O Governo Federal criou, em 2004,  o Programa Farmácia Popular do Brasil (FPB) com o objetivo declarado de ampliar o acesso aos medicamentos para as doenças mais comuns na população, através de uma rede própria de Farmácias Populares e também mediante parcerias com estabelecimentos privados (o programa "Aqui tem Farmácia Popular"). 

Oficialmente, trata-se de uma proposta incluída na Política Nacional de Assistência Farmacêutica, visando ampliar o acesso da população a medicamentos essenciais, com qualidade e garantia de segurança quanto ao seu uso.

Assim, uma lista de quase cem produtos farmacêuticos, todos industrializados, é oferecida na FPB, considerados como essenciais na prática clínica da atenção básica, ou seja, capazes de atender a maioria das doenças que por sua vez atingem a maioria da população.

O ponto mais polêmico do programa é o co-pagamento, ou seja, o fato de o paciente pagar pelo que lhe é fornecido, embora este valor corresponda a uma percentagem...

Dor no ombro, às vezes irradiando para o pescoço, com enrijecimento da musculatura desta região e dificuldade para a movimentação do ombro são os sintomas mais importantes dessa patologia que podendo afetar até 20 em cada 100 pessoas com diabetes. Embora essa doença não seja incomum, ela é ainda muitas vezes não diagnosticada, levando a muito sofrimento e à longa procura de diagnóstico.

As causas da Capsulite Adesiva do Ombro não são bem conhecidas. Ela aparece tanto em pessoas com diabetes do tipo 1, como de tipo 2, mais frequentemente nas mais idosas e com maior tempo de diabetes. Geralmente acomete um ombro, podendo mais raramente comprometer os dois. Outras causas  podem ser responsáveis por essa alteração do ombro, tais como contusão local, cirurgia prévia de ombro e outras doenças crônicas.

O tratamento pode ser feito, inicialmente, com fisioterapia e antiinflamatórios. Se só isso não for suficiente, outros tratamentos mais...

A Associação Americana de Endocrinolgistas Clínicos (AACE) acaba de liberar novas recomendações  que realçam a necessidade de um tratamento personalizado e cuidados abrangentes para as pessoas com diabetes. Até o momento, esta forma de tratamento tem sido negligenciada, segundo os especialistas reunidos do 20th Congresso da Associação em 15 de Abril de 2011.

As novas orientações,destacam não apenas o controle da glicemia, bem como o controle das co-morbidades, tais como: níveis elevados de lípides e da pressão arterial. Nos Estados Unidos apenas  7 a 13% dos pacientes tem valores aceitáveis de glicose, colesterol e pressão arterial. Estes pacientes devem também realizar tratamento com aspirina.

Além disso, as diretrizes apontam  a importância do tratamento da depressão e da apnéia do sono e também modificam os critérios para o diagnóstico do diabetes e  do diabetes gestacional.  A obesidade e as mudanças do estilo de vida são, mais uma vez, incluídos como componentes essencias do tratamento....

A maioria dos especialistas concordam que o tratamento do diabetes do tipo 2 deve ser iniciado com o uso da metformina. Existem exceções quando há insuficiência renal ou reações gastrointestinais severas ao medicamento.  A grande questão é: se necessário qual a segunda droga a ser usada? Esta é uma questão importante, pois sabemos que a monoterapia só funciona quando é necessária uma pequena redução nos valores da A1c. Nos estudos do UKPDS, foi observado que metade dos pacientes em monoterapia perdem o controle em 3 anos e 2/3 requerem um segundo medicamento em 6 anos.

Esta é uma questão importante, pois o gasto com fármacos no tratamento do diabetes, nos Estados Unidos, atingiu no ano passado 12.5 bilhões de dólares. Hoje já existem genéricos que são igualmente efetivos, quando comparados com os produtos de marca ou com as novas drogas de custos elevados. Mas é preciso lembrar que as sulfoniluréias...

As Glitazonas (o avesso do avesso)Há pouco mais de 10 anos, os endocrinologistas brasileiros e seus pacientes passaram a dispor de uma nova classe terapêutica para tratar o Diabetes Mellitus: chegavam ao mercado as Tiazolidinodionas – ou Glitazonas, ou simplesmente TZDs – num novo jargão recém-criado.

Foram desde logo consideradas bastante promissoras, pois atuavam, através de novos mecanismos, na resistência insulínica, área menos favorecida na terapêutica clínica do que os secretagogos. Eram também muito aguardadas pelos especialistas, depois da breve presença da Troglitazona, precocemente finada por causar problemas hepáticos, às vezes sérios.

A Rosiglitazona, e logo após a Pioglitazona, surgiam como drogas de baixa toxicidade, boa eficácia hipoglicemiante, facilidade posológica, e, melhor que tudo, ações benéficas sobre marcadores bioquímicos das doenças macro-vasculares. Seus únicos defeitos eram o preço e a restrição em pacientes com insuficiência cardíaca.

Apesar do custo, essas drogas cresceram significativamente nos mercados internacional e nacional nos anos seguintes. O volume de publicações...

Seguindo a mesma linha de pensamento do meu grande professor, e agora chefe, Dr Amélio, optei por trabalhar, nesta coluna, dois conceitos que vem sendo bastante discutidos recentemente e que talvez possam explicar as diferenças tão marcantes entre a cirurgia bariátrica ( CB )( ou metabólica, como queiram ) e o tratamento clínico:

1)   Será que a velocidade com a qual ocorre a perda de peso é tão ou mais importante do que a própria magnitude da perda de peso?

2)   Será que no fundo a grande diferença entre a CB e o tratamento conservador seja a capacidade de sustentabilidade a longo prazo do peso perdido? 

Magnitude X Velocidade da Perda de Peso

Em tese a quantidade de peso perdido seria a variável mais importante a ser considerada quando avaliamos os resultados metabólicos da CB ou de um tratamento clínico voltado para a obesidade e suas comorbidades. Ou seja, quanto...

Dra. Rosangela Almeida                                                                            
Endocrinologista – Juiz de Fora - MG

 
Dados publicados do DPPOS (Diabetes Program Prevention Outcomes Study), não só demonstraram que a prevenção no desenvolvimento do diabetes tipo 2 em pacientes de alto risco durante o DPP (Program Prevention Diabetes) é sustentado  mas também o efeito da Metformina na perda de peso.

O DPPOS foi iniciado em setembro de 2002 com 2766 participantes, assim dividido: 910 no grupo de mudança no estilo de vida, 924 no grupo da metformina e 932 no grupo do placebo.

A perda de peso induzida pela Metformina foi quase exclusivamente devido à redução do tecido adiposo, mostrando um padrão diferente do observado com a restrição calórica, que...

Dra. Rosangela Almeida
Médica endocrinologista


Freda Miller, PhD, do Hospital for Sick Children em Toronto, mostrou em uma série de experimentos em cultura e em camundongos que a Metformina promoveu o crescimento de novos neurônios e melhoria da função neural.

Na primeira fase da pesquisa a Metformina em meio de cultura pode estimular o desenvolvimento de células nervosas de camundongos e humanos.

Na segunda etapa testaram os efeitos da Metformina em cenário da vida real em ratos. Os pesquisadores descobriram que ao injetar a Metformina em camundongos, novas células nervosas desenvolveram na área do cérebro responsável pelo aprendizado e memória.

Miller e colaboradores verificaram que para o desenvolvimento de células embrionárias precursoras neurais há a participação da molécula CREB-binding protein ou CBP e ativação da aPKC (proteína quinase C atípica). Os estudos revelaram que a Metformina promoveu a neurogênese ativando a via aPKC-CBP em células tronco neurais.

Concluindo:

Isto é potencialmente excitante...

Esta análise foi realizada com o intuito de avaliar a associação do peso com a mortalidade em adultos com diabetes recém diagnosticados. Sendo assim, analisaram o conjunto de cinco grandes estudos de coorte longitudinais:

1-Atherosclerosis Risk in Communities Study (1990 –2006).

2-Cardiovascular Health Study (1992 – 2008).

3-Coronary Artery Risk Development in Young Adults (1987 – 2011).

4-Framinghan Offspring Study (1979 – 2007).

5-Multi-Etnic Study of Atherosclerosis (2002 – 2011).

Um total de 2625 participantes com diagnóstico recente de DM2, incluindo homens e mulheres com idade acima de 40anos e classificados de acordo com o peso:

  • peso normal (IMC de 18,5 – 24,99 Kg/m²).
  • sobrepeso (IMC de 25 – 29,9 Kg/m²).
  • obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²).

Através dos coortes, 293 participantes (média 11,2%) tinham peso normal no momento do diagnóstico. Um total de 449 mortes (17,1% dos coorte combinados; 165,5 por 10.000 pessoas-ano) ocorreu durante o acompanhamento:

  • 178 (6,8%) de...

Dra. Rosangela Almeida
Médica endocrinologista

As taxas de mortalidade entre os jovens com diabetes têm diminuído substancialmente ao longo de um período de 40anos de acordo com as estatísticas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

Para avaliar essas tendências, o CDC avaliou dados do Sistema Nacional de Estatísticas Vitais de Morte dos Estados Unidos com diabetes durante o período de 1968 – 2009.

Os resultados dessa análise mostraram que de 1968-1969 para 2008-2009, a taxa de mortalidade por diabetes entre os jovens com idade ≤ 19anos diminuiu 61%, passando de 2,69 para 1,05/milhão. Já a taxa de mortalidade entre os jovens < 10anos diminuiu 78%, passando de 1,80 para 0,39/ milhão.  Entre os jovens de 10-19anos essa taxa diminuiu 52%, passando de 3,56 para 1,71/milhão.

Apesar de esses dados terem algumas limitações segundo os analistas as possíveis razões para as quedas nas taxas de mortalidade...

Trata-se de uma revisão sistemática e meta-análise de estudos sobre pacientes portadores de esquizofrenia e transtornos relacionados, com o objetivo de esclarecer a taxa de prevalência da Síndrome Metabólica levando em conta as características de cada país envolvido, estágio da doença, o tratamento com os diferentes antipsicóticos e a duração da doença.

Foram avaliados 25.692 pacientes, envolvendo 27 países ou regiões no período de 2003 a julho de 2011.

Analisaram 77 publicações contendo 294 análises (126 análises principais e 168 análises de subgrupos). As análises de subgrupos foram compostas por pacientes em uso de antipsicóticos.

Das 126 análises principais, 84 (66,7%) utilizaram DSM-IV-TR para definir esquizofrenia e psicoses relacionadas e 18 de 126 (14,3%) utilizaram CID-10 como critério, porém 24 utilizaram julgamento de especialistas clínicos. Um subgrupo de 66 análises avaliaram pacientes com esquizofrenia pura sem psicose.

É evidente que os pacientes com esquizofrenia apresentam altas taxas  de doenças cardiovasculares...

Sabemos que diabetes mellitus é um fator de risco para o desenvolvimento de demência, porém desconhece se os níveis de glicose mais elevados que aumentam o risco de demência em pessoas sem diabetes.

O estudo teve um seguimento de 6,8 anos num total de 2067 participantes todos pertencentes ao estudo Adult Changes in Thought – 839 homens e 1228 mulheres com idade média de 76 anos no inicio do estudo, com 232 diabéticos e 1835 não diabéticos.

Foram realizados 35.264 medições de glicose em jejum e 10.208 medições de hemoglobina glicada com a finalidade de examinar a relação  entre os níveis de glicose e o risco de demência.

Observaram o desenvolvimento de demência em 524 participantes (74 com diabetes e 450 sem diabetes). Entre os participantes sem diabetes, os níveis de glicose médios mais elevados (nível glicêmico de 115 mg/dl quando comparado a um nível de glicose de 110 mg/dl) ...

Várias vezes fui abordado no consultório com uma pergunta: "Doutor, o senhor já ouviu falar da Batata Yacon? É verdade que ela pode ajudar no tratamento do Diabetes?".

Sempre tentei dar uma despistada, falando que não a conhecia bem e que não deveria existir nada de muito concreto sobre o assunto. Agora, com a coluna no Site da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), mais uma vez a pergunta apareceu, desta vez vinda de um de nossos leitores.

Resolvi então que era hora de procurar um pouco mais sobre esta batata e rever o que existe de evidência científica sobre seu uso pelo paciente diabético.

A chamada Batata Yacon (ou simplesmente Yacon [Smallanthus sonchifolius]) é uma raiz originária da região dos Andes. Durante anos ela foi consumida pelos Incas e pela população Andina, mas não existem grandes relatos de suas propriedades medicinais nesta população.

Além da própria batata em si, parece...

O Suco de Noni apareceu pela primeira vez em meu consultório há aproximadamente 05 anos. Um de meus pacientes tinha feito uma viagem de férias ao Caribe e trouxe algumas garrafas deste fantástico suco para meu conhecimento.  Segundo ele, o Suco tinha diversas propriedades farmacológicas, podendo inclusive ser utilizado efetivamente para o tratamento do Diabetes Mellitus. Como não conhecia muito sobre o assunto, orientei a ele que evitasse o consumo do suco e que mantivesse seu tratamento regular. Mas, logicamente, esta não foi a única vez que fui perguntado sobre este “milagroso” suco. Decidi então pesquisar um pouco mais e falar sobre ele na coluna do Site da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

O nome científico do Noni é Morinda citrifoli. Originário do Sudoeste da Ásia, ele foi extremamente difundido na Índia e foi trazido pelo Oceano Pacífico até as ilhas da Polinésia Francesa. No Japão, a árvore é conhecida como “Yaeyama-aoki”,...

Há aproximadamente 2 meses recebi um e-mail de uma das leitoras de minha coluna me perguntando se eu conhecia alguma coisa sobre o Jambolão. Devido a uma série de afazeres, não a respondi naquela época e decidi aproveitar o final do carnaval para fazer uma busca mais detalhada sobre o assunto e tentar ver o que temos de evidência sobre este fruto.

O Jambolão é conhecido por uma grande variedade de nomes: jalão, kambol, jambú, azeitona-do-nordeste, ameixa roxa, murta, baga de freira, guapê, jambuí, azeitona-da-terra entre outros. Entretanto, seu nome científico é Syzygium cumini, uma planta pertencente à família Mirtaceae. Em relação ao seu fruto, eles são do tipo baga (extremamente parecidos com as azeitonas). Sua coloração, inicialmente branca, torna-se vermelha e posteriormente preta, quando maduras.

Sua semente fica envolvida por uma polpa carnosa e comestível, doce, mas adstringente, sendo agradável ao paladar. No Brasil, o fruto é geralmente consumido...

Essa foi difícil. A Insulina é uma das substâncias mais importantes dentro da Endocrinologia e, ainda hoje, tentamos entender todas as suas funções no corpo humano. A cada dia, são publicados artigos demonstrando novos mecanismos para explicar sua ação, novos efeitos em diferentes órgãos do corpo humano e estudos sobre seu uso para o tratamento de diversos tipos de diabetes. Como poderíamos então encontrar esta substância tão complexa em uma simples folha de planta? Mais do que isso, será que esta Folha de Insulina realmente apresenta a mesma insulina que encontramos no corpo humano?

Para podermos responder estas perguntas, preciso primeiro que todos entendam bem o que é a Insulina. A Insulina é o hormônio produzido pelo pâncreas humano que é responsável pela regulação dos níveis de glicose do corpo. De uma forma geral, ela ajuda a transportar a glicose do sangue para dentro das células do corpo, onde a...

O famoso Chá de Pata-de-Vaca talvez seja um dos tratamentos alternativos para o Diabetes mais populares no Brasil. Tenho certeza que quase todos os endocrinologistas (ou até mesmo clínicos) já se depararam com um paciente que diz estar realizando o tratamento de seu diabetes com este “maravilhoso e poderoso” chá (ou mesmo com cápsulas desta planta). Eu mesmo me deparei com um destes pacientes esta semana. E ele foi totalmente enfático: “Doutor, depois que comecei a fazer uso deste chá, meus níveis de glicose baixaram muito.” Depois disso, não tive dúvida: a coluna deste mês seria sobre a Pata-de-vaca.

O nome científico da Pata-de-Vaca é Bauhinia variegata (L.), pertencente a família Fabaceae, subfamília Caesalpinioidea. Esta planta é originária da Ásia, mais precisamente China e Índia. No Brasil, o gênero Bauhinia ocorre desde o Piauí até o Rio Grande do Sul, nas formações florestais do complexo atlântico e nas matas de...

Um novo grande estudo clínico, mais lenha na fogueira e menos evidências de benefício.

A DCV é a principal causa de mortalidade e morbidade em indivíduos com diabetes tipo 1 e tipo 2. A esses indivíduos é atribuído um risco de mortalidade em 40 anos de 50%, contra 10% para a população em geral. A mortalidade nesses casos deve-se principalmente a doença isquêmica do coração, acidente vascular cerebral.

O uso de agentes antiplaquetários é estabelecido como benéfico na redução secundária de eventos CV em indivíduos com doença cardiovascular com e sem diabetes. A força da evidência de benefício na prevenção secundária, levou entretanto à sugestão de que o uso de Ácido Acetil Salicílico (AAS) seja também benéfico para prevenção primária em pacientes.

Estas recomendações estão incluídas em Consensos de Tratamentos das principais entidades relacionadas ao assunto, como a ADA (American Diabetes Association), a AHA (American Heart Association), entre outras, que recomendam a administração...

Alvoroço na imprensa, nas pessoas, nos fãs de TV, internet e de um sofazinho. Foi noticiado nesta última semana, resultados de uma pesquisa que descreve a ginástica dos sonhos dos “Couch potatos”, como se diz na América. É a pílula do exercício!

“Couch Potatos” é a expressão, muito usada nos Estados Unidos, para descrever os gordinhos sedentários, sendo composta pela junção das palavras, em inglês, “sofá” e “batata” (frita, pode-se supor). Pesquisadores do Salk Institute, na Califórnia, já haviam demonstrado, anteriormente, o papel da ativação do gene PPAR Delta,relacionado à oxidação de gordura no tecido muscular, que, quando hiperativado em camundongos geneticamente modificados, melhora a performance ao exercício de resistência.

Diante disso, os cientistas decidiram avaliar se a administração de uma medicação que ativa este gene (agonista), oGW1516, produziria efeito semelhante. Após administrar a substância a camundongos obesos e destreinados, não foi observado qualquer diferença na capacidade desses animais em resistir e suportar...

Nesta semana, muitas pessoas preocupadas com a sua saúde e bem-estar e o controle do seu peso, ficaram surpresas com a publicação por uma revista norte-americana de neurociências de um trabalho com ratos de laboratório que mostrou que o consumo de sacarina esteve associado a ganho de peso.

Vamos entender. Como foi feito o estudo?

A pesquisa baseou-se num dos princípios básicos da fisiologia moderna, o grande legado deixado pelo cientista russo Ivan Pavlov, ganhador do prêmio Nobel de Medicina. Trata-se do conceito conhecido como “reflexo condicionado”. Esta teoria propõe que todos os animais (incluindo nós mesmos, animais humanos), se condicionam de modo que um determinado estímulo fisiológico segue-se de uma experiência sensorial e fisiológica específica, decorrentes daquele estímulo. Em outras palavras, o organismo ao ser estimulado “espera” aquela conseqüência com a qual está acostumado. E se regula em função disso.

Então, vejamos, desde a primeira mamada, o animal (e seu...

Novas hipóteses para as origens, a mesma meta para o tratamento.

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um conceito em evolução. Diferentes classificações apontam para o mesmo, hiperandrogenismo (excesso de hormônios masculinos) e irregularidade menstrual ou ciclos oligo ou anovulatórios. Classicamente, trata-se de hiperandrogenismo acompanhado de níveis elevados de insulina (hiperinsulinemia).
 
Experimentos feitos no início da década de 80, com  Macacus Rhesus, mostraram que fêmeas expostas no período pré-natal a excesso de andrógenos apresentaram genitália ambígua e desenvolveram um comportamento virilizado. O seguimento longitudinal mostrou que naquelas que ganharam peso na vida adulta surgiu um fenótipo semelhante ao da síndrome de ovários policísticos, com hiperandrogenismo hiperinsulinêmico, dislipidemia, adiposidade visceral e baixa fertilidade. Assim, acreditava-se que em humanos o mesmo poderia acontecer e alterações hormonais na gravidez seriam preditores de risco futuro de SOP.
 
Para responder a esta pergunta, um trabalho feito na Austrália e publicado há algumas...

Apesar de já serem notórios os benefícios que os exercícios físicos proporcionam a quem tem o chamado diabetes mellitus, infelizmente, a prática esportiva ainda não é tão popular entre as pessoas que têm a doença. Estudos mostram que esse tipo de prática é capaz de reduzir o risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2 de 35% a 40%. Além disso, o bom condicionamento físico reduz o risco de morte por doença cardiovascular em até 66%, sendo este benefício proporcional à intensidade do exercício ou à capacidade aeróbica do indivíduo. O sedentarismo é um dos principais fatores de risco para doença cardiovascular, assim como para o desenvolvimento da obesidade e do diabetes. Além de exames periódicos, a prática de exercícios regulares, pelo menos uma caminhada diária de 30 minutos, é uma das principais recomendações da Federação Internacional de Diabetes.

Existem dois tipos principais de diabetes, o diabetes tipo 1, também chamado...

É senso comum que comer os alimentos certos, sem excessos é bom para a saúde. Por outro lado, a restrição alimentar, sem desnutrição, está relacionada a aumento da vida em diversos organismos, desde leveduras, insetos, roedores, primatas e, possivelmente, humanos.

Mas a restrição dietética tem seu preço: freqüentemente prejudica a fecundidade, possivelmente porque a manutenção do soma (porção não germinativa do organismo) e da vida longa é incompatível com as demandas metabólicas da reprodução em algumas situações. Cientistas acreditaram por muito tempo que a resposta adaptativa do organismo à baixa oferta de nutrientes ocorre através de um aparato evolucionário que permite indivíduos sobreviver à fome através de um deslocamento de recursos energéticos da atividade reprodutiva para serem alocados em funções essenciais à sobrevivência. De fato, os dados empíricos reforçam que o aumento da longevidade via de regra ocorre à custa de diminuição da fecundidade.

Foi publicado recentemente na Revista Nature...

Os primeiros estudos descritivos sobre os efeitos dos canabinóides datam de mais 4.000 anos atrás, na índia, com a descrição das ações terapêuticas e psicotrópicas da planta Cannabis sativa. Nos últimos 40 anos, desde a purificação dos elementos ativos do sistema e a clonagem dos receptores canabinóides CB1 e CB2, muitos trabalhos têm sido publicados, descrevendo o papel central do sistema endocanabinóide, como um modulador central nos processos metabólicos e de secreção hormonal.

Recentemente, o EMEA - a agência regulatória de medicamentos da Europa - recomendou positivamente a aprovação da comercialização do Rimonabant, um bloqueador do receptor endocanabinóde CB1, para tratamento de obesidade.

Os receptores e os agonistas endógenos (endocanabinóides) constituem um sistema distinto de sinalização, envolvido com diversas funções fisiológicas, desde balanço homeostático, modulação de nocicepção, resposta imune, inflamatória e ainda aspectos relacionados ao sistema cardiovascular. Notadamente, tem se discutido o papel do sistema endocanabinóide na regulação dos sistemas endócrinos e do balanço...

A nefropatia diabética é um dos grandes problemas de saúde pública em todo o mundo, sendo responsável por mais de 44% dos pacientes em diálise nos Estados Unidos. Os custos anuais relacionados à nefropatia diabética nos EEUU são avaliados em US$ 10 bilhões, por ano. Apesar dos esforços em educação e na melhoria do tratamento, estima-se que 40% das pessoas com diabetes vão apresentar nefropatia clinicamente manifesta.

Muitos estudos observacionais têm mostrado a associação entre níveis elevados de homocisteína plasmática e risco de desenvolvimento de nefropatia, retinopatia e doenças vasculares, incluindo infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC)

Estudos têm mostrado que o uso de suplementos com vitamina B diminui os níveis circulantes de homocisteína e melhora a função endotelial.

Com o intuito de avaliar se a reposição de vitamina B (em drágeas únicas, de uso diário, contendo 2,5 mg de ácido fólico, 25 mg de vitamina...

diabetes mellitus (DM) é uma situação muito propícia para o surgimento da raiva. Já ao diagnóstico muitas vezes a pergunta é inevitável: por que eu? Uma condenação? A vida com diabetes pode parecer cheia de ameaças e riscos e a revolta muitas vezes surge como uma autodefesa. A questão diante do problema é não ter raiva de sua própria vida. Quando alguém se sente ameaçado, amedrontado ou frustrado, ódio e angústia são reações normais. Fazer da crise a oportunidade é, de alguma maneira, transformar o ódio no sinal de que algo precisa ser feito. Uma nova atitude. Entender e aceitar o sentimento em relação ao diagnóstico é um passo importante para que se possa usar essa energia no autocuidado. 

Naturalmente que o processo de convívio com a doença ocorre ao longo do tempo e esse processo tem que ser respeitado. A criança, por exemplo, na vivência com o diabetes, passa por diversas...

Camila Furtado de Souza1,2Mériane B Dalzochio2Francisco Jorge A de Oliveira1, Jorge L Gross2 and Cristiane B. Leitão2

1 Primary Care, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil
2 Endocrine Division of Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
Diabetology & Metabolic Syndrome june, 2012, 4:25  doi:10.1186/1758-5996-4-25

Análise Crítica

Dra. Roberta Cobas
Prof. Adjunta, Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Dra. Marilia de Brito Gomes
Prof. Associada,Universidade do Estado do Rio de Janeiro

O presente artigo aborda um importante tema na Diabetologia, a investigação dos melhores preditores do desenvolvimento do diabetes tipo 2 e doença cardiovascular. Trata-se de um estudo de coorte, com seguimento de cerca de 3 anos, realizado em um hospital público da região Sul do Brasil. Pacientes que apresentaram glicemia de jejum alterada em um exame de rastreamento para diabetes, foram classificados conforme o status glicêmico pelo teste oral de tolerância à glicose e avaliados quanto à...

A Hipoglicemia ainda é a maior barreira para o atingimento dos alvos e metas determinados para o bom controle do diabetes, afirmou Timoty Jones - MD no simpósio "A1C Targets in Pediatric Diabetes", ocorrido no sábado no ADA.
Ele trouxe evidências de que o medo da hipoglicemia leva a família a alimentar a criança com maior frequência e quantidade. Isso justifica um aumento médio de 0,8% da A1C de crianças que já sofreram uma hipoglicemia grave e são hiperalimentadas versus crianças que não experimentaram hipoglicemia severa.  

O Sono e o exercício foram os fatores causais mais frequentes. Em uma grande revisão da incidência das hipoglicemias, elas ocorreram em 55% das vezes durante o sono (Doris et al, Ciabetes Care,2007). Outro estudo apresentado, publicado no Diabetes Care 33, 1004-1008; 2010, o uso contínuo do CGMS em um grupo de crianças diabéticas, evidenciou 8,5% das noites com glicemias medidas por pelo menos duas vezes...

Dra. Marlene Merino Alvarez - 15/03/2006 19:49 
Membro do Departamento de Nutrição e Metabologia da Sociedade Brasileira de Diabetes

Abordagem Inicial

Existem milhares de pessoas com diabetes no mundo. Apesar das inúmeras campanhas de esclarecimento, ainda existem muitas dúvidas em relação ao seu tratamento e, principalmente, em relação à alimentação. é muito comum achar que o plano alimentar (dieta) para o portador de diabetes se restringe à retirada apenas do açúcar ou ainda existem as radicais que cortam quase todos os carboidratos (pães, massas, doces, etc.). Puro engano! 

Quando o açúcar está alto no sangue significa que o corpo não está utilizando corretamente os alimentos, desta forma o organismo fica muito debilitado. Para não errar para mais ou para menos é necessário consultar um nutricionista, que é o profissional mais capacitado para elaborar o plano alimentar do portador de Diabetes Mellitus. 

Atualmente o plano alimentar é baseado em uma alimentação saudável que considera todos os grupos de alimentos. A quantidade do...

Associação das medidas antropométricas de localização de gordura central com os componentes da Síndrome Metabólica em uma amostra probabilística de adolescentes de escolas Públicas.Marlene Merino Alvarez, Ana Carolina R. e Vieira, Rosely Sichieri, Gloria V. da Veiga.Arq Bras Endocrinol Metab 2008;52/4 (649:657).

O acúmulo de gordura central está associado à presença de alterações metabólicas que indicam risco cardiovascular, as quais são descritas como componentes da síndrome metabólica (SM) cujo aumento da prevalência tem sido observado em jovens obesos. . Em estudos epidemiológicos são utilizadas medidas antropométricas, tais como circunferências da cintura (CC), razão cintura/quadril (RCQ), razão cintura/estatura (RCE)  para avaliar gordura corporal na região central devido a sua praticidade e baixo custo já que, métodos mais sensíveis  como a tomografia computadorizada e  a ressonância magnética são inviáveis nesse tipo de estudo.

Em adolescentes, a questão parece ser ainda mais complexa. A RCQ pode ser uma medida inapropriada para esta faixa...

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