Sarcopenia e Diabetes - Existe Relação?


Dr. Fábio Moura
Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade de Pernambuco
Preceptor do Curso de Medicina da Universidade de Pernambuco
Membro da SBD e da SBEM

Sarcopenia é, no sentido literal, a perda de massa muscular, força e função relacionada com o envelhecimento. O termo vem do grego Sarcus (carne) e Penia (diminuição). Com o envelhecimento da população mundial a sua prevalência vem aumentando de maneira exponencial. A sarcopenia afeta o equilíbrio, a marcha e capacidade global para executar tarefas da vida diária, ou seja, aumenta a dependência de terceiros, diminui a qualidade de vida e aumenta a morbimortalidade.

O diagnóstico de Sarcopenia é baseado na presença de dois dos três critérios abaixo: diminuição da massa muscular (obrigatório), somado a diminuição da força muscular ou do desempenho físico. A massa muscular deve ser medida por RNM, TAC, DEXA ou Bioimpedância. As duas últimas são os mais utilizados na prática clínica. A força muscular pode ser avaliada com um dinamômetro digital. O desempenho físico pode ser avaliados através de métodos simples, como a avaliação da marcha habitual, o “start and go” (levantar e caminhar) ou a bateria simples para avaliação de desempenho físico.

A Sarcopenia é de etiologia multifatorial, porém, seus principais fatores de risco são o aumento da idade, o sedentarismo e a má nutrição. Como a sarcopenia divide os mesmos fatores de risco para outras doenças crônicas não transmissíveis não causa surpresa o fato de que várias doenças endócrinas, como o diabetes mellitus, a obesidade e a osteoporose estão intimamente relacionadas com a sarcopenia. Outras, como o hipogonadismo masculino e o Hipertireoidismo agravam a condição. Ou seja, doenças endócrinas e sarcopenia andam de mãos dadas, o que implica que nós, endocrinologistas, estaremos na linha de frente do tratamento dessa condição.

Especificamente em relação ao diabetes mellitus, parece que a hiperglicemia tanto aumenta o risco quanto acelera e agrava a sarcopenia, enquanto o controle glicêmico adequado seria um fator de proteção. Os pacientes com obesidade sarcopênica – a lúgubre associação entre excesso de gordura e déficit de massa muscular – seria o pior cenário possível.

A prevenção da sarcopenia é realizada através de mudanças no estilo de vida, com aumento do exercício de força (resistido), adequação da quota calórica e da ingestão proteica. Interromper o tabagismo e o etilismo também contribui. Como já citado, em diabéticos o controle glicêmico adequado é uma medida extremamente importante. Para o tratamento da sarcopenia, além do exercício físico e da alimentação, podemos usar vários suplementos, como a creatina e o “whey protein”. Em um estudo italiano, houve melhora da massa muscular com o uso de um suplemento alimentar para diabéticos associado a exercícios resistidos. Obviamente, o controle glicêmico é parte essencial do tratamento. Detalhe importante, não existe até o presente momento nenhuma evidência de que alguma droga apresente benefício (ou malefício) específico para essa situação. A reposição de vitamina D também parece ajudar. Em situações onde existem déficits hormonais (GH ou Testosterona), a reposição hormonal está indicada. Estão sendo desenvolvidas algumas drogas, como os agonistas seletivos para o receptor de testosterona nos músculos, os agonistas da grelina e os antagonistas de mioestatina.

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