Os Remédios Mais Vendidos no Mundo


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

Desde há muitos anos, as doenças cardiovasculares, causadas pela arteriosclerose, têm sido principal causa de morte na maioria dos países. Como seria de se esperar, a medicina tem procurado descobrir quais os fatores que predispõem ao aparecimento e a gravidade, para tratá-los. Dessa maneira, poderia se evitar ou, pelo menos, retardar o seu surgimento e evolução. É de conhecimento, hoje universal, que o fumo, a hipertensão arterial, o estresse, o diabetes, a vida sedentária, a obesidade e níveis elevados do colesterol sanguíneo são causas predispostas.

O colesterol é uma gordura que tem importantes ações no nosso organismo, é componente da membrana de nossas células e matéria-prima para síntese dos hormônios e vitaminas, entre outros. No entanto, há muito se suspeitava que os níveis de colesterol sanguíneo elevados favoreciam o surgimento e a evolução da arteriosclerose.

Desde os anos 1800, médicos já levantavam essa probabilidade. Porém, só na década de 60 do século passado, as Sociedades Médicas oficializaram a importância de reduzir os níveis daquela gordura. Desde então, existe a recomendação de diminuir os níveis de colesterol sanguíneo quando elevados.

Inicialmente, tentou-se apenas pela dietoterapia. Porém, verificou-se que os resultados com esse tipo de tratamento eram modestos. Por melhor que fosse a disciplina do paciente, a redução quase nunca ultrapassava de 10 a 15% menos do que os níveis iniciais. Esta redução era insuficiente para os casos de colesterol muito elevado.

A procura de um medicamento capaz de diminuir os níveis foi iniciada. Centenas de drogas foram estudadas, mas nenhuma apresentava perfis de segurança e eficiência adequados. Uma delas, o clofibrate, foi retirada do mercado por favorecer o surgimento de câncer do sistema digestivo. A colesterolamina, que ainda é comercializada, tem eficiência, mas causa desagradáveis efeitos colaterais.

A grande evolução terapêutica da hipercolesterolemia foi, sem dúvida, a descoberta japonesa das estatinas, em 1976. Akiro Endo e colaboradores, depois de pesquisarem centenas de fungos, descobriram um, o Pencillium citrinum, que mostrou ser capaz de bloquear a síntese do colesterol intracelular. Assim, as células ficam com sua quantidade de colesterol diminuída e, para refazê-la, captam colesterol que circula no sangue. Como resultado, o colesterol sanguíneo diminui.

Depois da descoberta de Akiro, a indústria farmacêutica desenvolveu vários outros tipos de estatinas. Hoje, dispomos de várias: lovastatina, sinvastatina, atorvastatina e rosuvastatina são algumas delas. Uma grande quantidade de pesquisa científica tem demonstrado a eficiência das mesmas. Existe uma diminuição de 20 a 30% dos infartos, dos acidentes vasculares e mortalidade dos portadores de hipercolesterolemias com elas tratados.

Além disso, descobriu-se outras ações antiarteriosclerose dessas drogas. Diminuição da produção de outras substâncias que tornavam a placa arteriosclerótica mais frágil. Reduzem, assim, a probabilidade da rutura da placa, que hoje é reconhecida como a causa principal dos acidentes agudos, como o infarto do miocárdio.

Com essas ações benéficas e com poucos e não muito frequentes efeitos colaterais, elas se tornaram o maior sucesso da indústria farmacêutica de todos os tempos. Somente uma dessas drogas vendeu, em um ano, quase 12 bilhões de dólares. Porém, a grande questão permanece sem resposta. Por que não beneficiam todos os pacientes?

Baixar mais ainda os níveis de colesterol? 

Iniciar o tratamento mais cedo, na infância?? 

Tratar melhor os fatores de risco conhecidos?? 

Descobrir outros fatores ainda desconhecidos?? 

A ciência nos dirá no futuro.

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