Médicos estão aconselhando novos parâmetros clínicos e metabólicos


Dr. Reginaldo Albuquerque
Professor da UnB (1967-1981)
Superintendente de Ciências da Saúde CnPq (1982-1991)
Editor do site da Sociedade Brasileira de Diabetes (2005-2011)
Ex-Consultor em Educação da UnaSus/Fiocruz

Nos últimos anos a comunidade médica tem sido surpreendida pela determinação de novos valores clínicos ou laboratoriais para alguns dos parâmetros biológicos. As mudanças quase sempre são anunciadas pelas organizações de saúde internacionais ou sociedades científicas, por ocasião dos seus grandes congressos nacionais ou mundiais. Na maioria das vezes, estas mudanças são sempre para valores mais baixos, mais estritos que exigem mudanças de comportamento de vida e/ou as inclusões de novos medicamentos.

Não é incomum no âmbito dos consultórios ouvirmos expressões como “assim não dá, eu estava quase conseguindo, não vou alcançar nunca, etc”. . é preciso deixar bem claro que estas mudanças dizem respeito às medidas preventivas e são o reflexo de estudos epidemiológicos em grandes grupos populacionais, que foram observados durante muitos anos. 
O alerta principal decorre do avanço da síndrome metabólica – que atinge 25 a 35 % das populações - e é caracterizada por alterações nos níveis de colesterol, triglicérides, glicose, pressão sanguínea e hemoglobina glicada, somadas a um aumento da cintura abdominal.

Conheça abaixo algumas das mudanças realizadas recentemente.

Pressão sanguínea
A medicina tem uma dívida irresgatável com a população da pequena cidade americana de Framingham, que há de mais de 40 anos vem sendo seguida e estudada com relação aos fatores de riscos, que provocam as doenças cardiovasculares. A pressão de 140 x 90 já não satisfaz aos médicos e os novos valores de pressão arterial a serem alcançados baixaram para 130 x 80, porque ficou demonstrado que as pessoas com estes valores apresentam menores riscos de acidentes vasculares, menos infartos e menos acidentes vasculares cerebrais.

Cintura abdominal e síndrome metabólica
Outra mudança que vimos recentemente foi a alteração da definição de “Síndrome Metabólica”, que reduziu os valores ideais das cinturas dos homens e mulheres que passaram a ser 94 e 80 cm respectivamente, exigindo maiores cuidados alimentares e atividade física. Os valores de colesterol total também já tinham sofrido modificações e os médicos e os laboratórios passaram a trabalhar com valores abaixo de 170 mg/dL para todos as pessoas com antecedentes de doenças cardiovasculares. A presença de diabetes também passou a ser considerada equivalente à existência de doença cardiovascular.

Colesterol e lipídeos
Há alguns anos a taxa de colesterol máxima recomendável no sangue diminuiu de 260 para 200. Atualmente, porém, o colesterol total vem perdendo importância na análise geral do risco do paciente. Hoje se observa com mais atenção os níveis do bom e do mau colesterol isoladamente. Ainda não há consenso sobre a quantidade ideal de cada um. Tampouco sobre o que teria maior impacto para melhorar a saúde: aumentar o bom ou diminuir o ruim.

Hemoglobina glicada
No começo de outubro uma nova surpresa. Reunidos em Atenas, os cientistas e epidemiologistas da Federação Internacional de Diabetes, decidiram mudar as metas para hemoglobina glicada, trocando o seu antigo valor de 7 % para 6.5 % e não sem protestos.
O Dr. Eugene Hughes, presidente do Primary Care Diabetes Group indagou: “será esta meta factível?” e completou “é um padrão desencorajador que os médicos tentarão convencer os seus pacientes a atingi-la”. é claro que quanto mais rígidas forem as recomendações, menor será o percentual de pacientes que conseguirá atingi-las. A Associação Americana de Diabetes, a mais prestigiosa entidade médica do mundo prefere, no entanto continuar com o valor de 7% para a hemoglobina glicada.

Glicemia de jejum
Desde o inicio de 2005 as associações de diabetes estão utilizando valores de glicose abaixo de 100 mg/dl. Glicemias de jejum entre 100 e 126 mg/dl são consideradas suspeitas e os seus portadores devem realizar teste de tolerância com 75 g de glicose. O valor máximo a ser atingido 2 horas após a ingestão do açúcar é de 200 mg/dL.


Atividade física
De acordo com as recomendações do Colégio Americano de Medicina, da Associação Americana do Coração e outros órgão oficiais de saúde, todos devem fazer no mínimo 30 minutos diários de atividade física moderada (como caminhada), para sair da lista de sedentários. Isso não garante um emagrecimento eficaz nem uma forma física invejável, mas é o básico para a pessoa ser minimamente ativa. 

A pergunta que tem sido feito é se vale à pena manter metas tão estritas que seriam difíceis de serem atingidas pelos pacientes? As novas diretrizes da Federação Internacional de Diabetes (IDF) sugere várias abordagens para atingir as novas metas e que incluem: educação dos pacientes, uso de medicamentos orais e insulina, métodos efetivos de baixo custo para a identificação precoce de problemas oculares, renais e de pés em pacientes diabéticos.

 

Dr. Reginaldo Albuquerque
Médico Endocrinologista. Editor do site da SBD. Research Fellow da Universidade de Londres (1975-1979). Ex-professor de endocrinologia da Universidade Brasilia (1967-1982). Ex-superintendente de Ciências da Saúde do CnPq (1982-1990).

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