O conectivismo na educação e na prática médica


Dr. Reginaldo Albuquerque
Professor da UnB (1967-1981)
Superintendente de Ciências da Saúde CnPq (1982-1991)
Editor do site da Sociedade Brasileira de Diabetes (2005-2011)
Ex-Consultor em Educação da UnaSus/Fiocruz

No blog www.educacaoparamilhares.com.br temos abordado o papel dos dispositivos móveis na educação à distância inclusive no impacto que vem causando no professor. Na verdade, as mudanças estão sendo muito vagarosas e mesmo em instituições de ponta a adoção da nova pedagogia digital enfrenta resistências.  Permanece o ensino centrado em textos escritos pelos especialistas do assunto. O conectivismo ainda passa longe e parece que assim continuará por longo tempo.

Na área de saúde é possível que estes dispositivos tenham um futuro melhor e que a sua adoção deva ser mais veloz, sobretudo pelo tamanho do mercado. Para 2020 projeta-se que estejam em uso 20 bilhões de dispositivos móveis.  O mercado em 2015 será de 125 bilhões de dólares e a só as aplicações em mhealth deverá movimentar de 30 a 60 bilhões de dólares.

A mobilidade e o conectivismo estão originando novos conceitos no futuro dos cuidados médicos e certamente estarão revolucionando a forma como a medicina está sendo praticada nos nossos dias. Estes novos conceitos são:

• Os cuidados contínuos de saúde
• O cuidado instantâneo (O cuidado já, aqui e agora)
• O meu cuidado médico – O cuidado personalizado

O CUIDADO CONTÍNUO

Hoje, as interações entre os profissionais de saúde e os seus pacientes, se faz de uma forma intermitente, descontínua. O conectivismo propõe que todas as informações entre os dois  sejam transmitidas e compartilhadas em tempo real. Isto é especialmente relevante nos cuidados com as doenças crônicas  como hipertensão, diabetes, doenças crônicas, asma, COPD e Alzeheimer que são responsáveis nos países em desenvolvimento por 7 em cada 10 mortes e que impactam metade da população adulta nos Estados Unidos.; mais de 20 % da população adulta tem duas a três doenças crônicas.

Um bom exemplo é a redução das admissões hospitalares nas pessoas com diabetes que fazem telemonitoramento a distância. Os dados são transmitidos diretamente para um Centro que imediatamente sugere as mudanças necessárias ao tratamento.

Nesta mesma linha de cuidados estão a aplicação de sensores na pele que continuamente – na base de 24 horas/7 dias - estão transmitindo os sinais vitais para a equipe multiprofissional -  e os  dispositivos ingeríveis que  podem  fornecer informações valiosas sobre o funcionamento de vários órgãos vitais e o uso de medicações.

O CUIDADO INSTANTÂNEO

Dependendo da cidade a marcação de uma consulta médica pode demorar dias ou meses.  A virtualização pode permitir que muitas destas consultas sejam feitas à distância. Vários países já estão fazendo estes tipos de abordagens. Espera-se que a telecirurgia – feita até por enfermeiras – se tornará um procedimento comum nos próximos anos.

A MEDICINA PERSONALIZADA – A MEDICINA DE UM

Os cuidados médicos do futuro serão personalizados e deverá ser customizado para cada individuo. Este tipo de medicina deverá traçar um perfil genético de cada individuo e escolher os procedimentos e as drogas mais adequadas para cada paciente. O gráfico abaixo mostra o impacto que estas tecnologias terão na nossa vida futura.

Os educadores em saúde de hoje deverão estar atentos a estas transformações para o amanhã. Não esquecer que a formação de um profissional médico leva em média 10 anos. Curso + residência + especialização.

(Texto transcrito com a autorização do autor do original publicado em www.educacaoparamilhares.com.br)

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