Quer Engordar, Ficar Hipertenso e Ter Diabetes? Beba Refrigerante Dietético


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

Esta conclusão foi resultado de uma pesquisa recente, realizada por um departamento de saúde americano (Nacional Heart Lung and Blood Institute). O trabalho tem a abreviatura de MESA (Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis) e avaliou os fatores que contribuem para o surgimento das duas condições que mais predispõem para a arteriosclerose: Síndrome Metabólica e o Diabetes Mellitus, entre americanos de diversas etnias.

São considerados portadores da Síndrome, aqueles indivíduos que apresentem três ou mais das seguintes alterações: aumento da circunferência abdominal, elevação na pressão arterial, glicose de jejum alterada, aumento do triglicerídeos e diminuição do bom colesterol (HDL). Diabéticos são aqueles em que a glicose sanguínea em jejum seja igual ou superior a 126 mg/dl. Dentre as diversas condições analisadas, o consumo de refrigerante adoçado com adoçantes artificiais foi uma delas.

Os indivíduos foram divididos em dois grupos:

  1. Os usuários que ingeriam a bebida pelo menos uma vez por dia.

  2. Os que consumiam menos ou nada.

O grupo 1, o de usuários, mostrou um aumento de 36% da Síndrome Metabólica em relação ao que não usava. Quanto ao diabetes, os resultados foram muito mais dramáticos, 67% a mais, para turma do refrigerante. Apesar da grande surpresa que essa pesquisa causou, investigações médicas anteriores já apontavam nessa direção.

Uma pesquisa realizada, anos atrás, pelo mesma instituição americana (Heart Lung And Blood Institute), também avaliou quais os fatores que favoreciam o surgimento da arteriosclerose. Este trabalho científico, denominado de ARIC (Atherosclerosis Risk in Communities), também sugeriu que o uso do refrigerante dietético aumentaria o risco de aumento de peso e do diabetes.

Uma outra pesquisa, mais recente, realizada com roedores, constatou que os animais que tinham adoçantes na sua dieta aumentaram mais de peso do que os que usavam açúcar. . .

Os alimentos dietéticos, introduzidos algumas décadas atrás, são cada vez mais consumidos. O faturamento desse tipo de alimentos é de bilhões de dólares anuais. No entanto, a frequência das condições de obesidade, hipertensão arterial e diabetes, que se esperava que diminuísse com a introdução desde tipo de alimentação, não diminuiu. Muito ao contrário: são cada vez mais frequentes e graves.

Como explicar que alimentos com menor valor calórico (os refrigerantes têm zero) e sem açúcar não fossem trazer o benefício de evitar ou diminuir o surgimento de condições que se acredita decorram de ingesta calórica exagerada e ou do uso de açúcar?

Como e por que razão isso não ocorreu? Ação deletéria direta dos refrigerantes por mecanismos ainda não conhecidos? Uma compensação involuntária da ingesta calórica, ou seja, o organismo exigiria uma compensação calórica "vantajosa" à tentativa de redução de calorias pelo consumo desse tipo de refrigerantes?

Por uma compensação voluntária? Quem usa esse tipo de refrigerantes se sente mais liberado para se alimentar de acordo com as suas preferências. Que tal uma pizza com refrigerante dietético?

O resultados observados no MESA necessitam ser confirmados por outras investigações. Existem várias críticas na sua metodologia. Entre elas, o fato de não terem sido analisados a dieta e os hábitos de vida dos participantes. Fatores sabidamente importantes nesses tipos de pesquisas.

Enquanto isso não acontece, parece não ser recomendável tentar evitar a obesidade, a hipertensão e o diabetes apenas com o uso de refrigerantes dietéticos. As únicas medidas comprovadas são a dieta orientada e a prática do exercícios físicos regulares.

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