Suplementação com vitamina B pode piorar a função renal e aumentar risco cardiovascular em pacientes com nefropatia diabética

Dr. Rodrigo Nunes Lamounier
Médico endocrinologista
Doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)
Professor visitante da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia (Filadélfia, EUA)
Diretor Clínico do Centro de Diabetes de Belo Horizonte (CDBH)
Médico do Hospital Mater Dei
Coordenador do Departamento de Atividade Física da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)

A nefropatia diabética é um dos grandes problemas de saúde pública em todo o mundo, sendo responsável por mais de 44% dos pacientes em diálise nos Estados Unidos. Os custos anuais relacionados à nefropatia diabética nos EEUU são avaliados em US$ 10 bilhões, por ano. Apesar dos esforços em educação e na melhoria do tratamento, estima-se que 40% das pessoas com diabetes vão apresentar nefropatia clinicamente manifesta.

Muitos estudos observacionais têm mostrado a associação entre níveis elevados de homocisteína plasmática e risco de desenvolvimento de nefropatia, retinopatia e doenças vasculares, incluindo infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC)

Estudos têm mostrado que o uso de suplementos com vitamina B diminui os níveis circulantes de homocisteína e melhora a função endotelial.

Com o intuito de avaliar se a reposição de vitamina B (em drágeas únicas, de uso diário, contendo 2,5 mg de ácido fólico, 25 mg de vitamina B6 e 1 mg de vitamina B12), um grupo de pesquisadores da Universidade de Toronto no Canadá, conduziu um estudo clínico randomizado, prospectivos, envolvendo 5 centros de pesquisa no Canadá e 238 pacientes acompanhados por entre maio de 2001 e julho de 2007. A média de acompanhamento foi de 31,9 meses. Para entrar no estudo o participantes deveria ter o diagnóstico confirmado de diabetes tipo 1 ou 2 e uma microalbuminúria de pelo menos 300 mg/24h. Foram excluídos do estudo pacientes com clearance de creatinina menor que 30 ml/min.

Os  resultados mostraram que comparado ao placebo, no grupo de pacientes que usaram a vitamina B, o ritmo de filtração glomerular (ou seja, a função renal) caiu em média 16,5 mL/min/1,73m2, enquanto no grupo tratado com placebo, a queda foi de 10 mL/min, ou seja, 6% menos, um resultado que se mostrou estatisticamente significativo (p=0,02). A necessidade de diálise não foi diferente entre os grupos. O valor de homicisteína plasmática caiu  no grupo tratado com vitamina B e aumentou no grupo tratado com placebo.

Em relação aos eventos cardiovasculares (uma composição de IAM, AVC, revascularização ou mortalidade por qualquer causa), eles foram mais freqüentes no grupo tratado com a vitamina B em relação ao placebo, com uma razão de risco em relação ao placebo de 2,0 (IC 95%: 1,0 – 4,0).

CONCLUSÃO: Vitamina B diminui os níveis de homocisteína sérica, mas neste estudo esteve relacionada a piora da função renal com o tempo e em aumento de risco de eventos cardiovasculares.

Outros estudos já tinham mostrado falha em prevenir doença cardiovascular em pacientes de alto risco com a reposição de vitamina,B, sendo que alguns também mostraram aumento de risco cardiovascular com a reposição.

Assim, os autores concluem que a reposição de vitamina B não deve ser uma estratégia implementada na intenção de se prevenir doença cardiovascular e preservar a função renal em pacientes com nefropatia diabética estágios 1 a 3.

Referência: JAMA 2010;303(16):1603-1609.

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