As mulheres e os pelos


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

A maioria dos nossos pelos corporais é resultante da ação dos hormônios masculinos sobre os órgãos produtores de pelos, os folículos pilosos.

Por ocasião da nossa adolescência, existe um aumento da produção desses tipos de hormônios, pelas glândulas adrenais. Como resultado surge, em ambos os sexos, os pelos axilares e pubianos.

Denomina-se hirsutismo, o aparecimento de pilificação semelhante a estas, em outras regiões do corpo das mulheres. Nos homens é considerado normal o surgimento de pelos em qualquer lugar.

No entanto, nunca existem pelos em algumas regiões, como nas palmas das mãos e plantas dos pés, por não existirem folículos pilosos nestas áreas.

O hirsutismo, pilificação anormal nas mulheres, quase sempre causa grandes transtornos emocionais, principalmente nas de pele branca e as de classes sociais mais elevadas.

Como todo hormônio, a ação dos masculinos depende da sua produção e da sua recepção periférica, no caso, ao nível dos folículos pilosos. Por conta de níveis de recepção, homens com produção hormonal semelhantes têm quantidade de pelos diferentes.

Uns com muito e outros com tão pouco. O motivo desta diferença, é que no peludo existe um número maior de receptores, nos folículos para estes tipos de hormônios. Esta diferença na recepção periférica, também ocorre entre as mulheres.

Assim o surgimento de pelos indesejáveis, o hirsutismo, pode ser decorrente do aumento da produção ou na recepção dos hormônios masculinos ao nível dos folículos. E na maioria dos casos, não se detecta produção hormonal aumentada.

As mulheres portadoras de hirsutismo que lhes causem problemas emocionais deverão procurar ajuda médica de endocrinologista ou ginecologista; Ao profissional caberá inicialmente fazer o diagnóstico diferencial.

Produção ou recepção aumentada? Um dado da história clinica é de fundamental importância, as menstruações. Uma mulher com fluxo menstrual regular, muito improvavelmente terá alteração na produção de hormônios masculinos.

Nos casos em que se julgar necessário deverá ser feita uma avaliação, através das dosagens sanguíneas dos hormônios masculinos. A mulher tem dois órgãos produtores destes tipos de hormônio: ovário e adrenal.

A investigação detectará não só a alteração, se ela existir, mas também a glândula causadora. Várias doenças podem causar hirsutismo: ovário policístico, tumor ovariano, tumor ou defeito na síntese dos hormônios adrenais, uso de medicamentos etc.

Diagnóstico estabelecido, a terapêutica correta deverá ser realizada. No entanto, como já foi afirmado anteriormente, na maioria dos casos nenhuma dessas patologias é encontrada.

O hirsutismo é quase sempre decorrente de uma recepção exagerada dos folículos pilosos a níveis hormonais normais. Nestes tipos de pacientes em que a quantidade de pelos e ou as repercussões emocionais forem importantes, deverão ser tratados.

Quando o problema for resposta exagerada aos hormônios, a terapêutica visará usar drogas que bloqueiem as suas ações ao nível do receptor, ou diminuam as suas produções. Já dispomos de drogas capazes de exercer estes tipos de ações.

Porem, além de onerosas, requer uso prolongado e não raramente podem causar efeitos colaterais desagradáveis. Fora isso, quase nunca se obtém resultados desejáveis. Infelizmente, ainda o que nos resta como melhor opção para estes casos, é a terapêutica cosmética.

Descolorir os pelos, ou removê-los com cera, pinça, eletrolise ou mais eficientemente com raios laser. Em compensação dos transtornos que o hirsutismo causa, as suas portadoras costumam ser sexualmente mais ativas.

VOLTAR

Fale Conosco SBD

Rua Afonso Braz, 579, Salas 72/74 - Vila Nova Conceição, CEP: 04511-0 11 - São Paulo - SP

(11) 3842 4931

secretaria@diabetes.org.br

SBD nas Redes