Por Alberto Dines em 27/12/2010
Publicado originalmente, em versão reduzida, no Diário de S.Paulo, 26/12/2010

Papai Noel não desceu pela chaminé, baixou pela internet. Na lista de presentes que distribuiu neste Natal houve mais eletrônica do que joalheria, mais gadgets do que sedas, mais Steve Jobs do que Dior.

Mais ilusões do que realidades: tudo à nossa volta revela uma absurda premência em matéria de apetrechos e equipamentos, corremos esbaforidos atrás dos últimos lançamentos sem perceber que a obsolescência vem junto, como brinde obrigatório. Cada nova maquineta nas vitrines é mais uma geringonça a caminho do lixo não-orgânico.

Cansamos de ser humanos, esta é a verdade, preferimos ser operadores de sistemas. Apoiados em pequenos manuais de instrução somos inseridos facilmente nas redes do sucesso, ditas "sociais" – fazemos parte, ganhamos um perfil, rosto, visibilidade. Afinal chegamos ao status de expoentes, embora próximos da nulidade.

Repetição infindável

Mais complicada, menos sedutora, é a percepção de...

Para entender o caos

As solicitações dos exames de glicose e de curva glicêmica, bem como a interpretação desses resultados são objeto de controvérsias e desencontros entre médicos, pacientes e laboratórios.

Parte da dificuldade pode ser explicada pelo momento atual, sobretudo pela grande velocidade com que a informação chega às pessoas. Assim, estamos convivendo com diagnostico que utilizam desde formas de solicitações e interpretações de exames dos primórdios da bioquímica, até as últimas mudanças ocorridas em 2005.

Vale a pena lembrar que os primeiros testes de sobrecarga de glicose datam de 1958 e foram padronizados segundo os critérios do bioquímico O, Sullivan.  Nesta época, ainda não tínhamos as diretrizes das grandes organizações mundiais de saúde, nem os consensos das atuais sociedades científicas no mundo inteiro, que trabalham com as chamadas evidências epidemiológicas.

Outra razão da confusão diz respeito aos chamados valores normais, bem como as determinações de glicemias realizadas fora...

O Governo Federal criou, em 2004,  o Programa Farmácia Popular do Brasil (FPB) com o objetivo declarado de ampliar o acesso aos medicamentos para as doenças mais comuns na população, através de uma rede própria de Farmácias Populares e também mediante parcerias com estabelecimentos privados (o programa "Aqui tem Farmácia Popular"). 

Oficialmente, trata-se de uma proposta incluída na Política Nacional de Assistência Farmacêutica, visando ampliar o acesso da população a medicamentos essenciais, com qualidade e garantia de segurança quanto ao seu uso.

Assim, uma lista de quase cem produtos farmacêuticos, todos industrializados, é oferecida na FPB, considerados como essenciais na prática clínica da atenção básica, ou seja, capazes de atender a maioria das doenças que por sua vez atingem a maioria da população.

O ponto mais polêmico do programa é o co-pagamento, ou seja, o fato de o paciente pagar pelo que lhe é fornecido, embora este valor corresponda a uma percentagem...

Dor no ombro, às vezes irradiando para o pescoço, com enrijecimento da musculatura desta região e dificuldade para a movimentação do ombro são os sintomas mais importantes dessa patologia que podendo afetar até 20 em cada 100 pessoas com diabetes. Embora essa doença não seja incomum, ela é ainda muitas vezes não diagnosticada, levando a muito sofrimento e à longa procura de diagnóstico.

As causas da Capsulite Adesiva do Ombro não são bem conhecidas. Ela aparece tanto em pessoas com diabetes do tipo 1, como de tipo 2, mais frequentemente nas mais idosas e com maior tempo de diabetes. Geralmente acomete um ombro, podendo mais raramente comprometer os dois. Outras causas  podem ser responsáveis por essa alteração do ombro, tais como contusão local, cirurgia prévia de ombro e outras doenças crônicas.

O tratamento pode ser feito, inicialmente, com fisioterapia e antiinflamatórios. Se só isso não for suficiente, outros tratamentos mais...

A Associação Americana de Endocrinolgistas Clínicos (AACE) acaba de liberar novas recomendações  que realçam a necessidade de um tratamento personalizado e cuidados abrangentes para as pessoas com diabetes. Até o momento, esta forma de tratamento tem sido negligenciada, segundo os especialistas reunidos do 20th Congresso da Associação em 15 de Abril de 2011.

As novas orientações,destacam não apenas o controle da glicemia, bem como o controle das co-morbidades, tais como: níveis elevados de lípides e da pressão arterial. Nos Estados Unidos apenas  7 a 13% dos pacientes tem valores aceitáveis de glicose, colesterol e pressão arterial. Estes pacientes devem também realizar tratamento com aspirina.

Além disso, as diretrizes apontam  a importância do tratamento da depressão e da apnéia do sono e também modificam os critérios para o diagnóstico do diabetes e  do diabetes gestacional.  A obesidade e as mudanças do estilo de vida são, mais uma vez, incluídos como componentes essencias do tratamento....

A maioria dos especialistas concordam que o tratamento do diabetes do tipo 2 deve ser iniciado com o uso da metformina. Existem exceções quando há insuficiência renal ou reações gastrointestinais severas ao medicamento.  A grande questão é: se necessário qual a segunda droga a ser usada? Esta é uma questão importante, pois sabemos que a monoterapia só funciona quando é necessária uma pequena redução nos valores da A1c. Nos estudos do UKPDS, foi observado que metade dos pacientes em monoterapia perdem o controle em 3 anos e 2/3 requerem um segundo medicamento em 6 anos.

Esta é uma questão importante, pois o gasto com fármacos no tratamento do diabetes, nos Estados Unidos, atingiu no ano passado 12.5 bilhões de dólares. Hoje já existem genéricos que são igualmente efetivos, quando comparados com os produtos de marca ou com as novas drogas de custos elevados. Mas é preciso lembrar que as sulfoniluréias...

As Glitazonas (o avesso do avesso)Há pouco mais de 10 anos, os endocrinologistas brasileiros e seus pacientes passaram a dispor de uma nova classe terapêutica para tratar o Diabetes Mellitus: chegavam ao mercado as Tiazolidinodionas – ou Glitazonas, ou simplesmente TZDs – num novo jargão recém-criado.

Foram desde logo consideradas bastante promissoras, pois atuavam, através de novos mecanismos, na resistência insulínica, área menos favorecida na terapêutica clínica do que os secretagogos. Eram também muito aguardadas pelos especialistas, depois da breve presença da Troglitazona, precocemente finada por causar problemas hepáticos, às vezes sérios.

A Rosiglitazona, e logo após a Pioglitazona, surgiam como drogas de baixa toxicidade, boa eficácia hipoglicemiante, facilidade posológica, e, melhor que tudo, ações benéficas sobre marcadores bioquímicos das doenças macro-vasculares. Seus únicos defeitos eram o preço e a restrição em pacientes com insuficiência cardíaca.

Apesar do custo, essas drogas cresceram significativamente nos mercados internacional e nacional nos anos seguintes. O volume de publicações...

Seguindo a mesma linha de pensamento do meu grande professor, e agora chefe, Dr Amélio, optei por trabalhar, nesta coluna, dois conceitos que vem sendo bastante discutidos recentemente e que talvez possam explicar as diferenças tão marcantes entre a cirurgia bariátrica ( CB )( ou metabólica, como queiram ) e o tratamento clínico:

1)   Será que a velocidade com a qual ocorre a perda de peso é tão ou mais importante do que a própria magnitude da perda de peso?

2)   Será que no fundo a grande diferença entre a CB e o tratamento conservador seja a capacidade de sustentabilidade a longo prazo do peso perdido? 

Magnitude X Velocidade da Perda de Peso

Em tese a quantidade de peso perdido seria a variável mais importante a ser considerada quando avaliamos os resultados metabólicos da CB ou de um tratamento clínico voltado para a obesidade e suas comorbidades. Ou seja, quanto...

Planos de Saúde ou de Doença ?
Dioclécio Campos Júnior.

Saúde não significa apenas a ausência de doença. O conceito é muito mais amplo. Traduz o bem-estar físico, mental e social do indivíduo. Promovê-la não se limita ao mero diagnóstico e tratamento de enfermidades contraídas pelas pessoas. Supõe ações diversas e contínuas que, ademais de evitarem o adoecimento, asseguram a fruição de vida saudável, prazerosa, feliz.

Corresponde ao principal componente em que se baseia o direito de viver, tese cuja evidência cresce na atualidade. De fato, não basta nascer, ter direito à vida. Não é suficiente estar vivo. Nem ser mais um sobrevivente. A dignidade é valor imanente ao ser humano, como afirmou Kant. Para alcançá-lo é necessário poder viver, direito inimaginável sem o pressuposto da saúde plena. 

Como os cidadãos ainda não atentaram para o caráter revolucionário de tal associação conceitual, a realidade sanitária do país deixa a desejar. A doença...

Reprodução de artigos, publicados nos jornais Valor Econômico e Folha de S&atild
Jornal Valor Econômico - 02/06/2008

Células-Tronco e Medicina Regenerativa 
(Por Reinaldo Guimarães - Secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde)

O tema é relevante, logrou mobilizar argumentos e paixões de importantes segmentos da sociedade e, uma vez mais, reiterou o caráter laico do Estado brasileiro.

Com a decisão do Supremo Tribunal Federal, de 29/05, a Lei de Biossegurança prosseguirá tendo vigência integral e os pesquisadores continuarão a trabalhar com células-tronco de todos os tipos, inclusive asembrionárias humanas.

A utilização experimental de células-tronco humanas adultas, embrionárias ou adultas induzidas àtotipotência, é apenas um capítulo de um conjunto maior de tecnologias, denominadas terapias celulares. Essas, por sua vez, são parte de um novo e promissor campo da medicina denominado medicina regenerativa, que ainda engatinha em suas potencialidades. Confirmadas, talvez se possa falar no estabelecimento de um novo paradigma no cuidado à saúde humana.

A modernidade instituiu um paradigma crescentemente intervencionista...

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