Acredite se quiser: os gordos cardíacos evoluem melhor do que os de peso normal, também cardiopatas


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

É do conhecimento público, desde há muito, dos maléficos que a obesidade acarreta praticamente sobre todas as doenças. As doenças do coração são talvez, as que mais influências negativas recebam do excesso de peso.

Praticamente todos os fatores de risco, para cardiopatia, são mais frequentemente existentes nos que têm uma quantidade de gordura excessiva.

Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus, elevação das gorduras sanguíneas, sedentariedade, etc, são muito mais freqüentes na população mais pesada.

Por conta disso, de maneira inquestionável as doenças cardiovasculares são freqüentes, mais precoces e graves naqueles que apresentam excesso de peso.

A novidade é que uma pesquisa realizada por um cientista americano, Carl J. Lavie, que sugere quando as doenças cardiovasculares já existem, e se os doentes forem adequadamente tratados, os que têm excesso ponderal têm uma melhor evolução dos que têm peso normal. Essa afirmação foi publicada, no mês  passado, na revista oficial da Sociedade Americana de Cardiologia.

Como explicar tão paradoxal achado? Por um lado, o excesso de peso predispõe as doenças cardiovasculares, insuficiência cardíaca e coronariopatia. Por outro lado, quando já instaladas, essas doenças nos mais pesados teriam uma evolução melhor.

Nas suas tentativas de justificar isto, o autor levanta a possibilidade que se os obesos não tivessem engordado não teriam a doença.

Nos normais, por outro lado, outros mecanismos mais graves de natureza genética, mais graves do que o excesso de peso, seriam os responsáveis pela patologia.

Para corroborar essa tese, ele demonstra que quando os portadores de peso emagrecem evoluem ainda melhor dos que aqueles que permanecem gordos. Ele também sugere, como explicação, argumentos de natureza metabólica, como por exemplo, menores níveis de um hormônio chamado renina nos casos de hipertensão arterial nos obesos do que naqueles de peso normal.

Uma outra possibilidade seria que células gordurosas, produtoras de tantas substâncias maléficas à saúde, também produzissem alguma benéfica, ainda desconhecida.

Cita também que o excesso de peso também tem melhor prognóstico para portadores de outras patologias como o Aids e o Câncer. No entanto, nunca é demais enfatizar que a sua pesquisa refere-se apenas ao prognóstico dos doentes quando o problema já está instalado.

Evitar o excesso de peso, através de cuidados dietéticos e atividade física regular constituem, ainda, a mais importante maneira de evitar o surgimento das doenças cardiovasculares.

Medidas estas que, infelizmente, as políticas de saúde, em praticamente todos os países do mundo, têm falhado.

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