca se exponham ao sol, e nos idosos, quando a pele diminui a capacidade de sintetizar a vitamina.

Por outro lado, outro motivo de preocupação, é o fato de que ao contrário de que se acreditou durante muito tempo, uma ingestão aumentada de vitaminas pode ser maléfica a saúde. Hoje, está estabelecido que o uso de medicamentos contendo vitamina E, aumenta o risco de câncer de pulmão nos fumantes.

Suplementação vitamina A, incrementa o risco de Acidente Vascular Cerebral. A vitamina C não previne infecções e o uso de complexos vitamínicos aumenta a probabilidade de doença cardíaca nos idosos. Grandes doses de vitamina D trarão benefícios ou malefícios no longo prazo?

Quem viver verá.

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