O mercado de livros digitais está em alta. A americana Amazon, líder do setor, anunciou que recentemente a venda de e-books tem superado a de livros comuns em capa dura. No total ainda se vende mais livro no formato impresso que em arquivos digitais, mas a criadora do Kindle acredita que isso deve mudar em breve.

Não confundamos com a venda de livros de papel pela internet, essa sim hoje absolutamente campeã, pois vendem muito mais que nas livrarias, apresentam mais descontos, e entregam em casa.

E em relação a saúde e mais especificamente na nossa área, o Diabetes? Será que esta tendência se repetirá? Médicos e outros profissionais da saúde irão aderir a essa realidade? Parece que sim! A SBD, pioneira em diversas ações na área tecnológica, agora também é uma editora, capaz de publicar livros na forma eletrônica. Não apenas livros próprios, mas também de autores externos.

A associação...

Eu sempre comento com meus pacientes que se não houvesse hipoglicemia, todos os portadores de diabetes seriam muito bem compensados. Sabemos de longa data que o maior desafio do controle intensivo do diabetes é a hipoglicemia.

Nos portadores de DM1 os sintomas são muito intensos, por vezes graves e consequências sérias. Nos DM2 estudos recentes mostraram aumento da mortalidade por hipoglicemia quando tentamos atingir um controle rígido da glicemia.

E o que está por trás disso?  Nosso salva-vidas é o Glucagon, hormônio produzido nas células alfa do pâncreas que é o maior responsável pelo aumento da glicemia quando esta fica baixa.

Muitos conhecem aquela caixinha laranja, já quase pronta para o uso em uma situação de emergência. Porém, o Glucagon fica na forma de um pó que deve ser diluído e aplicado no momento do uso, e em dose empírica, de meia a 1 ampola dependendo do caso.

Muitas vezes nos...

O termo “Pâncreas Artificial” é hoje usado para designar metodologia tecnológica capaz de infundir insulina via subcutâneo de acordo com níveis de glicemia (ou melhor, da medição da glicose no sub-cutâneo), medida através de sensores de glicose, já conhecidos por nós. A decisão da dose aplicada fica por conta de Computadores altamente alimentados por algoritmos que estão sendo desenvolvidos há muitos anos.

As bombas de insulina, seja as atualmente conhecidas ou as “patch-pumps” que serão a coqueluche de um futuro próximo (aguarde matéria sobre este assunto), já são uma realidade bem estabelecida. Cada vez mais sofisticadas e cheias de complexos sistemas que ainda necessitam do ser humano para quase todas as decisões terapêuticas, estes aparelhos tendem a ficar cada vez menores, mais discretos, mais funcionais e controlados a distância. Há uma enorme tendência (e eu já poderia dizer que uma quase realidade) de se acoplar a infusão de insulina ao...

Vários artigos são escritos acerca deste tema (Time, Wall Street Journal, Pediatrics), pois estamos em uma real epidemia de Obesidade, hipertensão e Diabetes e todas as consequências devastadoras advindas desses males.

Mais de 400 Milhões de adultos tem IMC > 30 kg/m2. Nos EUA 32% dos Homens e 26% das Mulheres estão obesos. No Brasil as estatísticas também não são diferentes. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 30% das crianças do país têm sobrepeso e metade delas é obesa. Cerca de 13% da população adulta é obesa.  Um grande estudo internacional lançado em fevereiro de 2011 mostrou que 10% dos adultos são obesos. Em 2008: 9,8% dos homens e 13,8% das mulheres eram obesos.

Me chamou a atenção um estudo publicado em Março de 2011 no Journal of Diabetes Science and Technology onde os autores discutem um software para smartphone que chamaram de ENGAGED (E-Networks Guiding Adherence to Goals...

Qual portador de diabetes, que faz testes de glicemias algumas vezes ao dia nunca levou ao seu médico as suas  anotações? Cadernetas, livretos, livrinhos fornecidos pelo médico (alguns sujos de sangue), papéis soltos, enfim qualquer maneira de levar as anotações ao seu médico.  Acredito que fazer o teste é realmente o mais importante, porém é preciso que estes testes sejam de fato analisados para que uma modificação tanto dos hábitos alimentares, quanto exercícios e principalmente das medicações seja atingida. Modificações estas que culminarão, se forem necessárias, com um melhor controle do diabetes e prevenção das complicações crônicas.

Mas pode ser um desafio enorme analisar dados de por exemplo, uma pessoa que faz 4 a 6 testes ao dia por 30 dias. Neste caso teremos 120 a 180 testes em diversos horários, e estabelecer padrões de alterações glicêmicas pode ser dificílimo quando olhamos as glicemias em papéis, soltos ou até mesmo...

Imagine uma insulina aplicada no subcutâneo como as atuais, porém que só funcione quando a glicemia estiver elevada, e pare de funcionar em caso de glicemias mais baixas. Será possível? Pois é, o desenvolvimento de novas tecnologias parece ser capaz de quase tudo. Estas são as chamas “SmartInsulins”, ou insulina inteligente.

Ainda em fase muito precoce de estudos, a SmartInsulin, é a junção das insulinas de ação lenta ou Ultra-rápidas com polímeros desenvolvidos especialmente para essa finalidade. Engenheiros da empresa SmartCells de Massachusetts (MIT) desenvolveram um polímero biodegradável com moléculas de ligação que se ligam à insulina e a prendem até o nível da glicose elevar-se até um certo patamar. Quando atinge este patamar o polímero libera insulina para corrente sanguínea. Este processo ocorre por causa de algo chamado de "ligação competitiva". Quando a glicose está baixa a insulina se liga ao polímero. Quando a glicose fica mais alta, a...

Sabemos que o controle do diabetes, tanto do Tipo 1 quanto do Tipo 2, de forma intensiva reduz drasticamente as complicações crônicas da doença. (Retinopatia, Nefropatia, Neuropatia e doenças cardiovasculares). Todos os diabéticos tipo 1 e muitos do Tipo 2 necessitam o uso de Insulinas para o controle mais adequado da doença. Uma insulinização mais fisiológica requer a reposição de insulina o mais parecido com a normalidade possível. Para tanto atualmente, lançamos mão da Insulinização do tipo Basal-Bolus. O Objetivo do artigo é discutir as Insulinas Basais existentes, suas características e pontos que podem ser melhorados, e apresentar as possibilidades futuras neste campo.

As Insulinas Basais que utilizamos atualmente são: NPH (utilizada em 3 aplicações), Glargina e Detemir.

A NPH, mais antiga, possui diversas características que dificultam sua utilização como insulina basal: Pico de ação de 6-8h, grande variabilidade intra-individual, tempo de ação mais curto, necessidade de múltiplas aplicações ao...

Já imaginou realizando o teste de glicemia capilar e o monitor “falando” o valor da glicemia? Pois é, isso já é uma realidade. Pessoas com deficiência visual parcial ou total, podem se beneficiar destes sistemas, que não apenas falam o valor da glicemia, mas também falam o passo a passo na hora de realizar o teste de glicemia capilar. Algumas empresas se especializaram neste assunto, e destacarei 2 delas na nossa coluna.

1 – Prodigy Auto-Code: A empresa Americana Prodigy, deidcada a produtos para Diabetes, possui 2 monitores com estas características. O “PRODIGY AUTO CODE” é um monitor semelhante aos existentes no Brasil, porém possui algumas características peculiares: Não necessita de codificação, o que facilita seu uso, pode ser utilizado em locais alternativos, faz o teste em 6 segundos e “fala” o valor da glicemia em 4 Idiomas – Inglês, Espanhol, Francês e Árabe. Ainda não é disponível no Brasil, apenas pode...

Barbara McClatchey foi uma das 3 ganhadoras do prêmio “Diabetes Mine 2010 Design Challenge”, desafio americano onde pessoas comuns ou mesmo profissionais concorrem com idéias para melhorar a vida dos portadores de diabetes. Dos vencedores, particularmente esta idéia eu achei a mais interessante e trago para a coluna, pois se um dia tornar-se real, será uma aquisição muito útil.  Sua idéia chama-se TEST DRIVE. Consiste em um aparelho que já vem com o carro ou caminhões (imaginem o impacto positivo em trabalhadores!), e que faz com que o carro somente ligue se a glicemia estiver dentro de parâmetros adequados. Por via wireless este aparelho comunica-se com um monitor de glicemia, que de acordo com o resultado irá permitir que o carro ligue. Se a pessoa estiver em hipoglicemia o aparelho solicita que o portador de diabetes tome alguma atitude e repita o teste em 10 minutos. Ou seja, torna-se obrigatório...

Você que é portador de Diabetes já imaginou ter em seu celular a possibilidade de ajudá-lo no controle da sua doença?  Já pensou que as alterações de glicemias podem chegar rapidamente a seu medico e ele te ajudar a modificar algo que resolva aquela questão momentânea? Pois é, agora isso já pode ser possível graças ao  aplicativo desenvolvido pelo médico  Reginaldo Albuquerque e o programador Thiago Neves. Eles tiveram a brilhante idéia de criar um aplicativo para plataforma Android (google) que vai ajudar os portadores de diabetes na difícil tarefa de controlar sua doença.

Sabemos que quase todos os diabéticos tipo 1 e muitos tipo 2 têm muitas oscilações glicêmicas durante o dia. Há uma ampla variabilidade na glicemia, principalmente devido a deficiência total de insulina nestes pacientes. Ocorre que para manter o bom controle é necesssário constantes testes de glicemia ao longo do dia, e nem sempre a pessoa...

Já há algum tempo vêm-se tentando desenvolver sensores de glicose não invasivos, já escrevemos colunas sobre o assunto no site da SBD. Várias formas de sensores estão em desenvolvimento, por exemplo, sensores via ph da respiração, sensores auriculares via wifi, relógios sensores, as tatuagens com nanopartículas e com leitores externos, sensores externos no abdômen como uma cinta, enfim, a luta para tentar eliminar as picadas nas pontas dos dedos é contínua e de longa data. 
 
Recentemente, saiu na imprensa leiga que a gigante Google está desenvolvendo lentes de contato sensores de glicose. A notícia diz que estes estudos já estão sendo realizados a algum tempo, mas não dão muitos detalhes sobre o produto. Precisão, acurácia, principalmente em situações de hipoglicemia, fator este que já fez alguns produtos pararem seu desenvolvimento (Glucowatch, por exemplo). Diz que o sensor dará uma medida a cada segundo, e nenhuma informação a mais. As...

O estudo ORIGIN é um grande ensaio clinico randomizado, multicêntrico com desenho fatorial 2x2 que procurou avaliar se o tratamento com reposição de insulina glargina, almejando uma glicemia normal de jejum (95mg/dl) poderia reduzir desfechos cardiovasculares  mais do que o tratamento padrão com drogas orais, em pacientes com pré-diabetes e/ou com diabetes tipo 2 de inicio recente em um período de 6 anos. O estudo também avaliou se a adição ou não de omega-3, 1g ao dia,  poderia também reduzir desfechos cardiovasculares.

Foram randomizados 12.537 pacientes em 573 sitios de 40 paises. Os pacientes incluídos tinham idade superior a 50 anos e apresentavam intolerancia à glicose, glicose de jejum alterada,  DM2 de inicio recente somente em dieta ou com tratamento oral em monoterapia com uma HbA1c<9,0%. Além disso, os pacientes deveriam ter alto-risco cardiovascular, seja por IAM prévio, AVC, revascularização prévia, angina com isquemia documentada ou ainda micro ou macroalbuminuria....

A questão dos adoçantes artificiais e seu potencial para induzir ganho de peso é uma polêmica que vem instigando o meio científico desde 1986. Naquele ano, logo após o lançamento do aspartame, um pequeno ensaio clínico randomizado com indivíduos saudáveis, publicado no Lancet, comparou o efeito da ingestão de água, água adoçada com sacarose e água adoçada com aspartame na sensação referida de fome minutos após a ingestão. Surpreendentemente a sensação de fome com aspartame foi maior comparativamente à sacarose. No mesmo ano, um estudo observacional com mais de 78.000 mulheres, realizado em Porto Rico, mostrou um aumento de risco para ganho de peso em mulheres que informavam fazer uso continuado de adoçantes artificiais por um periodo de 6 anos. Anos mais tarde, em 2008, 2 estudos observacionais: o ARIC e o San Antonio Heart Study, também mostraram uma moderada associação entre consumo de refrigerantes Diet e síndrome metabólica ou...

No início de maio, a FDA aprovou a nova combinação redutora de colesterol que inclui atorvastatina com a ezetimiba. A combinação,  chamada de Liptruzet nos Estados Unidos, foi aprovada para tratamento de elevações do LDL  em pacientes com dislipidemia primária ou combinada,  como adjuvante ao tratamento dietético, e será comercializada  em comprimidos diários contendo 10mg de ezetimiba com 10, 20, 40 e 80mg de atorvastatina.

A ezetimiba é uma droga capaz de bloquear seletivamente a absorção de colesterol biliar e do colesterol proveniente da alimentação através da inibição do transportador Niemann Pick C1-like1 (NPC1L1), uma proteína importante no transporte de colesterol pelo enterócito.  A ezetimiba reduz significativamente o LDLc, os triglicérides e a Apo B, além de aumentar o HDLc.  Como é minimamente absorvida, tem poucos efeitos adversos e é considerada segura.  Embora um possível aumento de risco de cancer tenha sido observado em pacientes com estenose aórtica no estudo SEAS, isto...

Nos últimos anos estivemos discutindo efusivamente os sucessos iniciais do LOOK AHEAD (Action for Health in Diabetes), o maior estudo de intervenção em estilo de vida em pacientes  com diabetes tipo 2 e sobrepeso já realizado até aqui. O estudo foi uma comparação entre alterações intensivas de estilo de vida - incluindo restrição calórica, atividade física e frequentes sessões de grupo - e um grupo controle onde era feito aconselhamento padrão para manejo do peso.  O objetivo foi demonstrar redução de eventos cardiovasculares, como IAM, AVC, angina e morte cardíaca, ao longo de um período de 11,5 anos. Os resultados mostraram perdas dramáticas de peso no primeiro ano que foram relativamente mantidas após 4 anos, além de reduções significativas nos triglicérides, aumento do HDLc, redução da necessidade de insulina e de hipoglicemiantes orais, redução da pressão arterial, da apnéia do sono, de marcadores inflamatórios, e uma melhora subjetiva do bem estar. Apesar...

No inicio de novembro, o American College of Cardiology e a American Heart Association publicaram uma nova diretriz para o controle do colesterol e redução de risco cardiovascular em adultos. Mudanças significativas nas recomendações para o uso de estatinas causaram grande polêmica na comunidade científica mundial. A ACC/AHA retiraram as metas de tratamento baseadas em valores absolutos de LDLc e passam a recomendar a estratificação de risco por meio de tabelas criadas a partir de um banco de dados agrupando vários estudos de coorte americanos. Mais ainda, pelos critérios estabelecidos, agora passam a ter indicação de estatinas os pacientes com baixo risco cardiovascular, definidos como tendo um risco entre 7,5% e 10% em 10 anos, abaixo portanto do que já era recomendado: entre 10-20%/10 anos. Presume-se que esta decisão deverá aumentar em 70% o número de pessoas saudáveis que passarão a receber estatinas nos Estados Unidos. Além disso, o tratamento...

A edição de Março da revista Diabetes Care apresenta um artigo original de certa forma surpreendente e ao mesmo tempo bastante interessante.

O estudo prospectivo de Jeon e cols examinou a associação de marcadores sorológicos de infecções crônicas (virais e bacterianas) e a incidência de Diabetes em uma coorte de Latinos (idade 60-101 anos) residentes na região de Sacramento (California).

Foram realizadas dosagens de anticorpos relacionados ao HSV1 (Herpes Simples Vírus1), Varicella, Citomegalovírus, Toxoplasma Gondii e Helicobacter Pylori. A soropositividade dos anticorpos foi correlacionada com a incidência de Diabetes nessa população específica.

Os resultados são extremamente interessantes e merecem uma reflexão cuidadosa sobre o assunto.

O editorial da mesma edição da revista faz uma avaliação crítica sobre esse trabalho e discute possíveis explicações para os achados do estudo. Vale a pena ler cuidadosamente.

Ainda dentro do contexto Estômago-Diabetes gostaria de compartilhar o trabalho de Crouch e cols que observaram a...

A ansiedade faz parte de qualquer gravidez. No caso das pacientes diabéticas, essa sensação não se resume a saber se o futuro filho será menino ou menina, parecido com o pai ou com a mãe, calmo ou manhoso. A gestante diabética quer saber, principalmente, se o diabetes irá prejudicar o seu bebê..

É certo que a gravidez da paciente diabética pode apresentar complicações que normalmente não ocorrem na mulher sem diabetes. Porém isso não significa que o problema irá acontecer. Há várias formas de prevenção e a futura mãe tem um papel decisivo nessa fase. Para ter um bebê saudável, basta que ela aprenda a controlar a sua gravidez.

Seguindo as recomendações da equipe de especialistas que vai acompanhá-la, a gestante terá todas as chances de não enfrentar qualquer contratempo. Essas recomendações giram sempre em torno do controle da glicemia e da programação da chegada do filho, que se inicia...

A cirurgia metabólica que  tem se mostrado eficaz na redução das comorbidades bem como  na remissão do diabetes é motivo de estudo em nosso meio. Precisamos conhecer melhor os mecanismos envolvidos na melhora do diabetes. Esta melhora ou até a remissão da doença, é ligada a redução de peso, aumento de GLP-1, queda da grelina ou um conjunto destes fatores?

As primeiras evidências de nível A de eficácia da cirurgia gastrointestinal em obesos diabéticos foram publicadas online pelo jornal  New England Journal of Medicine.

O estudo conduzido por Schauer da Cleveland Clinic , dentro de um ano, a remissão da taxa do diabetes com cirurgia bariátrica era aproximadamente 40% (bypass gástrico de 42%, manga gástrica de 37%) comparados a aproximadamente 12% para os pacientes conduzidos com o melhor tratamento disponível. Os pacientes tinham um índice de massa corporal (IMC) entre 27 e 43.

O Estudo ORIGIN (Outcome Reduction with an Initial Glargine INtervention) foi desenhado em 2002, tendo seu primeiro paciente aleatorizado em 2003 e o último em 2005. Foram 12.527 pacientes seguidos até dezembro de 2011. O objetivo do estudo ORIGIN era responder à seguinte pergunta: Os pacientes de alto risco para doença cardiovascular (DCV) com mais de 50 anos, portadores de diabetes tipo 2, diagnosticados até 1 ano ou poratdores de disglicemia (GJA ou TGD), se beneficiariam na redução de desfechos cardiovasculares com uso precoce de insulina, atingindo-se glicemia de 95mg/dl no jejum, comparando-se ao tratamento convencional (metformina e/ou sulfoniluréia)? Em outro braço, este duplo cego, os pacientes recebiam placebo ou Omega 3, na dose de 1 grama dia, com o mesmo propósito de desfecho.

Os resultados que foram apresentados hoje no American Diabetes Association 72nd Scientific Sessions, Philadelphia, mostraram que não houve nenhuma diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos, Insulina Glargina e tratamento convencional. Também...

Como sabemos, o Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença heterogênea caracterizada por defeitos na secreção de insulina e sensibilidade insulínica. A resistência insulínica é o fenômeno inicial e a função da célula beta declina gradualmente até surgir a hiperglicemia. Muitos mecanismos têm sido propostos como causas da resistência insulínica, tais como o aumento de ácidos graxos não esterificados, de citocinas inflamatórias e de adipocinas, além da disfunção endotelial e das células beta, glicotoxicidade, lipotoxicidade, defeitos na ação de incretinas (GLP1 e GIP) e depósito de substância amiloide [Stumvoll,2005 ; Nyenwe, (2011); DeFronzo 2009].

O bypass gástrico e outros tipos de cirurgia bariátrica têm mostrado serem efetivos no tratamento do diabetes tipo 2, diminuindo a mortalidade a longo prazo, em comparação com o melhor tratamento clínico [Buchwald, 2009; Sjostrom, 2007;  Sjostrom, 2004]. Em seguimento de até 14 anos, observou-se remissão do DM2 em 83% dos pacientes submetidos ao bypass...

 Iniciar e aderir à insulinização é uma tarefa difícil, muitas vezes sofrida para o paciente, e que vem acompanhada de “lendas sociais negativas” e das barreiras do ponto de vista médico e do paciente.

A palavra insulina não raramente acompanha a leitura de “castigo, não seguimento das recomendações nutricionais e de atividade física, última opção, etc.” e dificilmente é encarada pelo ponto positivo, de alcance de metas glicêmicas com maior facilidade e prevenção das complicações da doença, com melhora da qualidade de vida.

Lembramos de tudo isso ao prescrever uma insulina ou ao receber a receita de um médico? Sabemos exatamente qual o universo envolvido nesta prescrição? Há mais de uma década institui-se o conceito de Resistência Psicológica à Insulina (PIR), uma relutância do paciente para iniciar a insulinização após a concordância com a nova terapia.

Um estudo publicado recente na revista Diabetes Care recordou uma dura estatística: 4.5 %...

O controle glicêmico adequado é fundamental na prevenção de complicações crônicas relacionadas ao Diabetes. Entretanto, apesar dos grandes avanços no tratamento, a maioria dos pacientes (mais de 70%) está fora das metas de bom controle glicêmico, sendo o tratamento um enorme desafio para o paciente, familiares, médicos e toda a equipe envolvida na assistência.

O enorme impacto no dia a dia dos pacientes causado pelo tratamento é aspecto fundamental no entendimento deste desafio. A literatura médica mostra diversas evidências de que um programa de educação continuada em Diabetes é ferramenta essencial para que se consiga alcançar bom controle da doença.

As chances de sucesso são maiores à medida que o paciente tenha consciência e entenda não apenas a importância do bom controle para a saúde e prevenção de complicações, como também o papel das medicações, noções básicas do metabolismo de glicose, nutrição, uso de monitores de glicose, cuidados com os pés, atividade...

A hipoglicemia no tratamento do diabetes, principalmente nos usuários de insulinas, na maioria das vezes resulta de uma incompatibilidade entre doses de insulinas, ingestão de alimentos e atividade física. Os sintomas, além de causarem mal estar, se não adequadamente tratados, podem ser a causa de ansiedade e pânico em diabéticos e cuidadores, ocupando hoje destaque entre as barreiras no tratamento intensivo do diabetes, sendo um fator limitante no alcance das metas de bom controle glicêmico.

E como lidar com essa situação? Educando em Diabetes. Quanto mais educado em Diabetes, menor o medo!

Dentro de um programa de educação é importante que pacientes e familiares sejam capacitados para o manejo básico dos episódios de hipoglicemias. Assim, vamos às regras básicas:

1- Definição de Hipoglicemia

No tratamento do diabetes, glicemias menores que 70 mg/dL são classificadas como hipoglicemias.

2- Reconhecimento dos sintomas

Além dos sintomas classicamente conhecidos, como tremores, palpitações, sudorese, fome...

Muitas doenças, principalmente quando acompanhadas de febre, aumentam os níveis das glicemias devido à liberação de hormônios de estresse, gerando um aumento na necessidade de insulina (seja a aplicada ou a produzida pelo próprio corpo).

Doenças associadas com vômitos e diarréia (exemplo: gastroenterite, muito comum na infância e adolescência) podem diminuir as glicemias e causar mais hipoglicemias do que hiperglicemias, devido à menor ingestão alimentar e pobre absorção dos nutrientes.

Algumas vezes a necessidade aumentada de insulina começa alguns dias antes da manifestação da doença e persiste até poucos dias depois da melhora do quadro clínico.

Regra geral nos dias de doença:

- NUNCA INTERROMPER O USO DA INSULINA: em presença de baixa ingestão alimentar é muito comum que as doses de insulinas não sejam aplicadas. Entre em contato com a equipe de saúde antes de qualquer atitude.

- MONITORAR A GLICEMIA MAIS FREQUENTEMENTE: as monitorizações domiciliares, entre 4-6 vezes...

A medida das glicemias na madrugada (por volta das 03h), indicada principalmente para os diabéticos tipo 1, que usam insulinas em múltiplas aplicações diárias, não raramente vem acompanhada de uma queixa, como:  “é chato, dá sono, é cansativo, eu esqueço, etc..”.

As medidas destas glicemias são importantes e essenciais para o sucesso do tratamento. Entenda a importância desta atitude e torne estas medidas uma arma poderosa no seu dia a dia.

FENÔMENO DO ALVORECER
X
EFEITO SOMOGYI

O diabético pode apresentar durante o seu tratamento 2 fenômenos importantes que ocorrem na madrugada:

1-    Fenômeno do Alvorecer: aumento nas glicemias que ocorrem nas primeiras horas da manhã, entre 05h e 08h. Durante a noite, o corpo libera um grupo de hormônios conhecidos como contra-reguladores, que são adrenalina, glucagon, cortisol e GH (hormônio do crescimento).  Estes hormônios estimulam a liberação de glicose pelo fígado e suprimem a atividade da insulina, causando aumento nas...

O Diabetes é uma doença crônica que demanda muitos cuidados, tanto físicos quanto psíquicos. No entanto, ela é controlável e o diabético pode canalizar sua energia para conseguir assumir esse controle assegurando uma melhor qualidade de vida.

A adaptação à nova rotina constitui-se num verdadeiro desafio, visto implicar em ajustamento a uma situação que exige alterações nas atividades da vida diária. Reações como negação, tristeza, confusão, constrangimento, raiva, ansiedade, desamparo e impotência são comuns, mas merecem ser escutadas e tratadas, para que se possa chegar à adaptação e melhor relação com a nova realidade.

O mais importante para lidar com tais sentimentos é que eles estejam claros para aqueles que os vivenciam. É também muito saudável procurar entendê-los, sem tentar reprimi-los. Alguns podem exigir cuidados imediatos, outros precisam ser vividos e compartilhados.

Estar sempre bem informado sobre a doença e sobre os cuidados necessários ajuda a não se impor limites...

Com o crescente aumento no número de casos de Diabetes Mellitus em todo o mundo, devemos ter atenção às complicações que podem estar associadas com o passar dos anos de diagnóstico da doença. Nosso olhar deve se focar nos rins, olhos e também nos pés.

A neuropatia diabética é a presença de sinais e sintomas de disfunção dos nervos periféricos em pessoas com diabetes. Esta lesão nos nervos periféricos, conseqüentes à hiperglicemia crônica, pode ocasionar perda de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa. Em alguns casos está também associada à lesão de fibras nervosas grossas, com alterações na sensação vibratória e perda da sensibilidade protetora dos pés.

É comum também, em presença de neuropatia, as alterações biomecânicas dos pés, que evoluem com deformidades e alterações nos pontos de pressão plantar, predispondo a ulcerações.

A presença da neuropatia é um fator de risco para o desenvolvimento do pé diabético, que neste caso, recebe...

O diabetes pode influenciar na saúde da boca, assim como as doenças da cavidade oral podem prejudicar o controle da glicemia. Atenção!

Assim como acontece em qualquer infecção, a doença periodontal pode dificultar o controle do diabetes. Mais do que isso, ela está ligada ao controle metabólico de modo bidirecional, influenciando e sofrendo influência do diabetes.

As doenças mais comuns na boca são:

1- Gengivite: é um estágio inicial da doença gengival e se caracteriza por gengivas vermelhas, inchadas ou flácidas e que podem sangrar durante a escovação ou o uso do fio dental.

2- Periodontite: é a progressão da gengivite não cuidada e que ataca e com o tempo destrói as estruturas que envolvem e sustentam os dentes, atingindo a gengiva, o osso da boca e a raiz do dente.

Outras doenças da boca:

HALITOSE (mau hálito): o portador de diabetes descontrolado pode apresentar odor semelhante ao cheiro de maçã...

A automonitorização é parte fundamental dos cuidados no diabetes e valores reais são fundamentais para o ajuste dos medicamentos, alimentação e exercícios. A orientação inicial para realização adequada da automonitorização glicêmica é lavar bem as mãos com água e sabão e secar antes do procedimento ou realizar limpeza local com algodão e álcool. Na correria do dia a dia observamos que isso nem sempre é realizado e as variações nos valores glicêmicos com técnicas não adequadas são pouco estudadas.

Um estudo publicado recentemente na revista Diabetes Care demonstrou alguns valores que valem a pena conferir, na tentativa de aprimorarmos constantemente essa técnica, que parece a olhos leigos “tão simples”.

Os pesquisadores avaliaram as concentrações glicêmicas em 123 diabéticos, na primeira e segunda gota de sangue utilizada para monitorização da glicemia, após lavagem correta das mãos e expostos a diferentes situações:

  • Sem lavar as mãos;
  • Após exposição das mãos a frutas;
  • Após exposição...

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