Terapias Regenerativas e Preservação das Células Beta: Uma Promissora Linha no Tratamento do Diabetes Tipo 1


Dr. Reginaldo Albuquerque
Professor da UnB (1967-1981)
Superintendente de Ciências da Saúde CnPq (1982-1991)
Editor do site da Sociedade Brasileira de Diabetes (2005-2011)
Ex-Consultor em Educação da UnaSus/Fiocruz

Esta linha de pesquisa vem ganhando muita importância e vários estudos clínicos estão sendo feitos em todo o mundo. Aqui no Brasil, um dos principais centros que as estudam é o coordenado pelo Dr. Edgard Niclewiz, que há mais de 15 anos já tinha demonstrado que a ciclosporina podia reverter o quadro de agressão sobre as células betas de pacientes recém-diagnosticados com diabetes do tipo 1.

Este diálogo Mauro Scharf x Eduardo Couri, que reproduzimos com exclusividade para a coluna "Diabetes Hoje", mostra a atual situação destas linhas de investigação. Convidamos a todos a participarem e contribuírem para o debate sobre o assunto. 

O que diz Mauro Scharf - Endocrinologista Pediátrico, em Curitiba, e participante do próximo Simpósio da SBD, em Curitiba. Consultor do Laboratório DASA

Existem alguns estudos que estou acompanhando à distância e que tenho profundo interesse. Caso você veja algo, please update me... 

São eles:

MMF/DZB - Type 1 diabetes TrialNet. 
Rituximab - TrialNet . É um monoclonal CD20, que promete diminuir a apoptose da célula B, por intervir no mecanismo inflamatório final da apoptose.

Abate (Immune Tolerance Network): O AbATE Trial está testando um nova terapia experimental com anticorpos, conhecida como hOKT3Y1 (Ala-Ala) para determinar o quanto de perda de célula beta se pode evitar ao se estabelecer um estado de tolerência imunológica no paciente. 

Il-2 and Rapa (Immune Tolerance Network): Estudos em animais sugerem que a combinação de IL-2 ou interleucina-2 (Proleukin) e Sirolimuss (Rapamune) podem aumentar a regulação imune de células T enquanto promove diminuição da agressividade dos linfócitos denominados "auto-agressivos". 

CTLA-4 Ig (Abatacept) (TrialNet): Abatacept já é aprovado para Artrite reumatóide pelo FDA. O CTLA-4 também regula a função do linfócito T, mas não leva a linfopenia opu perda de sua função. Já está sendo liberado o trial para crianças > 6 anos e promete agir como os outros antecessores na diminuição da apoptose da Célula B.

Grato por qualquer informação.

O que diz Eduardo Couri - Pesquisador do Centro de Terapias Regenerativas do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto

Voltei há cerca de 15 dias de uma reunião de pesquisa na Northwestern University, em Chicago, com pesquisadores de terapias de preservação de células beta. Cada um apresentou os dados de seu grupo e felizmente pude dispender um bom tempo com o Jay Skyler. Ele é o chairman do DiabetesTrialNet. 
Eis o que sei das drogas de seu interesse:

MMF + Daclizumab: é um estudo ainda em follow-up que é talvez o menos atrativo porque envolve imunossupressão crônica do MMF, tomado 2 vezes ao dia. O Daclizumab é EV, aplicado 2 vezes com intervalo de 1 mês. O MMF também é de aquisição muito difícil no Brasil e é muito caro. 

Rituximab (anti-CD20): é um estudo já terminado ainda não publicado em que se acredita que a droga modula a ação pró-inflamatória do linfócito B. O rituximad é infundido semanalmente no primeiro mês e espera-se que o efeito imunomodulador seja persistente. 

O estudo Abate é um estudo conduzido pelo Kevan Herold da UNY em união com a indústria farmacêutica. Ele tem 2 estudos menores previamente publicados com a droga e este Abate é um multicêntrico, randomizado, placebo-controlado (este último com cotrovérsias). Ainda está randomizando pacientes e há centros no Brasil randomizando.

A droga é infundida EV e tem a capacidade de mudar duradouramente a relação de linfócito T reg e citotóxico. Os estudos anteriores mostraram uma redução do peptídeo-C ao longo do tempo (1 ano) e apesar de haver redução da dose de insulina com o tempo, nenhum paciente ficou livre de insulina. 

IL-2 + sirulimus (ou rapamicina): está em fase de recrutamento e o IL-2 é administrado SC 3 vezes por semana no primeiro mês somente. O Sirulimus é administrado VO continuamente. Tem o inconveniente da imunossupressão crônica. O problema deste estudo é que podem ser incluídos pacientes com 3 meses há 4 anos de diagnóstico (todos os demais incluem no máximo até 3 meses de diagnóstico) e não creio que isto seja adequado sem haver algum esquema para "regenerar" células beta. 

Abatacept: é um estudo promissor com aplicações endovenosas mensais (inicialmente a aplicação é mais frequente). Ainda está recrutando pacientes.

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