Novos antidiabéticos suspeitos de causar cetoacidose


Dr. Mateus Dornelles Severo
CREMERS 30.576
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia/UFGRS

Em meados de maio de 2015, a FDA, agência regulatória de medicamentos dos Estados Unidos, emitiu um alerta de que os medicamentos para tratar diabetes pertencentes a classe conhecida como inibidores do SGLT2, ou gliflozinas, podem ser causa de cetoacidose diabética, uma complicação grave com necessidade de hospitalização. O alerta incluiu os inibidores de SGLT2 canagliflozina (Invokana®), dapagliflozina (Forxiga®) e empagliflozina (Jardiance®), todos já disponíveis no mercado brasileiro.

Segundo a FDA, em um período de pouco mais de um ano, foram relatados 20 casos de cetoacidose diabética em pacientes com diabetes do tipo 2. Este tipo de complicação é pouco frequente no diabetes mellitus tipo 2. Além disso, os casos reportados tiveram apresentação atípica, com medidas de glicemia abaixo de 200 mg/dL. Nos pacientes com diabetes tipo 1, a cetoacidose costuma acontecer em níveis de glicemia acima de 250 mg/dL.

Entre os possíveis sintomas de cetoacidose diabética estão falta de ar, náusea, vômito, dor abdominal, confusão mental e fadiga e sonolência excessivas. Os profissionais da saúde, sejam endocrinologistas ou não, devem estar atentos para esta sintomatologia e suspender o uso do medicamento suspeito se a cetoacidose for confirmada. Segundo o FDA, os casos de cetoacidose possivelmente causados por gliflozinas surgiram entre 1 e 175 dias após o início do uso da medicação, e, em metade dos casos, não houve fator precipitante como infecções ou desidratação.

Em resumo, médicos e pacientes devem estar atentos para cetoacidose diabética como possível complicação para evitar desfechos mais graves. Também é recomendado que casos suspeitos sejam devidamente notificados às autoridades competentes (no Brasil, à ANVISA).

Fonte: Medscape

COMENTÁRIO DA COORDENAÇÃO EDITORIAL DO SITE:

De fato, este alerta da FDA é muito importante para que médicos e pacientes tenham em mente a possibilidade de ocorrência de cetoacidose em pacientes tratados com gliflozinas, apesar de sua indiscutível eficácia terapêutica. A ocorrência dessa complicação foi reportada em apenas 20 pacientes em pouco mais de um ano, num universo provável de milhares de outros pacientes que se beneficiaram do tratamento com essa classe terapêutica sem apresentar essa complicação.

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