Prevenção do diabetes tipo 2 – Estudo CANOE


Dr. Sérgio Vêncio
Médico endocrinologista
Presidente da SBD-regional Goiás
Research Fellow (Visiting Faculty) na Academisch Ziekenhuis
Free University Hospital, Amsterdan-Holanda

Baixas doses de rosiglitazona associada à metformina podem prevenir a progressão do pré diabetes para diabetes.


Um estudo canadense controlado, randomizado, duplo cego, liderado pelo Dr. Bernard Zinman, e publicado online hoje (02/06/10) no conceituado Jornal Lancet traz excelentes notícias sobre a prevenção do diabetes tipo 2.

O estudo

207 pacientes com pré-diabetes (intolerância a glicose) foram avaliados em diversos centros do Canadá. Eles foram randomicamente divididos em dois grupos. O primeiro grupo receberia placebo (104 pacientes), o segundo baixas doses de rosiglitazona (2mg) e metformina (500mg) (103 pacientes). Nem o médico, nem o paciente sabiam qual remédio estava sendo usado (duplo-cego). O estudo foi registrado no Clinical Trials.

Todos os pacientes foram submetidos à intervenção de mudança de estilo de vida com foco no emagrecimento e atividade física.

O desfecho primário do trabalho era saber quantos pacientes com pré-diabetes evoluiriam para o diabetes. Para isso era necessário pelo menos duas medidas de glicemia de jejum acima de 126 mg/dl ou um teste de tolerância à glicose alterada.

Resultados

O período de seguimento médio foi de 45 meses (3.9 anos). No grupo que usou rosiglitazona associada à metformina em baixas doses, 14 pacientes (14%) evoluíram para diabetes, e no grupo placebo 41 pacientes (39%) evoluíram para diabetes. Houve então uma redução de risco relativo para desenvolver diabetes de 66% (IC 95%41-80). Quando olhamos o risco absoluto a redução foi de 26% (14-37). Isso leva a um NNT (número de pacientes que precisam ser tratados) de 4 pacientes.

Em 80% dos pacientes do grupo tratado a glicose retornou a valores normais, o mesmo ocorrendo com 53% do grupo placebo. Houve uma diferença estatística importante. (p=0,0002).

Não houve diferença de peso entre os dois grupos ao final do estudo. O mesmo aconteceu com a circunferência abdominal e a relação cintura quadril. De forma interessante o colesterol total diminuiu mais no grupo placebo.

Não houve diferença na incidência de fraturas entre os dois grupos. Houve melhora no perfil hepático nos pacientes tratados e diminuição da proteína C reativa.

O HOMA IR foi melhor no grupo tratado, porém o índice de sensibilidade insulínica medido pelo TTOG foi melhor no grupo placebo, o que é de bem difícil entendimento. Os autores não forneceram maiores detalhes no trabalho.

Conclusão do estudo

Dados do estudo CANOE mostraram que a combinação de rosiglitazona com metformina, com  metade da dose máxima foi altamente eficaz na prevenção da diabetes e na normalização da glicose tolerância em indivíduos com IGT, com pouco efeito adverso clinicamente relevante destas duas drogas.

Os pontos fracos do estudo

Os autores ressaltam que o estudo não foi desenhado para análise de efeitos adversos cardiovasculares em longo prazo, com certeza um grande questionamento atual sobre as glitazonas. O pequeno número de participantes impediu uma análise mais aprofundada sobre a função da célula beta e da resistência insulínica.

É importante uma análise posterior criteriosa do custo-benefício em se usar esse tipo de medicamento na prevenção.

O último item a ser esclarecido é até quando esse trabalho aborda a prevenção ou o tratamento precoce do diabetes tipo 2.

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