Síndrome Metabólica: as cinco maiores organizações interessadas na sua definição (exceto a ADA), chegam a um acordo.


Dr. Reginaldo Albuquerque
Professor da UnB (1967-1981)
Superintendente de Ciências da Saúde CnPq (1982-1991)
Editor do site da Sociedade Brasileira de Diabetes (2005-2011)
Ex-Consultor em Educação da UnaSus/Fiocruz

IDF (Federação Internacional de Diabetes), o NHLBI (Instituto do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos), a AHA (Associação Americana do Coração), a WHF (Federação Mundial do Coração), a IAS (Sociedade Internacional de Arteriosclerose) e a IASO (Associação dos Estudos de Obesidade) acabaram de liberar uma declaração de consenso sobre o assunto.

Esta declaração representa um passo gigantesco para uma  definição unificada desta síndrome. O consenso, recém -liberado, declara  que o indivíduo necessita ter, pelo menos, três dos cinco critérios clínicos definidos como componentes da síndrome metabólica.  Não é obrigatória a presença de qualquer um destes critérios.

Os pontos de corte de cada um dos critérios foram bem definidos, exceto para os valores da circunferência abdominal, que deve ser avaliado por cada país respeitando a sua etnia, nacionalidade e regionalização.O documento final foi publicado na edição do Circulation 2009;120;1640-1645 e divulgado inicialmente online em 5 de Outubro deste ano.

(veja o link abaixo)

O papel da resistência à insulina como um fator capaz de explicar todos os aspectos clínicos,permanece ainda obscuro, tanto do ponto de vista da patogênese, como para um critério diagnóstico.  O principal fator causal continua sendo as mudanças de estilo de vida, principalmente a falta de exercícios e a obesidade.

No aspecto de saúde pública, as organizações pedem um maior esforço dos países na diminuição da obesidade e num aumento da atividade física dos seus habitantes.  Do ponto de vista individual, os pacientes com síndrome metabólica necessitam ser identificados de forma que os seus múltiplos fatores de risco sejam devidamente tratados.  A síndrome metabólica não é um fator de risco absoluto porque ela não contempla vários fatores de risco já conhecidos, como: idade, sexo, fumo e os níveis de LDL-colesterol.

É preciso lembrar que os indivíduos com síndrome metabólica têm duas vezes mais risco de desenvolverem doença cardiovascular e cinco vezes mais a chances de se tornarem diabéticos do tipo 2. Os fatores metabólicos mais conhecidos são:

  • Dislipidemia aterogênica : elevação de triglicerídios, de apolipoproteína B, aumento de partículas de lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e diminuição  de partículas de alta densidade (HDL);
  • Pressão arterial elevada; e
  • Glicemia elevada.

Placas de Colesterol

  
As pessoas com esta tríade geralmente apresentam um estado pró-trombótico e pró-inflamatório.  A maioria das pessoas com síndrome metabólica têm obesidade abdominal e resistência à insulina. Estas condições parecem contribuir para o desenvolvimento dos fatores de risco metabólico, embora os mecanismos envolvendo as suas participações ainda não sejam totalmente compreendidas.

Critérios para a definição de Síndrome Metabólica:

Medidas    Valores de corte
Aumento da circunferência abdominal    Definições específicas da população e do país
Aumento dos triglicerídeos
(tratamento medicamentoso para hipertrigliceridemia é um indicador alternativo)
   >150 mg/dL
Nível reduzido de colesterol HDL
(tratamento medicamentoso para colesterol HDL baixo é um indicador alternativo)
 

 <40 mg/dL para homens e
 <50 mg/dL para mulheres

Aumento da pressão arterial sistêmica
(tratamento medicamentoso para hipertensão arterial é um indicador alternativo)
   Sistólica: >130 mm Hg
 Diastólica: >85 mm Hg
Aumento da glicemia
(tratamento medicamentoso para hiperglicemia é um indicador alternativo)
   >100 mg/dL
     

Como mencionado acima, a presença de três destes critérios fazem o diagnóstico de SM.

O consenso, na íntegra, pode ser lido no link aqui.

 

Dr. Reginaldo Albuquerque
Médico Endocrinologista. Editor do site da SBD. Research Fellow da Universidade de Londres (1975-1979). Ex-professor de endocrinologia da Universidade Brasilia (1967-1982). Ex-superintendente de Ciências da Saúde do CnPq (1982-1990).

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