Combate ao diabetes

Dr. Rodrigo Nunes Lamounier
Médico endocrinologista
Doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)
Professor visitante da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia (Filadélfia, EUA)
Diretor Clínico do Centro de Diabetes de Belo Horizonte (CDBH)
Médico do Hospital Mater Dei
Coordenador do Departamento de Atividade Física da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)

Apesar de já serem notórios os benefícios que os exercícios físicos proporcionam a quem tem o chamado diabetes mellitus, infelizmente, a prática esportiva ainda não é tão popular entre as pessoas que têm a doença. Estudos mostram que esse tipo de prática é capaz de reduzir o risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2 de 35% a 40%. Além disso, o bom condicionamento físico reduz o risco de morte por doença cardiovascular em até 66%, sendo este benefício proporcional à intensidade do exercício ou à capacidade aeróbica do indivíduo. O sedentarismo é um dos principais fatores de risco para doença cardiovascular, assim como para o desenvolvimento da obesidade e do diabetes. Além de exames periódicos, a prática de exercícios regulares, pelo menos uma caminhada diária de 30 minutos, é uma das principais recomendações da Federação Internacional de Diabetes.

Existem dois tipos principais de diabetes, o diabetes tipo 1, também chamado de DM1, e o diabetes tipo 2, chamado de DM2. O DM1 é aquele em que há ausência de produção de insulina pelo pâncreas. Esses casos podem ocorrer em todas as idades, porém, acometem mais frequentemente em jovens. Seu tratamento implica obrigatoriamente uso de insulina. Já o DM2 responde por 95% dos casos da doença e acomete principalmente adultos com mais de 40 anos. Seu tratamento pode implicar uso de insulina ou não. Sua incidência vem crescendo em todo mundo em função de diversos fatores como o envelhecimento populacional e, especialmente, o estilo de vida atual, em que o sedentarismo é grande e a alimentação é comumente inadequada. Esse cenário se caracteriza principalmente nos países ocidentais, como o Brasil e os Estados Unidos, onde as estatísticas mostram que, devido a essa alimentação inadequada e à falta de prática esportiva, a obesidade segue crescendo dia a dia.

No contexto da importância da prática esportiva por pessoas com diabetes, vale lembrar que se engana quem pensa que as pessoas que tem diabetes só podem praticar exercícios de baixo impacto. Se forem devidamente orientadas e acompanhadas, elas podem até mesmo praticar atividades físicas de alto rendimento e apresentar alta competitividade. Atletas profissionais como Washington, jogador de futebol do São Paulo F.C., Adam Morrisson, jogador de basquete da NBA, Steven Redgrave, canoísta, e Gary Hall Junior, nadador, estes dois últimos  medalhistas olímpicos, são apenas alguns exemplos disso. Mas é preciso reiterar que, apesar de ser extremamente importante e necessária, a prática esportiva por pessoas com diabetes requer cuidados específicos. Especialmente mpacientes com DM1, ou ainda naqueles com DM2 em uso de insulina, a prática de esportes pode ocasionar hipoglicemia, que é a queda excessiva da glicose no sangue. Assim, o acompanhamento médico da prática esportiva, de forma a realizar o controle metabólico adequado do paciente, é essencial para a obtenção de resultados positivos com a prática de exercícios. Nesse sentido, vale ressaltar o importante papel que também tem a automonitoração glicêmica, permitindo que o próprio paciente seja o primeiro a fazer a manutenção de sua saúde.

Estima-se em US$ 376 bilhões o custo deste mal crônico para a economia mundial em 2010, o que equivale a 11,6% da despesa com saúde no mundo. A cada 10 segundos, uma pessoa contrai adiabetes no mundo e a doença já é a quarta causa de mortes no planeta. Dados recentes do Ministério da Saúde, de novembro de 2009, mostram que a mortalidade por diabetes está aumentando no Brasil. Esse cenário, somado a todos os benefícios já citados, só reitera a importância da adoção de medidas de incentivo à prática esportiva por pessoas com diabetes. A metade dos pacientes desconhece o diagnóstico de diabetes e dos que estão sabidamente diagnosticados, 20% não fazem qualquer tipo de tratamento. Além disso, a maioria dos pacientes faz um controle glicêmico ruim, o que é observado em 73% das pessoas com DM2 e em 90% das pessoas com DM1. A prática esportiva de forma paralela ao tratamento da doença pode colaborar para a reversão desse quadro.

VOLTAR

Fale Conosco SBD

Rua Afonso Braz, 579, Salas 72/74 - Vila Nova Conceição, CEP: 04511-0 11 - São Paulo - SP

(11) 3842 4931

secretaria@diabetes.org.br

SBD nas Redes