O exercício físico e os diabéticos


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

Como sabemos, o Diabetes é o resultado da ação deficiente do hormônio insulina. Seja pela ausência de sua produção (Tipo 1), seja por secreção insuficiente para as necessidades (Tipo 2). A deficiência da sua ação acarreta alterações nos metabolismos das proteínas, das gorduras e dos açúcares.

Sobre os carboidratos, dois grandes problemas ocorrem. Além de não sermos capazes de metabolizar adequadamente os açúcares provenientes da dieta, passamos a produzir glicose de maneira exagerada, pelo nosso fígado. Ou seja, além de não os consumirmos como deveríamos, superproduzimos açúcar. Caso o problema fosse só déficit do consumo dos carboidratos, bastaria suprimi-los da dieta e a doença não mais existiria. 

Este mecanismo da nossa produção de glicose é tão necessário que vários dos nossos hormônios têm, entre outras ações, a capacidade de estimular a sua produção principalmente pelo fígado.

Assim, o cortisol e as catecolaminas produzidas pela glândula adrenal , hormônio do crescimento da hipófise, entre outros, atuam no sentido de estimular o fígado a aumentar a produção de glicose.

Para que a fabricação de açúcares não seja exagerada, maior do que as nossas necessidades, existe um hormônio que inibe a sua produção. A insulina é que exerce este papel.

Assim, como no diabético a sua ação está ausente ou diminuída, teremos não só prejudicada a metabolização dos açúcares da dieta mas uma superprodução da glicose pelo nosso fígado.

E qual o papel do exercício físico, tão importante no tratamento da doença?

Ele tem duas ações. A primeira, estimulando a secreção de hormônios (cortisol, hormônio do crescimento, etc.) que estimulam a produção hepática de glicose, o que acarreta uma elevação da glicemia. Porém, por outro lado, a atividade física aumenta a sensibilidade dos tecidos à insulina, fazendo com que a metabolização dos açúcares se torne mais eficiente. Em outra palavras, de um lado age para elevar a glicose sanguínea e de outro diminuí-la.

E como isto se traduz na pratica médica?

Caso o diabético apresente, antes de exercício, níveis elevados de glicose sanguínea, acima de 250 mg/dl, a atividade elevará mais ainda estes valores, estando, assim,  contra-indicada a sua realização.

No entanto, caso o valor inicial seja inferior a 150 mg/dl, a atividade física é benéfica, diminuindo os valores da glicose. 

Caso a glicemia inicial seja mais baixa, o exercício pode, inclusive, acarretar uma queda exagerada (hipoglicemia).

Assim, nos casos de diabéticos instáveis, deve ser realizada uma dosagem da glicose, antes do inicio da atividade física.

Apesar da necessidade, em alguns casos, desses cuidados, o exercício físico deve ser estimulado a ser realizado, idealmente todos os dias.

Alem disso, ele tem várias outras ações benéficas. Diminui as gorduras sanguíneas, a pressão arterial e ajuda a combater o excesso de peso.

Qual o tipo de exercício deve fazer o diabético?

O da sua preferência, os indicados para sua idade e condições clinicas.

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