Cirurgia para Emagrecer


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

O crescimento do número de obesos, é uma preocupação não só dos países desenvolvidos, mas também dos em desenvolvimento.

Brasil inclusive.

As modificações que as sociedades vem experimentando, são apontadas com as maiores razões. Cada vez mais alimentos calóricos,  e atividades físicas cada vez menos.

Além disso, contribui de maneira importante, o fracasso da medicina em descobrir o método de tratamento eficaz para o problema.

Assim a maioria dos obesos, estará infelizmente mais pesada, dois anos após do ínicio de uma tentativa terapêutica. A precariedade do tratamento atual, se deve grandemente a pouca importância que a ciência médica deu a obesidade, por décadas.

A visão antiga era que o excesso de peso não era uma problemática médica. O portador do excesso ponderal, era o único culpado.

Hoje sabemos, que o acumulo excessivo de gordura, depende também e principalmente de outros fatores.

No últimos anos, vem se descobrindo cada vez mais alterações orgânicas nos que tem predisposição a engordar.

Nos obesos, hormônios produzidos no aparelho digestivo e no tecido adiposo, têm diferença nas suas produções e ações, quando comparados com os de peso normal.

Leptina, Ghrelina, GIP, GLP1, PYY, são alguns dos já descobertos. Por conta do fracasso do tratamento clínico, já há muito tem se tentado a cirurgia como solução.

As primeiras intervenções realizadas, produziam grande perda ponderal por causarem grande diminuição da absorção dos alimentos. No entanto, anos depois complicações graves surgiam.

Desnutrição Grave e Cirrose Hepática ,entre elas,o que inclusive levou a morte de muitos doentes. Resultado, foram proibidas. 

Nas últimas décadas no entanto novas técnicas foram desenvolvidas, e que praticamente extinguiram aqueles tipos de complicações.

Atualmente 4 tipos de procedimentos cirúrgicos, são mais utilizados. As intervenções promovem a perda de peso por três mecanismos.

1) Diminuição da ingesta por restrição ao tamanho do estômago;
2) Diminuição da absorção dos alimentos por evitar o seu contato com a partes do intestino;
3) Modificar, de maneira benéfica  da secreção dos hormônios produzidos pelo estômago e intestino.

Através dessas substancias o tubo digestivo informa ao cérebro da necessidade ou não da ingesta de alimentos. Na grande maioria dos operados a sensação de fome diminue substancialmente.

Além da perda de peso a cirurgia promove a resolução, ou grande melhoria de muitas das complicações que a obesidade acarreta.

O diabetes quase sempre deixa de existir, a hipertensão desaparece ou melhora, a elevação das gorduras do sangue se normaliza, apnéia do sono melhora substancialmente etc.

Tão ou mais importante do que  o tratamento  desses problemas clínicos é a grande melhoria da qualidade de vida, que a cirurgia costuma promover. Porém, alguns parâmetros necessitam serem considerados, antes de se pensar neste tipo de tratamento.

De acordo com as normais atuais ele só deve ser realizado em paciente grandes obesos. 

Tanto o Conselho Federal de Medicina como as Sociedades Médicas, só recomendam a sua realização em pacientes com índice de massa corporal, igual ou superior a 35 kg/m2, com complicações clinicas, ou superiores a 40 kg/m2 , mesmo sem elas.

Um outro fator que necessita ser considerado é a probabilidade de complicações. A mortalidade pós operatória é extremamente baixa, inferior a 1%.

Porém, complicações ocorrem em 5 a 10% dos casos. Na maioria das vezes , felizmente são simples e facilmente tratadas.

Complicações graves também existem como hemorragia, peritonite, obstrução intestinal, arritmias, desnutrição etc. 
Finalmente uma outra limitação, da intervenção é que as vezes ela não cumpre o seu objetivo.

Não se emagrece como deveria ou então depois de perder peso volta-se a ganha-lo, Por que isto acontece? 
Diferenças nas técnicas cirúrgicas ? 
Mau comportamento alimentar do operado ? 
Mecanismos diferentes causadores da obesidade ?

Ainda não temos conhecimento pleno porque isto ocorre.

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