Sistema de saúde americano: Ruim e difícil de ser modificado


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

Desde há muitos o sistema de saúde americano, tem sido criticado, pelos seus altos custos, e pela  sua muito baixa eficiência . É sem duvida, o país do mundo que mais gasta  com saúde , 15% do seu PIB , o que equivale a 6000 dólares por habitante/ano .

Gastos mais do que duas vezes o que a maioria dos países com sistemas de saúde eficientes , e em que todos os seus habitantes têm direito ao tratamento que necessitam.

Segundo a Organização Mundial de Saúde , em eficiência a saúde americana se localiza abaixo do quadragésimo  lugar, entre os países do mundo, localização inclusive inferior a vários países pobres. E se os custos são elevados, o pior ainda é que continuam a crescer. Apesar de toda esta despesa, cerca de 15% da população, o que equivale a  46 milhões de americanos, não tem direito a assistência médica quando adoecem.
 
É o contingente daqueles,  que não tendo dinheiro suficiente para se associar a um plano de saúde privado, também  não preenchem condições para serem admitidos em uma das duas organizações mantidas pelo governo. O Medicaid, que atende alguns tipos de pobres e o Medicare que dá cobertura aos idosos carentes. Acrescente-se o fato de ser nos Estados Unidos , o  país com os melhores profissionais de saúde do mundo.
 
É óbvio que a muito pouca eficiência de um sistema com tantos recursos humanos e materiais se deve a falha  da sua gestão. O sistema, o atual  permite a existência de fraudes, lucros abusivos, práticas  e pouco eficientes, desperdício etc.

Um outro fator que aumenta os custos do exercício profissional, é ultrapassada lei da má prática. Com o medo de uma possível condenação, por um discutível erro médico, o profissional solicita um número de exames laboratoriais exagerado, resultado, mais custos.

Além disso o consumidor dos planos de saúde ,com frequência são vítimas de atitudes reprováveis, por parte das companhias de seguro. Negar tratamento alegando condição pré- existentes, cobrar taxas extras para alguns procedimentos (mamografia por exemplo), negar o direito de acesso ao plano pela existência de um fator de risco para uma doença, etc.

Quando se faz uma pesquisa mais de 80% dos americanos, acham que uma grande reforma na saúde necessita ser feita. Porém quando a reforma é apresentada, a situação se modifica. Praticamente metade dos indivíduos não a deseja implementada .Porque isto ocorre?

O espírito conservador da sociedade americana e o “lobby” dos beneficiados são os responsáveis. Afinal o desenvolvimento dos Estados Unidos sempre aconteceu  apoiado na livre iniciativa privada.Existe  um temor, que uma maior intervenção governamental possa ser maléfica. Por outro lado as companhias privadas da saúde exercem uma pressão contra a reforma, Não só politicamente com os congressistas, mas também sobre a população.
 
Todos os tipos de mídia estimulando o sentimento não estatal da sociedade americana. ”A assistência médica fica igual aos países comunistas” ,”Você não poderá mais escolher o seu médico” etc.. dizem eles.

O governo de Obama resolveu enfrentar estas dificuldades e implantar a tão necessária reforma. O Clinton também desejou mas não conseguiu. ”O americano vai ter direito ao tratamento que precisa e não o que pode pagar” afirma o atual Presidente.

O seu plano para a saúde tem 3 princípios básicos :
  1. Garantir maior estabilidade e segurança aos usuários dos planos de saúde privado.
  2. Cobertura universal para a toda a população.
  3. Redução dos custos.
Tomara que ele consiga.