O osso, o Cálcio e a Vitamina D


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

Apesar de sua aparência, o osso é uma estrutura metabolicamente muito ativa. Durante toda nossa vida, os ossos estão sempre em constante remodelação. Os tecidos mais antigos são substituídos por novos. E é justamente o aumento da massa óssea que nos faz crescer.
 
Isto ocorre porque nesta fase da vida produzimos mais osso do que destruímos, Aos 20 anos, atingimos o pico da nossa quantidade óssea. Após os trinta no entanto destruirmos mais osso do que formamos.Essa perda de massa óssea se processa de maneira muito lenta e na grande maioria das pessoas não acarreta maiores problemas, mesmo na 3ª idade.

A velocidade da perda, no entanto , aumenta muito nos primeiros anos após a menopausa. Algumas mulheres chegam a perder mais de 30% do seu patrimônio ósseo. Esta é razão porque a, osteoporose, ossos  fracos , é muito mais comum nas mulheres do que nos homens...

A maior perda da quantidade de osso , pode ser também causada por o doenças: da tireóide , da paratireóide , das adrenais , e também por uso prolongado de alguns medicamentos como corticóides ou anticonvulsivantes Duas substancias , são extremamente importantes no metabolismo ósseo: o cálcio  e a vitamina D .O cálcio é obtido através da dieta e  as suas maiores fontes, são os produtos lácteos , leite , iogurte , queijo etc.
 
Necessitamos sempre de uma quantidade adequada de cálcio. Não só enquanto estamos crescendo, mas também quando adultos e principalmente quando idosos. Caso a falta seja na infância ou adolescência, formaremos um patrimônio ósseo menor do que o desejado.

Assim quando da fase de perda começar, com a nossa poupança sendo menor, mais facilmente atingiremos o estagio de ossos mais fracos, a osteoporose. Por outro lado a falta desse mineral também aumenta a velocidade da perda.A quantidade de cálcio necessária é obtida sem dificuldades, desde que na dieta haja consumo adequado de produtos lácteos.

Deve-se considerar a necessidade de suplementação do cálcio, através de medicamentos ou suplementos alimentares, em algumas condições. Mulheres na pós menopausa, nos que não ingerem produtos lácteos em quantidade adequada e naqueles tenham uma doença intestinal que prejudique a absorção de nutrientes.

Outro componente essencial a integridade dos nossos ósseos é a vitamina D Na sua deficiência o metabolismo do cálcio não ocorre adequadamente.Ao contrario do cálcio ela pouco provem de dieta. São raros , os alimentos que a contém: gema de ovo e alguns peixes. São alguns poucos exemplos. Nosso organismo é que a produz. O processo se inicia  na pele por ação dos raios solares, em seguida o fígado promove uma modificação e finalmente o rim termina a sua síntese da sua forma mais ativa o calcitriol.

Desta maneira, por sermos um país tropical, com muito sol, ela é rara nos nossos jovens e adultos.  Isto ocorre quando eles não são expostos adequadamente a luz solar e também em algumas doenças como a insuficiência renal. Nos idosos, mesmo vivendo nos trópicos a deficiência pode ocorrer. O envelhecimento da pele faz com que o início da sua síntese fique prejudicado.

Além  dos idosos as pessoas que muito pouco se expõem ao sol, os que usam frequentemente filtros solares fortes, grandes obesos, também podem apresentar déficit desta vitamina.

A necessidade diária é de 400 a 1000 unidades. Recentemente algumas pesquisas têm procurado associar o seu déficit com outras doenças  como o Lúpus , Artrite Reumatóide , Diabetes e até algum câncer (próstata , intestino , mama ). No entanto estas suspeitas ainda precisam ser confirmadas por outros pesquisadores.

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