Sibutramina: Benefícios ou Malefícios


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

A medicina tem sido extremamente eficiente em descobrir as desvantagens para a saúde, que a obesidade acarreta.

Praticamente todas as doenças são mais freqüentes, e ou mais graves nos portadores de excesso de peso. Apenas para confirmar, que todas as regras tem exceções, os obesos tem menos tuberculose pulmonar, osteoporose e sintomas quando na menopausa.

A grande eficiência em identificar os malefícios  é diretamente proporcional, a incapacidade de tratá-la.

O conhecimento atual dos mecanismos que levam uma pessoa a acumular uma quantidade excessiva de gordura, é ainda precário. Apesar da sociedade ainda incriminar o obeso como único culpado   pelo seu problema, a medicina já sabe não ser isto verdade.

Cada vez mais se demonstram componentes orgânicos no excesso de peso. Hormônios, recentemente descobertos, produzidos no tecido adiposo e tubo digestivo são produzidos ou têm ação diferente, nos gordos, e nos que têm peso normal.

Leptina , ghrelina , PYY, GLP1 , são apenas alguns deles, estamos apenas no inicio.

Obviamente que fatores ambientais e psicológicos têm a sua importância.

Uma sociedade cada vez mais “obesogena”, maus hábitos alimentares, problemas emocionais, sedentarismo, etilismo, etc contribuem de maneira importante para o aumento  de peso em pessoas predispostas.

Tanto o psiquismo, como os hábitos atuais de nossa sociedade, atuam principalmente como fatores desencadeantes, agravantes, e não causais. Os métodos não farmacológicos para tratamento de excesso de peso, só muito raramente produzem resultados a longo prazo.

A realização de atividade física regular deve ser indicada para todos, inclusive  e principalmente para os que têm peso elevado.

Porém ela isoladamente, só será capaz de acarretar perda ponderal significativa, se for intensa e prolongada.

A restrição dietética é um tratamento extremamente sacrificante. A grande maioria das atividades sociais atuais tem como “pano de fundo”,  comidas e bebidas.

Com tantas limitações, as  medidas  não farmacológicas, isoladas ou em conjunto, só raramente  são capazes de produzir resultados satisfatórios, a longo prazo.

Restaria  ajudá-las com medicamentos. Como teoricamente  o excesso de peso resulta em uma ingestão  calórica superior as necessidades, uma medida seria aumentar o gasto de calorias pelo organismo. s. Existem medicamentos capazes disso, porem os seus efeitos colaterais, proíbem o seu uso .

A outra estratégia seria diminuir a entrada das calorias, inibindo a absorção dos alimentos. A única droga aprovada para isto é o orlistat, porem efeitos colaterais, algumas vezes desagradáveis como diarréia e incontinência fecal limitam o seu uso.

A estratégia mais usada no tratamento é atuar sobre a vontade de alimentar-se.

Seja por uma ação anorética, diminuindo a vontade de iniciar uma refeição, seja para que se fique satisfeito com uma menor quantidade de comida, ação sacietogena.

No entanto, as drogas que dispúnhamos, deixavam a desejar. Pelos efeitos colaterais, e por desenvolverem tolerância depois de algum tempo, não mais atuando.

Na segunda metade da década de 90, surgiu uma nova droga a: sibutramina. Que se mostrou capaz de ter tanto a ação anorética e também fazendo com que se saciasse com uma quantidade menor de alimentos.

Além disso, com menos efeitos colaterais e capaz de continuar atuando no longo prazo. Resultado, tornou-se a droga mais usada no mundo para tratamento do excesso de peso recentemente .

No entanto, foi publicado um trabalho cientifico o que analisou 10.742  pacientes de idade igual  superior a 50 anos, com fatores de risco para doença cardiovascular, durante alguns anos.

Houve  um maior numero de mortes nos que usavam sibutramina de que os que não (11,4% X 10%). Apesar de tão pequena diferença ,ela foi estatisticamente significante.

Por conta disso, a Associação Européia de controle de medicamentos suspendeu o seu uso em 37 países para todo tipo de paciente, Tanto o FDA, como a nossa  ANVISA e as varias  Sociedades Medicas  acharam que foi uma decisão no mínimo precipitada.

Várias outras pesquisa realizadas anteriormente  não mostraram estes resultados. Por outro lado para o grupo analisado já havia recomendações anteriores na bula, de cautela no seu uso.

Os benefícios do tratamento do excesso de peso visam também evitar outros problemas de saúde, inclusive que os pacientes mais jovens venham desenvolver os chamados fatores de risco. Em resumo achamos que deveremos continuar a prescrever a droga, porem com mais cautela  em certo grupo de pacientes.

Ainda longe de ser a droga ideal, è a sibutramina o melhor recurso terapêutico disponível, para o tratamento do excesso ponderal.

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