Você vai ter a doença Alzheimer?


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

A doença já é a sétima causa de morte nos Estados Unidos. E o que mais preocupa é que a sua incidência continua aumentando, e muito.

Vem dobrando a cada 5 anos, sem que a ciência descubra alguma medida que seja capaz de, pelo menos, estacionar este crescimento. Cada indivíduo tem cerca de 15% de probabilidade, em uma fase da vida, de apresentar os sintomas da enfermidade Alzheimer. Caso você consiga se tornar um octagenário, a sua chance de ser portador da doença irá variar entre 30% a 50%.

Nós sabemos quais os fatores que predispõem o aparecimento mais precoce da outra forma da demência, a Arteriosclerose Cerebral. Idade avançada, Hipertensão Arterial, fumo, Diabetes Mellitus, elevação das gorduras sanguíneas, estão entre eles. Quanto às condições que contribuem para o surgimento da doença de Alzheimer, o nosso conhecimento é bem menor.

Os idosos, as mulheres, os indivíduos com menor nível de educação, e os que têm parentes portadores da patologia, têm mais chance de adquirir o problema. A doença afeta inicialmente a memória, evolui para mudança da personalidade e, finalmente, para a completa dependência física. O início dos sintomas é variável, podendo começar até antes do início da terceira idade ou, só após os oitenta anos. A rapidez de sua evolução também varia, de lenta até extremamente rápida.

O diagnóstico é feito pela história clínica, quando se interroga do surgimento dos déficits e as velocidades de suas evoluções, bem como os exames clínico e neurológico. Dependendo do estágio da doença, testes psicológicos cognitivos são de grande ajuda.

Não existe nenhum exame laboratorial, inclusive os de imagem, que seja específico para se firmar o diagnóstico da doença. No entanto, antes de se rotular um paciente de Alzheimer, a também chamada demência primária, tem que se afastar as muitas outras condições capazes de acarretar, secundariamente, um estado demencial. São muitas as condições que podem simular os seus sintomas: doenças da tireóide, outras doenças neurológicas (Parkinson, Hidrocefalia, etc.), Aids, infecções, deficiência da Vitamina B12, etc.

Uma vez diagnosticada a Doença de Alzheimer, os recursos terapêuticos específicos são: os inibidores da acetilcolinesterase, cujas eficácias, infelizmente, deixam muito a desejar. A melhora que proporcionam é discreta e o máximo que, geralmente, se consegue é retardar, um pouco, a sua evolução. Por ser mais freqüente entre as famílias aonde exista um portador, a doença tem um componente genético. Já há anos se descobriu a existência mais freqüente de um determinado gene em cerca de 50% dos doentes da Alzheimer.

São subtipos do gene da apoproteína E (APOE). A apoproteína E é uma substância que faz parte do metabolismo dos lipídios sanguíneos. Existem os subtipos APOE: E2, E3 e E4. Caso a pessoa tenha o par de genes tipo E2. a chance de ter a doença é muito menor do que a população em geral. No entanto, quando dois genes APOE forem do tipo E4, a possibilidade de surgir o Alzheimer é 15 vezes maior . Será que seria vantajoso fazer o estudo desses genes nessa população?

Muito provavelmente, não.

Afinal, 50% dos portadores dessa doença não apresentam estes genes. Por outro lado, até hoje não se conhece nenhuma maneira de prevenir o seu surgimento.

Quantas restrições os seus portadores iriam sofrer por parte das empresas e das companhias de seguro saúde?

Qual seria a reação de uma pessoa, ao saber ser portador do gene ameaçador?

Iria aproveitar o que lhe restasse de vida, gastando tudo o que ganhasse?

Ou seria extremamente econômico, visando os gastos que teria com a doença?

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