A Administração de Drogas e Alimentos (FDA) e a Comissão Federal de Comércio (FTC), dos Estados Unidos, iniciaram, no ano passado, uma campanha para coibir a veiculação de anúncios e vendas de produtos que são apresentados como eficazes para o controle do diabetes mas que, na verdade, constituem-se em falsos tratamentos. A FDA e a FTC também desenvolveram uma estratégia para evitar que empresas localizadas em países vizinhos aos Estados Unidos, como o Canadá e o México, também possam ser alcançadas por medidas legais sempre que veicularem informações sobre venda de produtos falsamente destinados ao controle do diabetes. Já foram identificados na Internet 112 sites que vendem ou propagam esses falsos tratamentos, sendo 84 sites localizados nos Estados Unidos, 7 no Canadá e 21 em outros países.

A ilustração mostra o anúncio do produto peruano, com o atraente apelo “diga adeus à insulina”.

Há algumas semanas, recebi um e-mail de uma empresa...

A evolução do conhecimento médico torna indispensável a revisão periódica dos conceitos vigentes. No transcorrer de cada ano, as entidades nacionais e internacionais ligadas ao diabetes produzem farto material de atualização sobre a doença. A American Diabetes Association (ADA) publica, em janeiro de cada ano, uma revisão de suas recomendações sobre os padrões de cuidados médicos em diabetes. Nesta atualização, vamos abordar algumas das novas recomendações da ADA de maior impacto clínico, utilizando um formato didático e simplificado. Um maior detalhamento dos tópicos abordados neste artigo pode ser obtido através de consulta às referências bibliográficas mencionadas.

RESUMO DE ATUALIZAÇÃO SOBRE OS NOVOS PADRÕES DA ADA PARA A PRÁTICA CLÍNICA EM DIABETES  

1. O teste de hemoglobina glicada (A1C) está agora indicado como um dos parâmetros para o diagnóstico do diabetes e de pré-diabetes.

O diagnóstico de diabetes pode ser feito quando o nível de A1C for superior a 6,5%. Valores...

A polêmica sobre o uso da A1C como parâmetro diagnóstico do diabetes e do pré-diabetes ainda está longe de ser resolvida. Ainda existem aspectos importantes que precisam ser esclarecidos antes que essa proposta seja definitivamente incorporada nas práticas médicas usuais na atenção ao diabetes. Do ponto de vista conceitual, o teste de hemoglobina glicada reflete efetivamente a MÉDIA de controle glicêmico dos últimos 2 a 4 meses sendo, portanto, um reflexo mais confiável da existência de hiperglicemia importante, em comparação a resultados pontuais dos testes de glicemia atualmente utilizados para a caracterização clínica e laboratorial do diabetes e do pré-diabetes.

De acordo com os conceitos tradicionalmente vigentes, os pontos de corte para a caracterização do pré-diabetes estão definidos entre 100 mg/dL e 126 mg/dL. Acima desse último valor, estaria caracterizada a presença do diabetes. Surge então a pergunta óbvia: não estaríamos utilizando padrões extremamente simplistas para o diagnóstico dessas condições,...

A edição Online First do New England Journal Medicine (NEJM) de hoje, 14 de março de 2010, nos traz os resultados de dois grandes estudos (ACCORD e NAVIGATOR), cujos resultados contestam conceitos tradicionais nas áreas de cardiologia diabetológica e prevenção do diabetes. 

Resultados preliminares do estudo ACCORD mostraram que uma estratégia muito intensificada de controle glicêmico aumentou o risco de morte em pacientes diabéticos, muito embora essa conclusão tenha sido recentemente contestada por uma metanálise publicada no Lancet [1]. Agora, a publicação do NEJM traz os resultados do braço do estudo ACCORD que avaliou o impacto do controle intensivo da pressão arterial [2], bem como a eficácia da terapia de combinação para o controle de lípides no paciente diabético [3]. 

Até agora, não havia evidência de estudos randomizados para se adotar metas abaixo de 135 a 140 mmHg para a pressão sistólica em portadores de diabetes tipo 2 (DM-2), muito embora a meta de...

Reprodução de artigos, publicados nos jornais Valor Econômico e Folha de S&atild
Jornal Valor Econômico - 02/06/2008

Células-Tronco e Medicina Regenerativa 
(Por Reinaldo Guimarães - Secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde)

O tema é relevante, logrou mobilizar argumentos e paixões de importantes segmentos da sociedade e, uma vez mais, reiterou o caráter laico do Estado brasileiro.

Com a decisão do Supremo Tribunal Federal, de 29/05, a Lei de Biossegurança prosseguirá tendo vigência integral e os pesquisadores continuarão a trabalhar com células-tronco de todos os tipos, inclusive asembrionárias humanas.

A utilização experimental de células-tronco humanas adultas, embrionárias ou adultas induzidas àtotipotência, é apenas um capítulo de um conjunto maior de tecnologias, denominadas terapias celulares. Essas, por sua vez, são parte de um novo e promissor campo da medicina denominado medicina regenerativa, que ainda engatinha em suas potencialidades. Confirmadas, talvez se possa falar no estabelecimento de um novo paradigma no cuidado à saúde humana.

A modernidade instituiu um paradigma crescentemente intervencionista...

Tecnicamente, existe uma diferença conceitual importante entre eficácia e efetividade. O termo eficácia refere-se aos resultados positivos de uma determinada intervenção ou de um determinado tratamento, em condições operacionais controladas como, por exemplo, no decorrer de um estudo clínico. Por outro lado, o termo efetividade representa a obtenção de resultados positivos de uma intervenção ou tratamento mas em condições não controladas de vida real, na prática clínica diária. Do ponto de vista prático, o que importa é a efetividade. Numa condição de estudo clínico, por exemplo, a aderência do paciente é exigida para que ele continue participando da pesquisa e, por isso, o próprio paciente sente-se motivado a aderir às recomendações e aos tratamentos ministrados. Entretanto, é importante ressaltar que um determinado tratamento pode demonstrar eficácia em condições controladas, mas não demonstrar efetividade na vida real, muitas vezes por falta de adesão ou de motivação do paciente.

Talvez o exemplo...

O JAMA, o importante jornal científico da Academia Americana de Medicina, acredita que o "Grande Debate para o Ano de 2008" será sobre os valores a serem atingidos para a pressão arterial e o LDL- colesterol, em pacientes diabéticos.

O artigo foi publicado por Eric D, Peterson e é objeto de um editorial publicado no número de 9 de abril de 2008, com o título "The Great Debate of 2008 - How Low to GO in Preventive Cardiology ?"

O debate, já neste início de 2008, tem sido muito intenso, embora não seja novo e entrou na agenda da campanha das eleições americanas deste ano, mas os candidatos têm diferentes pontos de vista e conclusões, principlamente depois de alguns ensaios clínicos que tem mostrado posições divergentes. Veja alguns destes estudos nos nossos links ao lado.

Alguns estudiosos tem à convicção de quanto mais baixo, melhor, com a possível redução de futuros eventos,...

Introdução

Em fevereiro de 2008, o site da SBD, mostrando agilidade e independência no acompanhamento dos fatos de relevância científica, publicou a seguinte matéria na coluna “Debates”, de autoria do Dr. Augusto Pimazoni:

“A primeira bomba do ano explodiu em 16 de janeiro, quando foram anunciados os resultados do Estudo ENHANCE, que avaliou os efeitos da combinação de uma estatina (sinvastatina) com um bloqueador da absorção intestinal do colesterol (ezetimiba), em comparação com a sinvastatina em monoterapia. O desfecho primário foi medido através da avaliação da espessura da camada íntima média da artéria carótida.

No conceito clássico, quanto maior o nível de colesterol LDL, maior seria o aumento dessa espessura, acelerando o processo de obstrução arterial pela formação de placas de aterosclerose.

Pois bem, a combinação sinvastatina + ezetimiba cumpriu sua finalidade terapêutica de promover uma redução de 58% nos níveis de colesterol LDL, contra uma redução de apenas 41% conseguida pela sinvastatina em monoterapia. 

Portanto, de acordo com a...

Técnica inédita confirma o papel potencial da microbiota intestinal nos distúrbios glicêmicos e no metabolismo lipídico em obesos.

Não se assuste. É isso mesmo que você leu acima: pacientes obesos e com pré-diabetes melhoram a sensibilidade à insulina depois de transplante fecal com material obtido de doadores magros e saudáveis.

Estudos animais já haviam confirmado uma associação entre a obesidade e a microbiota intestinal: animais que receberam bactérias de fezes de camundongos obesos apresentaram um aumento significativamente maior da gordura corpórea total do que aqueles colonizados com a microbiota de camundongos magros.

Esse estudo promoveu grande interesse e intenso debate sobre sua aplicabilidade prática depois de sua apresentação no recente Congresso Europeu de Diabetes, realizado na semana passada, em Estocolmo. Foi um estudo piloto, randomizado e controlado, avaliando o efeito do transplante de fezes para o controle de disfunções metabólicas importantes no homem.

Foram incluídos 18 pacientes do sexo masculino...

Em janeiro de cada ano, a American Diabetes Association publica uma revisão dos padrões e recomendações para os cuidados médicos de pessoas com diabetes. Este nosso artigo resume os principais tópicos abordados na publicação Standards of Medical Care in Diabetes – 2011.

Critérios atuais para o diagnóstico do diabetes

Não houve modificações quanto aos critérios recomendados para o diagnóstico do diabetes em relação a 2010. Assim, os seguintes critérios foram revalidados para fins diagnósticos: A1C ≥ 6,5%; glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL; glicemia pós-prandial de 2 horas ≥ 200 mg/dL durante teste oral de tolerância à glicose, com a utilização de uma carga de 75 g de glicose em água; glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL, na presença de sintomas clássicos de hiperglicemia.

Rastreio para diabetes em indivíduos assintomáticos

O teste de rastreio para a detecção de diabetes tipo 2 (DM2) e para a avaliação do risco futuro para diabetes...

Não é novidade para ninguém que o diabetes está relacionado com várias complicações crônicas, principalmente as de caráter microvascular. Por outro lado, o que talvez poucos saibam, é que 10% a 15% das pessoas com diabetes nunca desenvolvem as complicações clássicas da doença. Qual seria o segredo desse mecanismo protetor? Pesquisadores suecos da Lund University Diabetes Center irão pesquisar esse assunto através do Estudo PROLONG (Protective Genes in Diabetes and Longevity).

Na Suécia, há 12.000 pessoas com diabetes há mais de 30 anos, das quais 1.600 há mais de 50 anos. Cerca de 2/3 dessa população com mais de 50 anos de diabetes (± 1066 pessoas) nunca apresentou complicações, o que leva os autores a acreditar que essas pessoas efetivamente são diferentes das outras que constituem a maioria da população diabética.

O Estudo PROLONG tentará identificar as causas desse invejável mecanismo protetor, selecionando inicialmente uma população de pessoas com diabetes...

A situação do controle glicêmico no Brasil é desastrosa e altamente preocupante: 90% dos diabéticos tipo 1 e 73% dos diabéticos tipo 2 estão com o diabetes fora de controle. Uma das principais causas dessa situação é a falta de uma prática adequada de automonitorização da glicemia, o que retarda o diagnóstico do descontrole e não permite ao médico tomar decisões terapêuticas mais eficazes, exatamente pela falta de conhecimento do estado do controle glicêmico de seus pacientes.

A maioria dos pacientes simplesmente não dispõe dos monitores de glicemia e das tiras reagentes para essa prática. Dentre os que dispõem desse recurso, a grande maioria o utiliza de maneira equivocada, seja realizando os testes de forma totalmente aleatória e não freqüente, seja realizando seus testes sempre à mesma hora do dia, em geral sempre em jejum. Assim procedendo, o paciente jamais poderá conhecer o real estado de seu controle glicêmico: ele poderá...

Os relatos de efeitos colaterais sérios de medicamentos contra diabetes vêm se transformando numa angustiante rotina para todos aqueles que têm sob sua responsabilidade proporcionar o melhor e mais seguro esquema terapêutico para seus pacientes com diabetes. Com raras exceções, muitos dos fármacos lançados mais recentemente estão sob suspeita de aumentar o risco de diversos tipos de câncer e/ou o risco cardiovascular, muito embora jamais se tenha comprovado, de maneira indiscutível, esse suposto aumento de risco.

Normas recentes emanadas pela Food and Drug Administration, dos Estados Unidos, exigem avaliações muito mais rigorosas de possíveis efeitos colaterais mais sérios que impliquem em aumento de risco de câncer ou de outras patologias de maior significado clínico e epidemiológico. Estudos especificamente desenhados para avaliar questões de segurança de uso são hoje exigidos com o máximo rigor pelas autoridades regulatórias. Por outro lado, as metanálises conduzidas para fins de avaliação de segurança dos fármacos acabam...

De tempos em tempos, os adoçantes artificiais e os refrigerantes dietéticos são acusados de promover efeitos indesejáveis sobre o organismo como, por exemplo, o aumento do risco de obesidade e mesmo de diabetes. Os resultados do San Antonio Longitudinal Study of Aging, apresentado no Congresso da ADA, em junho último, mostrou uma associação entre o consumo de refrigerante dietético com um aparentemente inexplicável aumento da circunferência abdominal. Como isso seria possível?

O estudo acompanhou 474 participantes, com idades entre 65 e 74 anos, por um prazo médio de 9 anos, avaliando as alterações na circunferência abdominal durante o tempo em relação ao consumo de refrigerantes dietéticos pelos participantes. Os resultados mostraram que houve um aumento de 70% na circunferência abdominal, em comparação a aqueles que não consumiam refrigerantes dietéticos. Aqueles que consumiam dois ou mais refrigerantes dietéticos por dia apresentaram um aumento cinco vezes maior na circunferência abdominal, mesmo excluindo a...

O estudo Look AHEAD (Action for Health in Diabetes) teve por objetivo avaliar se as intervenções de estilo de vida que resultam em perda de peso também reduziriam as taxas de doença cardíaca, acidente vascular cerebral e mortes cardiovasculares em pessoas com diabetes tipo 2 (DM2) apresentando sobrepeso ou obesidade. O estudo incluiu 5.145 pessoas e foi conduzido em 16 centros de pesquisa nos Estados Unidos. Esses pacientes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de intervenção: uma intervenção intensiva de estilo de vida ou um programa geral de apoio e educação em diabetes. Ambos os grupos receberam cuidados médicos de rotina.

Apesar de muito bem planejado, o estudo foi interrompido precocemente, em setembro de 2012, após a constatação de que as pessoas obesas e com DM2 podem perder peso e manter essa perda com intervenções de estilo de vida, porém, não obtêm benefícios cardiovasculares. Ou seja, embora o estudo indicasse...

Tecnicamente, existe uma diferença conceitual importante entre eficácia e efetividade. O termo “eficácia” refere-se aos resultados positivos de uma determinada intervenção ou de um determinado tratamento, em condições operacionais controladas como, por exemplo, no decorrer de um estudo clínico. Por outro lado, o termo “efetividade” representa a obtenção de resultados positivos de uma intervenção ou tratamento, mas em condições não controladas de vida real, na prática clínica diária. Do ponto de vista prático, o que importa é a efetividade. Numa condição de estudo clínico, por exemplo, a aderência do paciente é exigida para que ele continue participando da pesquisa e, por isso, o próprio paciente sente-se motivado a aderir às recomendações e aos tratamentos ministrados. Entretanto, é importante ressaltar que um determinado tratamento pode demonstrar eficácia em condições controladas, mas não demonstrar efetividade na vida real, muitas vezes por falta de adesão ou de motivação do paciente.

Talvez o exemplo mais expressivo dessa diferença entre...

Há muitos anos atrás, o extrato da planta Galega officinalis demonstrou importante efeito terapêutico ao reduzir os sinais e sintomas clássicos de diabetes melito descompensado. Em seguida, quando foi melhor estudada demonstrou ser rica em guanidina, um composto altamente tóxico para o uso clínico diário. Por isso, em 1920 dois compostos químicos foram sintetizados, decametilene biguanida (Sintalina A) e dodecametilene biguanida (Sintalina B) que demonstraram boa tolerância e eficácia como opção terapêutica para o diabetes.
Quase dez anos após, na Alemanha, foi sintetizada a dimetil biguanida, denominada metformina onde se tornou disponível para o uso no tratamento do diabetes melito. Mas na época, coincidente com o advento da insulina a metformina foi automaticamente esquecida como alternativa terapêutica. Em 1950, foram melhor estudas as suas atividades farmacológicas e liberadas em vários países europeus durante muito tempo, mas somente em 1995 foi aprovada nos EUA pela Food and Drug Administration (FDA).

Atualmente, a...

A síndrome denominada de morte súbita no leito ou como originalmente descrita no idioma inglês Dead in Bed syndrome foi descrita pela primeira vez em pacientes com diabetes melito tipo 1 em 1991 pelos pesquisadores Tattersal RB e Gil GL. Essa entidade clínica caracteriza-se por morte súbita no leito durante a noite em indivíduos jovens com diabetes melito tipo 1.

Normalmente, esses pacientes são encontrados mortos no leito sem qualquer sinal de violência física ou de envenenamento que pudesse ser suspeitado como causa da morte. De comum entre eles, os familiares referiram vários episódios prévios de hipoglicemias graves. Inicialmente, como causa dessas mortes foi levantada à hipótese de taquiarritmia ventricular precipitada pelas hipoglicemias graves noturnas, principalmente em pacientes com sinais clínicos sugestivos de neuropatia autonômica cardíaca.   

Mais recentemente, foi demonstrado em pacientes com diabetes melito tipo 1 monitorados por meio de eletrocardiograma que durante os episódios de hipoglicemias graves...

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e UNAIDS (ONU), há no mundo 33 milhões de indivíduos portadores de HIV-AIDS. A boa notícia é que houve redução da prevalência em 16% e da mortalidade em 27,5% em relação à última avaliação.

Os países mais prevalentes são os africanos localizados abaixo do Saara com 22,5 milhões de pessoas afetadas. A mortalidade por AIDS teve queda significativa a partir de 1995 com a introdução no arsenal terapêutico, dos chamados inibidores de proteases e ao longo desses últimos anos, de outros novos antiretrovirais. Na prática, AIDS pode ser hoje considerada uma doença crônica.

Com o aumento da sobrevida desses pacientes, decorrentes dos efeitos colaterais da terapia antiretroviral e da própria ação de proteínas virais, passamos a diagnosticar ao longo da evolução as denominadas alterações metabólicas, mais especificamente a hipertrigliceridemia, o aumento de LDL-C, a redução de HDL-C, as lipodistrofias e graus...

O diabetes melito é uma doença tão antiga quanto à própria humanidade. O papiro de Ebers, manuscrito da época 1500 a.C., menciona esta entidade e chama a atenção para a diurese freqüente e abundante, sede incontrolável e emagrecimento acentuado como suas principais manifestações clínicas.

Aretaeus, médico romano, criou o termo dia-betes que significa “passar através” devido à excessiva diurese, um dos sintomas mais evidentes da doença, ser parecido à drenagem de água por meio de um sifão. No século VI, médicos hindus descreveram mais detalhadamente alguns sintomas da doença e relataram pela primeira vez, o sabor adocicado da urina destes indivíduos.

Em 1869, Langerhans identificou conjuntos de células no tecido pancreático que denominou de ilhotas celulares.

Em 1889, na França, Joseph Von Mering e Oskar Minkowski da Universidade de Strasbourg durante pesquisas sobre a digestão de gorduras observaram que a remoção do pâncreas de cães desencadeava sinais e sintomas similares aos de...

O diabetes melito é hoje considerado mundialmente uma doença epidêmica e do ponto de vista de saúde pública é sem a menor sombra de dúvida um dos maiores desafios para o século 21. Atualmente, para uma população mundial próxima de 7 bilhões o diabetes acomete 285 milhões de pessoas e o estado de intolerância à glicose, denominado de pré diabetes 344 milhões. De acordo com a International Diabetes Federation (IDF), a projeção desses dados para 2030 em uma população mundial esperada de 8,4 bilhões de pessoas, 439 e 472 milhões terão diabetes e pré diabetes, respectivamente.

Diante desse quadro, a meta terapêutica é à busca do controle glicêmico o mais próximo possível dos valores de não diabéticos, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida desses indivíduos e reduzir o risco e a progressão das chamadas complicações de longo prazo, tais como as micro e macroangiopatias.

Atualmente, a grande preocupação em...

Pacientes com Diabetes Melito, normalmente evoluem com risco aumentado de doença micro e macrovascular. Não existem mais dúvidas quanto ao benefício do tratamento intensivo da glicemia em relação à retinopatia, nefropatia e neuropatia, mas quanto à doença macrovascular os múltiplos ensaios clínicos ainda não conseguiram demonstrar resultados favoráveis.  

Obviamente, o tratamento mais rigoroso da glicemia pode aumentar o risco de episódios hipoglicêmicos graves. Atualmente, a associação de eventos hipoglicêmicos graves e o risco de doenças cardiovasculares são objeto de muitos estudos e debates. Mas, recentemente, vários ensaios epidemiológicos têm demonstrado a associação de crises hipoglicêmicas graves e risco aumentado de mortalidade cardiovascular. É sabido que valores glicêmicos abaixo de 70mg/dL provocam a liberação de vários hormônios e neuro transmissores entre eles, o glucagon, o cortisol, a adrenalina e a noradrenalina.  

Esses dois últimos compostos provocam profundos efeitos sobre o miocárdio e também, sobre os vasos sanguíneos. Entre eles,...

A molécula de hemoglobina é uma proteína de estrutura quaternária encontrada nas hemácias e que tem como função a distribuição de oxigênio nos diferentes tecidos do organismo.

Essa proteína é composta por duas cadeias α com 141 aminoácidos e duas cadeias β com146 aminoácidos ligadas a quatro grupamentos heme, sendo que cada um deles contém um átomo de ferro. A chamada hemoglobina A1c ou hemoglobina glicada é produto de uma modificação pós-traducional, que na realidade, é uma glicação na posição N terminal da valina da cadeia β.

Na prática clínica há inúmeras entidades nosológicas que envolvem a estrutura da hemoglobina, incluindo alterações secundárias a mutações nos genes que expressam o grupamento heme, resultando assim em microcitose e anemia. Também existem as hemoglobinopatias adquiridas, como por exemplo, a carboxihemoglobina que é associada ao hábito de fumar e a carbamilhemoglobina que é observada nos pacientes que evoluem com uremia.

Historicamente, pela primeira...

Na prática médica, os diversos graus de alterações depressivas estão entre os mais comuns problemas psicológicos encontrados pelos profissionais de saúde. Atualmente, dados mais recentes de literatura indicam que menos de 30% desses indivíduos fazem algum tipo de tratamento especializado. Entre as razões para justificar esse baixo índice seriam a dificuldade no diagnóstico adequado e também, a refratariedade da família ou do próprio paciente em procurar um profissional certo com perfil apropriado para tal cuidado.

Além disso, a associação de outras doenças crônicas, tais como o diabetes melito, hipertensão arterial, obesidade e outras se tornam ainda mais complexo o cuidado a esses pacientes. Os pacientes com diabetes melito e depressão tem pior qualidade de vida, maior dificuldade para o controle metabólico e consequentemente, maior risco de desenvolvimento de complicações de longo prazo. Do ponto de vista científico, não está muito claro se o diabetes aumenta o rico de depressão ou...

A molécula dimetil biguanida ou metformina foi sintetizada na Alemanha em 1930. Após vários estudos de suas propriedades farmacológicas e terapêuticas na década de 1950 apenas a partir de 1970 o seu uso para o tratamento de Diabetes Melito foi difundido nos países europeus.

Devido ao risco de acidose lática, um efeito adverso sério da fenformina que antecedeu a molécula de metformina, somente em 1995 o seu uso foi liberado nos Estados Unidos pela Food and Drugs Administration (FDA). No Brasil, a metformina tornou-se disponível a partir de 1980. Mas, depois da publicação do ensaio clínico UK Prospective Diabetes Study (UKPDS) em 1998 pode-se demonstrar com base em evidências a eficácia terapêutica da metformina.

Inclusive, quando foi estudada em um subgrupo de obesos desse ensaio, observou-se a redução de risco relativo de 39% de infarto agudo do miocárdio e de 41% de acidente vascular cerebral. Mais recentemente foram observados por meio de ensaios...

A variabilidade glicêmica (VG) que ocorre nos pacientes com diabete melito pode ser conceituada como sendo diversas flutuações glicêmicas diárias que se diferenciam em números e duração. A VG desencadeia o estresse oxidativo e potencialmente pode contribuir para o desenvolvimento de complicações de longo prazo do diabete melito. Além disso, a VG tem sido associada com aumento de risco de hipoglicemias graves, disfunção endotelial e consequente, mortalidade cardiovascular. O estresse oxidativo, portanto, pode ser entendido como sendo um acúmulo de radicais livres, entre eles, ânions superóxido, peroxinitrito, nitrosamina e outros.

A formação de radicais livres ocorre devido à superprodução mitocondrial ou a não inativação por parte dos chamados antioxidantes naturais ou ambos. Os radicais livres desencadeiam a ativação de várias vias metabólicas deletérias ao organismo como, por exemplo, a ativação de isoformas da Protein Kinase C (PKC) e formação de Advanced Glycation End-Products (AGEs). Resultante disso, temos anormalidades do fluxo...

O diabete melito tipo 2 (DM2) é uma doença crônica, heterogênea e que evolui com falência progressiva de células β e resistência à insulina. Quando não tratada de forma adequada cursa com estresse oxidativo celular que contribui de forma direta para o desenvolvimento de disfunção endotelial e também, fenômenos pró-aterogênicos com consequências clínicas devastadoras em longo prazo. Ambas as complicações, microvasculares e macro vasculares, as quais incluem retinopatia, nefropatia, neuropatia, infarto agudo de miocárdio e acidente vascular cerebral são comumente associadas ao diabete melito tipo 2. Na prática, a dosagem de hemoglobina glicada que reflete a média da glicose sanguínea de um período de 60 a 90 dias é considerada padrão ouro para a monitorização do controle metabólico do diabetes. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes e também, outras diretrizes de diferentes entidades preconizam como meta de bom controle a hemoglobina glicada < 7,0%. Infelizmente, apenas a metade...

É bem conhecido que o diabetes mellitus tipo 2 está associado com o risco aumentado de complicações microvasculares, tais como nefropatia, retinopatia e neuropatia, bem como complicações macro vasculares que incluem o infarto agudo de miocárdio e acidente vascular cerebral. Indivíduos com diagnóstico de diabetes tem o mesmo risco de sofrer infarto agudo de miocárdio quando comparados com os nãos diabéticos que já o sofreram previamente. Aproximadamente, 50% dos pacientes com diabetes tipo 2 morrem devido à doença cardiovascular, principalmente infarto agudo do miocárdio. Também, não há dúvidas que o controle rigoroso de glicose plasmática reduz o risco de complicações microvasculares. A Sociedade Brasileira de Diabetes e a American Diabetes Association preconizam como meta terapêutica a hemoglobina glicada abaixo de 7%, enquanto a Associação Americana dos Endocrinologistas Clínicos recomenda abaixo ou igual a 6,5%.

Estudos observacionais têm ao longo do tempo demonstrado associação de hiperglicemia e doença cardiovascular, mas os três mais...

O diabete melito é uma síndrome metabólica crônica que clinicamente se manifesta com hiperglicemia sustentada e se não tratada adequadamente, evolui com complicações vasculares de pequenos e grandes vasos. Do ponto de vista epidemiológico, tanto o diabete tipo 1 como o tipo 2, são considerados epidêmicos devido à crescente incidência e prevalência. A título de exemplo, hoje a incidência de diabete melito tipo1 cresce 3% ao ano. Atualmente, de acordo com a International Diabetes Federation-IDF para a população mundial de sete bilhões de pessoas a prevalência de pré-diabetes e de diabetes é de 344 e 285 milhões, respectivamente. Mas ainda, o mais importante e preocupante é que para o ano 2030 com a população esperada de 8,4 bilhões de pessoas a expectativa de pré-diabetes e de diabetes é de 472 e 439 milhões, respectivamente. Portanto, tanto o pré-diabetes como o diabetes manifesto são o grande desafio do século 21 para...

O Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) é resultante de destruição autoimune de células β de ilhotas pancreáticas em indivíduos geneticamente suscetíveis. Em geral, esses pacientes se não diagnosticados precocemente e não tratados de forma adequada tendem a desenvolver cetoacidose diabética, o qual é uma complicação aguda, grave e com taxa de mortalidade próxima de 5%, mesmo em serviços de excelência. O tratamento de DM1 é sempre a reposição contínua e intensiva de insulina. A sua patogenia, ou seja, os mecanismos de desenvolvimento da doença podem ser divididos em estágios evolutivos desde a suscetibilidade genética, passando pela ativação do sistema imune desencadeada por fatores ambientais, tais como viroses, até a falência quase total ou total de células β. A American Diabetes Association classifica o DM1 em dois tipos.

O tipo 1A, que é autoimune ou imune mediado e o tipo 1B que não é autoimune, também denominado de idiopático. No momento...

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