O Câncer Será o Líder a Partir de 2010


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

Segundo as Nações Unidas, o câncer, pela primeira vez, será a maior causa de morte a partir de 2010. Ao contrário do que vinha ocorrendo há vários anos, quando as malignidades eram ultrapassadas pelas doenças cardiovasculares e as infecciosas nas estatísticas de mortalidades.

Em 2008, 12 milhões de novos casos e 7 milhões de mortes por câncer. Em 2030, a menos que progressos substanciais sejam realizados, serão 27 milhões de casos novos e 17 milhões morrerão. As causas para que isso aconteça são várias. Cada vez existem mais idosos na população mundial. Uma outra muito importante, é o aumento do número de fumantes na China e na Índia. Nestes dois países, já se encontram cerca de 40% de viciados em fumo no mundo.

Elevação muito importante no número de casos ocorre também na África. Lá, o câncer já mata muito mais do que a Aids, a Tuberculose e a Malária, juntos. A adoção de costumes ocidentais pelos seus habitantes, tabagismo, dieta pobre em fibras, álcool, sedentarismo, etc são imputados como uma das causas. A falta de assistência médica adequada também, certamente, contribui.

Afinal, o câncer responsável pela maior mortalidade naquele continente é o de colo de útero, doença sabidamente controlável por ações médicas. As infecções crônicas endêmicas como a Aids, a Hepatite C e Papilovirus respondem pelo aumento dos casos sarcoma de Kaposi, câncer de fígado e o de colo de útero.

Nos países desenvolvidos, os tumores mais prevalentes são os de mama e os de próstata. No entanto, o maior matador é, sem dúvida, o de pulmão. Desde 1973 até os dias atuais, houve aumento de 10% de câncer de pulmão entre os homens. Porém, entre as mulheres a elevação foi de 127%. Tradução: grande aumento do tabagismo entre elas.

Como não poderia deixar de ser, o tumor pulmonar é uma grande preocupação. Na procura de um fator de natureza genética, já se evidenciou que, quem tem uma mutação do gene P53, tem muito maior probabilidade de desenvolver a doença. É importante ressaltar que, em mais de 50% dos casos, o diagnóstico é feito após um ano ou mais da suspensão do tabagismo.

Ou seja, a ação carcinogênica do cigarro permanece anos depois da supressão do vício. O cigarro também aumenta vários outros tipos de câncer: boca, faringe, pâncreas, mama e bexiga, entre outros. Além disso, como sabemos, o cigarro é um dos fatores mais importantes para surgimento precoce das doenças cardiovasculares. Com tantos malefícios que causa à saúde da humanidade, é muito difícil entender por que o tabagismo ainda não foi banido .

Documento Firmado

A única força que a isso se opõe é a poderosa indústria do fumo. Só em 2005, a Organização Mundial da Saúde conseguiu um documento firmado por 145 países. Neste documento, essas nações se comprometeram a realizar uma série de medidas, visando a redução do tabagismo. Aumento dos impostos, proibição do fumo em recintos públicos e venda do produto a menores, foram algumas delas.

Infelizmente, nem isso vem sendo cumprido, por vários países, inclusive por alguns ditos desenvolvidos. Sabemos também que, além de não fumarmos, adoção de alguns comportamentos parecem diminuir a probabilidade da doença surgir. Menor consumo de gordura e álcool, maior consumo de fibras vegetais, amamentar os filhos por mais de 1 ano, ter mais de uma gestação, menor exposição aos raios ultravioleta etc.

No entanto, na situação atual, a medida mais importante para diminuir a chance de morrermos pela doença é fazer o seu diagnóstico precocemente. O exame ginecológico periódico, a mamografia, a avaliação urológica, colonoscopia etc. fazem parte dessa estratégia.

A grande esperança é a de que a ciência possa desenvolver, brevemente, uma vacina para, pelo menos, algumas formas de câncer.

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