Hormônio do Crescimento: usos e abusos


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

O hormônio do crescimento referido na literatura médica como GH (do inglês Growth Hormone) tem papel importante não só no crescimento estatural como também no nosso metabolismo. Ele é produzido pela hipófise e é secretado em picos durante o dia e, principalmente, durante o sono. A sabedoria popular tem razão quando diz que criança que não dorme não cresce. A maioria de suas ações é feita de maneira indireta, através de outro hormônio , o IGF1.
 
O hormônio estimula o fígado a produzir essa substância, que vai agir nos tecidos realizando as ações metabólicas, aumentar a massa muscular e óssea e diminuir a gordura corporal. Uma em cada cerca de 5 mil crianças nasce com deficiência do hormônio do crescimento. Caso não seja diagnosticada precocemente e adequadamente tratada, será um adulto com estatura muito baixa, inferior a 140 cm.
 
O sintoma principal de quem apresenta essa deficiência é, obviamente, o déficit do desenvolvimento da estatura. É importante ressaltar que, a grande maioria das crianças que apresenta estatura não adequada para sua idade, não é portadora do déficit do GH.
 
Existem dezenas de causas capazes de fazer que isso aconteça. Doenças crônicas (asma, diarréia, insuficiência renal, diabetes descontrolado, etc.), uso de drogas (corticóides, etc.), déficit de outros hormônios(tireóide adrenal).
 
Uma causa extremamente freqüente é a desnutrição, seja por carência econômica ou porque a criança recusa alimentar-se de maneira adequada. Porém, provavelmente, a causa mais prevalente, seja genética. Pais baixos com mais de 90% de possibilidade terão filhos baixos. Esclareça-se que a estatura de uma criança depende principalmente da altura dos pais. Assim o fato de ter outros parentes altos, raramente ajuda. O diagnóstico da déficit estatural, deve ser feito pelo médico, pediatra ou endocrinologista. Uma vez confirmada a deficiência, a terapêutica com GH está indicada.
 
Além de ter que ser injetável diariamente, o uso do hormônio do crescimento tem um outro grande inconveniente, o custo. Cerca de 2 a 3 mil reais mensalmente. Considera-se boa resposta um aumento de 0,5 cm mensal. A duração do tratamento é prolongada, vários anos, desde o diagnóstico até a soldadura das cartilagens na adolescência. A maioria das famílias não tem recurso para tal.

O SUS, de maneira, infelizmente, irregular, fornece a medicação para alguns pacientes. O GH, pela suas ações metabólicas, deve ser também usado nos raros casos em que o déficit surgiu depois do paciente ter crescido. Apesar de não existir uma deficiência na secreção desse hormônio, ele melhora a estatura final dos casos de insuficiência renal infantil e em algumas crianças que nasceram com tamanho reduzido. Duas doenças genéticas raras, Turner e Prader-Willy, o GH também está indicado para melhorar a altura destes pacientes . Estas são as principais indicações que têm o seu uso aprovado.

No entanto, ele vem sendo usado, e cada vez mais, sem comprovação cientifica, em outras condições. Uma delas, como agente anti-envelhecimento. Na terceira idade, existe uma diminuição do número de picos e das amplitudes da secreção do GH. Também esta idade é acompanhada por uma diminuição das massas magra e óssea, e aumento da gordura corporal, condições estas que também ocorrem quando existe déficit da secreção do GH.
 
A administração do hormônios retardaria o envelhecimento? Não há comprovação científica de que isto ocorra. Por outro lado, existe a possibilidade de malefícios, alguns graves: surgimento ou agravamento de câncer, diabetes mellitus, doença cardíaca, doença articular, etc. Também, alguns atletas usam GH para aumentar a sua massa muscular e, consequentemente, suas performances. Além da possibilidade de efeitos colaterais, esta conduta é considerada pela medicina esportiva como "dopping".
 

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