A baixa estatura tem tratamento?


Dr. Ney Cavalcanti
Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Pernambuco
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

Todos os pais, obviamente, desejam que seus filhos tenham as melhores características possíveis. Belos, inteligentes, saudáveis e com peso e altura ideais.

Infelizmente, todas essas qualidades em uma só pessoa quase nunca acontecem. A sociedade atual valoriza sobremaneira a aparência das pessoas. E a altura, é dos aspectos mais importantes.

Alguém já afirmou que nos Estados Unidos, é mais importante ser alto do que ter um diploma universitário. Na eleição presidencial americana, quase nunca o candidato mais baixo venceu. Quando em um casal, a mulher é mais alta, a sociedade diagnostica sempre ser ela a chefe da união.

O fato é que a preocupação com estatura é motivo frequente de consulta ao pediatra e ou ao endocrinologista. A primeira tarefa do profissional é verificar se a queixa tem realmente fundamento.

Em um bom número de casos, a altura do filho se encontra dentro dos seus parâmetros  normais para sua idade, sexo e dos genes que seus genitores  lhe transmitiram. Menor, é verdade, do que idealizada pelos pais.

Isto inclusive é compreensível que genitores de menor altura valorizem mais esse componente da aparência. Afinal, eles já sentiram e sentem o quão foram e são discriminados por esta característica.

Caso a criança  esteja realmente abaixo do que seria normal para ela, cabe ao médico tentar descobrir a razão. Isto é conseguido através da história e exame clinico, e quando necessário da realização da investigação laboratorial.

A história clinica é extremamente importante. Inicialmente devem ser investigadas as dimensões de peso e altura quando o nascimento e a velocidade do crescimento.

Quanto ao primeiro aspecto, quando se nasce ao fim dos nove meses de gestação com igual ou menos de 46 cm de altura e ou 2.600 g de peso, é firmado o diagnostico de Déficit de Crescimento Intra-uterino.

Uma parte dessas crianças evolui bem, atingindo dimensões normais nos primeiros meses de vida e uma altura final compatível com a sua hereditariedade. No entanto, algumas  desse grupo se desenvolvem muito mais lentamente e a sua estatura final será bem menor do   que deveria ser se não tratadas.

A velocidade de crescimento pode ser facilmente obtida analisando mensurações da altura anteriores. Caso, mesmo que a estatura for menor que a esperada, mais se a velocidade de crescimento estiver normal para o seu grupo etário, praticamente estará descartada a existência  de problema médico importante.

E muito provavelmente, a sua estatura final será aquela decorrente do seu padrão hereditário. Caso, após a investigação se constate uma anormalidade no desenvolvimento de estatura, caberá ao médico descobrir a causa, e se possível tratá-la.

Qualquer doença crônica seja ela respiratória, digestiva, renal etc., prejudicam o crescimento. Doenças de  natureza genética cromossômica ou hormonal pode ser o fator determinante.

Má alimentação  seja por falta de comida , seja por anorexia ,é um motivo frequente. Crianças que não dormem bem ou que vivem em ambientes hostis, também têm seu crescimento prejudicado.

A falta de afeto faz surgir uma doença, a Síndrome da privação Afetiva, em  que a sua secreção do hormônio do crescimento esta prejudicada. E por falar em hormônio do crescimento, ele só deve ser usado em umas poucas situações.

A deficiência da sua secreção pela hipófise, condição rara, e o Déficit do Crescimento Intra-uterino, são duas delas. Nas doenças em que existe indicação para o seu uso, o governo, através do SUS, fornece o medicamento.

Alguns pesquisadores, no entanto, tem procurado demonstrar que o seu emprego pode aumentar altura  de crianças normais baixas. Argumentam eles, que nesses casos em pese as dosagens do hormônio do crescimento serem normais, a criança não desenvolveu a sua estatura como deveria, porque esse seu hormônio seria de má qualidade.

Fato que ainda contestado pela maioria dos estudiosos do assunto. Além disso,  ainda não se sabe da existência ou não de efeitos colaterais em longo prazo. O outro problema é o custo desse tratamento, entre 2 e 3 mil reais mensais, durante anos.

Caso você tivesse um filho normal baixo, teria disponibilidade financeira para arcar com essa tentativa terapêutica?

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