Quem poderia imaginar? Neurocirurgia para tratar Diabetes


Dr. Sérgio Vêncio
Médico endocrinologista
Presidente da SBD-regional Goiás
Research Fellow (Visiting Faculty) na Academisch Ziekenhuis
Free University Hospital, Amsterdan-Holanda

Quem conhece a história da cirurgia bariátrica sabe que o título desse artigo é uma homenagem ao Dr. Walter Pories que em 1995 publica na revista Annals of Surgery, um artigo intitulado - Who would have thought it? An operation proves to be the most effective therapy for adult-onset diabetes mellitus, mostrando pioneiramente que 165 pacientes obesos mórbidos com diabetes tipo 2  foram submetidos à cirurgia bariátrica, com 83% de remissão do diabetes após 14 anos de seguimento.

Desta feita, Dr. Peter Janetta, um renomado neurocirurgião do Hospital Geral de Allegheny, conduziu um pequeno estudo sugerindo que um procedimento realizado no cérebro de pacientes com diabetes tipo 2 pode determinar uma melhora no controle glicêmico.

Dr. Janetta é conhecido por seu trabalho no desenvolvimento de um procedimento cirúrgico chamado descompressão microvascular, que é usado para doenças como vertigem e torcicolo espasmódico, uma desordem de movimento. Na cirurgia, é realizada uma descompressão da artéria afetada, com reposicionamento e colocação de um pad de proteção.

Nesse artigo publicado no jornal internacional de neurocirurgia, 10 pacientes com Diabetes tipo 2 e que apresentavam uma compressão arterial diagnosticada por um exame de ressonância magnética na região da medula oblonga, ou bulbo cerebral (veja figura abaixo).

O bulbo influência, entre outras coisas, no funcionamento do pâncreas e consequentemente na produção de insulina.

O mecanismo neural envolvidos no controle do diabetes tem sido amplamente estudado, e estão presentes na primeira fase de secreção insulínica e também no complexo mecanismo pâncreas-fígado-sistema nervoso autônomo.

Após um ano de seguimento, onde não foi permitido aos pacientes modificar a dieta, peso ou atividade física, 7 pacientes (70%) tiveram melhora importante no controle glicêmico com diminuição da medição hipoglicemiante, porém somente 1 paciente (10%) conseguiu ficar sem medicação.

Esse estudo reforça a importância de se compreender o DM2 como uma complexa síndrome que não se encontra restrita ao pâncreas, mas envolve também intestino, fígado, sistema nervoso autônomo, cérebro..., mas obviamente ainda não inclui a neurocirurgia como uma opção para o tratamento do DM2.

A cirurgia para o diabetes tipo 2 já se constitui numa realidade para diabéticos com IMC acima de 35 Kg/m2 e a literatura científica vem trazendo cada vez mais dados de diferentes técnicas para o tratamento em diabéticos Tipo 2, com IMC abaixo de 35 Kg/m2, com destaque especial para a técnica de interposição ileal associada à gastrectomia vertical.

Referências:

1 - Jannetta P, Fletcher L, Grondziowski P, Casey K, Sekula R - Type 2 diabetes mellitus: A central nervous system etiology  Surg Neurol Int 2010, 1:31 (16 July 2010)

2 - DePaula A, Stival AS, Macedo A, Ribamar J, Mancini M, Halpern A, Vencio S - Prospective randomized controlled trial comparing 2 versions of laparoscopic ileal interposition associated with sleeve gastrectomy for patients with type 2 diabetes with BMI 21 – 34 kg/m2 Surgery for Obesity and Related Diseases 6; (2010) :296-304.

3- Shah S, Todkar J, Shah P, CummingsD. Diabetes remission and reduced cardiovascular risk after gastric bypass in Asian Indians with body mass index _35 kg/m2. Surgery for Obesity and Related Diseases 6 (2010) 332–339.

4 - Choi J, Digiorgi M, Milone L, Schrope B, Olivera-Rivera L, Daud A, Davis D, Bessler M.Outcomes of laparoscopic adjustable gastric banding in patients with low body mass index. Surgery for Obesity and Related Diseases 6 (2010) 367–372.

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