A Gripe e a sua Vacina


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

A infecção causada pelo vírus Influenza, a gripe, ainda é um grande problema de saúde pública em todo o mundo. Nos anos em que a epidemia acomete um maior número de pessoas entre 60 a 90 crianças, em cada 100, é acometida pela virose.

O número de hospitalizações nos Estados Unidos, por conta da doença, é de cerca de 400 mil por ano.

Os gastos dispendidos naquele país, para o tratamento da infecção, são em torno de U$ 10 bilhões, e as repercussões econômicas, causadas principalmente pela ausência ao trabalho, atingem cerca de 87 bilhões de dólares/ano.

Como este tipo de infecção é quase sempre mais grave nos idosos, cerca de dois terços das hospitalizações são desse grupo etário. A vacinação foi, inicialmente, apenas recomendada para eles. A população vacinada deste grupo aumentou substancialmente entre 1989 e 1997, no entanto a diminuição das repercussões negativas que a doença causa a saúde publica foi insatisfatória.

Era preciso modificar a estratégia. Por conta disso, outros grupos de indivíduos tiveram recomendação de serem vacinados. Pessoas com doença crônica (ex:diabetes), debilitante (ex: câncer), trabalhadores da área de saúde etc. O número de grupos em que a vacinação foi indicada foi aumentando. Hoje o comitê de vacinação americano recomenda que este procedimento seja realizado, anualmente, nos idosos, em todas as crianças e jovens de 6 meses a 18 anos de idade, nos portadores da doenças crônicas e nos trabalhadores da área de saúde, escolas, creches e abrigos.

Existem, no entanto, críticas à vacina. A principal delas é a sua menor eficiência e duração comparada com outros procedimentos vacinais. Inclusive a sua eficiência é menor, principalmente, no grupo etário onde se desejaria a maior eficácia, ou seja, nos idosos.

Uma das explicações porque isto ocorre é que em alguns indivíduos de maior idade, o seu sistema imune estaria deficiente e não respondendo aos estímulos, produzido pela vacina. A sua eficiência entre as crianças e adultos é variável. Em alguns anos, tornam imune entre 70 e 90% dos vacinados. Em outros anos, infelizmente, não atinge sequer 50%. A razão disso são as características do agente infeccioso.

Existem dois grupos de vírus - Influenza: A e B - e cada um desses grupos com vários tipos que, inclusive, tem grande facilidade de se modificar (mutantes).

A vacinação é feita em fevereiro e março de cada ano. Usando-se os vírus responsáveis pela epidemia do ano anterior no Hemisfério Norte. Caso um novo tipo diferente surja no Hemisfério Sul esta vacina terá a sua eficiência comprometida.

Apesar de todas estas limitações, atualmente, a tendência é de se universalizar o seu uso, ou seja, vacinar todos os habitantes.

É importante ressaltar que o indivíduo imunizado não só se protege, mas a toda a sua comunidade, evitando a propagação da virose. A indústria farmacêutica já produz quantidade suficiente, seu preço não é obstáculo, e,quase nunca, causa efeitos colaterais. Assim, salvo algumas raras contra-indicações, todos devem se vacinar. Há probabilidades de ganhos e nenhuma perda.

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