É muito comum encontrar na imprensa reportagens que ora dizem que um determinado alimento faz bem, ora que faz mal. Mesmo com acesso às informações e aos resultados de pesquisas, a população acaba com mais dúvidas do que certezas. Conforme reportagem publicada na revista Época, em março, quanto mais a imprensa divulga notícias sobre uma dieta saudável, menos as pessoas sabem o que pôr no prato.

Segundo a Época, até os anos 80 as pessoas tiravam suas dúvidas apenas com seus médicos. Com o aumento do volume de informações sobre ciência e saúde em jornais, revistas, internet e na TV, estes meios se firmaram como referência para os que procuram informações sobre saúde.

Os alimentos podem aparecer como benéficos ou vilões a cada pesquisa divulgada. Em que informações as pessoas com diabetes podem confiar? O que gera essa confusão? Para esclarecer algumas dúvidas e desfazer mitos, conversamos com Anelena Soccal...

Um grupo de pesquisadores (Bodinham et al., 2012) da Universidade de Surrey, Inglaterra, conduziu um  interessante estudo sobre o efeito do amido resistente na secreção insulínica, com ênfase na sua ação na primeira fase de secreção. Estudo anterior já havia demonstrado efeitos desta fibra dietética no aumento da sensibilidade à insulina, na melhora no clearance hepático  de insulina e menor resposta insulínica  pós prandial.

Doze indivíduos com sobrepeso, com risco de desenvolver diabetes tipo 2 por apresentarem resistência à insulina, participaram do estudo randomizado, duplo-cego por quatro semanas, consumindo um composto contendo 40g de amido resistente ou placebo (isoenergético e isoglicídico). No fim de cada período de intervenção foi possível verificar que as concentrações de insulina e peptídeo-C estavam significativamente maiores após o consumo de amido resistente e a primeira fase da secreção da insulina estava significativamente aumentada (36% a mais em relação ao placebo). Também foi observada tendência a...

Dr. André Vianna

  • Endocrinologista
  • Trabalha no Hospital Nossa Senhora das Graças e Centro de Diabetes, em Curitiba

Se você é portador de diabetes, fique atento aos sintomas da cetoacidose diabética. São eles:  

  • Excesso de urina;
  • Sede excessiva;
  • Fraqueza;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Taquicardia;
  • Sonolência;
  • Confusão;
  • Coma em 10% dos casos;
  • Respiração ofegante;
  • Desidratação;
  • Pressão baixa;
  • Febre ou temperatura baixa;
  • Hálito Cetônico (parece fruta podre);
  • Dor ou sensibilidade abdominal.

A Cetoacidose diabética ocorre principalmente no diabetes tipo 1, mas pode também ocorrer no tipo 2. Suas principais causas são: 

Omissão do tratamento com insulina ou remédios; Mau funcionamento da Bomba de Insulina;

Doenças agudas: infecções (urinária, pulmonar, gripe), infarto do miocárdio, hemorragia digestiva, entre outras;

Distúrbios endócrinos: feocromocitoma, hipertireoidismo, acromegalia;

Drogas (corticóides, agonistas adrenérgicos, fenitoína, beta-bloqueadores, antipsicóticos, álcool, cocaína);  

Desidratação: ingestão deficiente de água, diarreia, sauna; Ingestão excessiva de refrigerantes ou líquidos açucarados.

Esta é uma emergência médica e o Pronto Socorro...

Poucas horas depois de recebermos em primeira mão, no EASD 2010, a notícia de que o Avandia (rosiglitazona) teve a sua comercialização no mercado europeu, as principais agências de notícias do mundo já fizeram o favor de espalhar a notícia.

A informação já estampa a página inicial dos portais mais lidos na Internet do Brasil e do mundo. Amanhã estará na capa de todos os jornais.
Em poucos dias a ANVISA, a agência regulatória brasileira, também emitirá o seu parecer sobre a proibição ou não da venda da medicação.

E se a ANVISA não suspender a venda do medicamento? E o médico? E o paciente diabético que usa Avandia e que está muito bem controlado?

Essa informação médica excessiva na mídia tornará difícil a prescrição de um medicamento que, em alguns casos, pode ser útil. Todos os médicos que tratam do diabetes têm pacientes que ficaram muito bem com o Avandia...

Este estudo randomizado e aberto foi publicado na edição online do Jornal of Clinical Endocrinology and Metabolism e virá na versão impressa de maio. Nele, ficou comprovado que os diabéticos tipo 2 tiveram um melhor controle glicêmico e menos náuseas quando a exenatida foi administrada 1x/semana, em comparação com a versão atual que é administrada 2x/dia.

Essa versão de liberação prolongada da exenatida está atualmente sob revisão das autoridades regulatórias americanas, devendo em breve estar no mercado daquele país. As expectativas para o mercado brasileiro são de aprovação entre 2012 e 2013.

O estudo seguiu 252 pacientes com diabetes tipo 2 (DM2), os quais foram divididos em 2 grupos. O grupo 1 recebeu 2mg de exenatida de liberação prolongada em uma administração semanal (exenatida LAR) por 24 semanas e o grupo 2 utilizou enenatida 5mcg 2x/dia por 4 semanas e em seguida 10mcg 2x/dia por mais 20 semanas. Todas as...

Dubai, 05 de dezembro de 2011.

Hoje teve início de fato o programa científico do World Diabetes Congress. Tive o prazer de assistir palestra da expert D. Christie, do Reino Unido, sobre como melhorar a aderência dos pacientes ao tratamento no diabetes. Durante e após a sua explanação, fiquei imaginando formas para ajudar os meus pacientes diabéticos que muitas vezes não parecem interessados nos seus próprios cuidados. Serão os meus pacientes culpados? Ou a forma como nós médicos estamos impondo o tratamento é que precisa ser revista?

O cuidado com o diabetes, se bem feito, consome grande parte do tempo e da energia de uma pessoa. Dos diabéticos, os médicos e nutricionistas exigem que se alimentem de 3 a 6 vezes por dia, comam 3 a 5 porções de frutas e vegetais, diminuam o estresse, cuidem dos dentes, chequem a sua glicemia de 2 a 7 vezes ao dia, apliquem...

Suplementos para aumentar massa corporal contêm esteróides anabolizantes.

Um "briefing"da Endocrine Society desta semana alerta os endocrinologistas sobre uma matéria publicada no New York Times. A matéria informa que alguns produtos rotulados de suplementos alimentares, e vendidos para atletas, contêm esteróides anabolizantes ou substâncias esteroide-like.

Mais preocupante ainda, informa sobre casos de insuficiência hepática aguda e insuficiência renal, sugerindo um crescente número de relatos médicos em homens que usaram tais suplementos. Nomes como Tren Xtreme, Mass Xtreme e outros seis foram diretamente infamados por conterem tais substâncias. A descoberta foi fruto de uma investigação do FDA.

No nosso meio, cresceu assustadoramente o número de adolescentes freqüentadores de academias de ginástica. Em geral são estimulados pelos "colegas" da academia, já com corpos definidos e bem musculosos, que sugerem terem ganhado forma após o uso de suplementos.

As lojas de tais produtos estão proliferando e vendem-nos livremente, pois, afinal, são apenas suplementos... também...

O tecido adiposo é reconhecidamente um órgão endócrino. Vários dos seus produtos estão relacionados com resistência à insulina. Recentemente, a proteína transportadora da vitamina A, ou RBP4 (retinol binding protein), foi incluída como mais uma proteína produzida pelo adipócito. Mais interessante, foi demonstrado que estava aumentada em diabetes e estados de resistência à insulina. Além disso, ela é produzida pelo fígado e está associada à gordura visceral e hepática.

Com base nesses conhecimentos, resolvemos dosar a RBP4 em pacientes portadores de lipodistrofia parcial e generalizada, na suposição que estaria baixa em ambos os modelos de lipoatrofia. Assim, em colaboração com o Laboratório Sergio Franco e com o Departamento de Endocrinologia e Metabologia da UNIFESP- São Paulo, estudamos 10 pacientes com lipodistrofia familiar parcial variedade Dunningan (LFPD).

A maioria dos pacientes carregava a mutação R482Q no gene da Lamina A/C. Assim, pela primeira vez na literatura, foi demonstrado que os níveis...

É fato que cerca de 10% a 15% dos pacientes com DM2 já apresentam alguma complicação crônica ao diagnóstico. Por si só, este já é um dado que justifica esforços para o diagnóstico precoce do DM2.

Mais recentemente, estudos do grupo de DeFronzo demonstram que pacientes com intolerância à glicose já perderam cerca de 50% da função da célula beta. Mais uma vez, fica a sugestão para, por um lado, detectar-se precocemente a anormalidade glicêmica e, por outro, para se iniciar também precocemente o tratamento.

Um estudo publicado esta semana numa revista da nefrologia (Plantinga L et al Clin J Am Soc Nephrol 5: 673–682, 2010), põe mais lenha na fogueira. E põe lenha nisso! De fato, este estudo mostra que pacientes com pré-diabetes podem esconder graus variáveis de comprometimento da função renal.

Resumidamente, o estudo foi realizado com a população do NHANES durante o censo de 1990 a 2006....

Antes do veredicto do FDA sobre a Rosiglitazona, exatamente na noite que antecede o primeiro dia da reunião, resolvi deixar este depoimento almejando que sirva de esclarecimento pessoal, como um dos líderes de opinião na diabetologia brasileira.

Seja qual for o resultado, nada, até o dia de hoje, abalou a minha convicção de que o tratamento adequado dos Diabetes tipo 2 deva passar, obrigatoriamente, pela redução da resistência à insulina (RI).  No meu modesto modo de entender, a RI é a base para o DM2 e para as doenças cardiometabólicas. Acreditei e acredito que as doenças devam ser tratadas observando-se a fisiopatologia. E assim procedo quando ensino, quando trato e, espero que assim seja, quando for tratado como paciente.  

Num inteligente editorial escrito para este site, há alguns meses atrás, o Dr. Pimazoni bem falava das verdades transitórias da medicina. De fato, a medicina tem verdades transitórias, mas a...

Após 3 anos de intenso debate, o júri designado para julgar a Rosiglitasona deu, finalmente, sua opinião: condenou o medicamento e mandou-o  às galeras subterrâneas do ostracismo. Mas, lamentavelmente, não me parece que o júri foi imparcial. Diria que, no mínimo, foi contraditório.   

A EMEA suspendeu-o, pura e simplesmente, e assim dá o seu veredicto sem direito à apelação. Não lhes parece haver dúvidas e definem que os riscos sobrepujam os benefícios. O FDA, porém, menos convicto dessa sentença mortal, manteve o medicamento no mercado, mas com restrições e recomendações estúpidas.  

Parece que estou ouvindo um juiz togado proferir a sentença: “que os médicos não o prescrevam, exceto se julgarem que nenhum outro remédio seja tão eficaz no controle da glicemia do que aquele que ora condenamos”.  Estarei eu lendo mensagens alucinatórias? Será que bebi muita vodka sueca durante o EASD?  

Se, por um lado o júri...

Debate entre Steven Nissen e George Grunberger.

Talvez uma das melhores atividades do ADA este ano tenha sido o debate sobre os agonistas PPAR. O tema foi defendido com Sim, pelo Nissen e com Não pelo Dr.Grunberger. Mas, desta vez, o Nissen encontrou um adversário à sua altura... A sua estratégia foi, inicialmente, sugerir que as glitazonas, embora atuassem como sensibilizadores da insulina e no mesmo receptor, não eram uma classe. Ou seja, tinham características e efeitos diferentes e não se poderia falar em efeito de classe. Classificou-as de acordo com o famoso Spaghetti-Western: o Bom, O Feio e o Mau. A Pioglitazona seria a boa, a Muriglitazar a má e a Rosiglitazona a feia (mas, já nascera ruim!). A Muraglitazar (um bi-PPAR), ele detonou apenas 6 dias após o lançamento, com a publicação no JAMA do risco cardiovascular associado a esta droga. Este foi o estopim para a saga...

O estudo Look AHEAD (Action for Health in Diabetes) é um dos mais importantes ensaios clínicos já levados a cabo no campo da diabetologia e quiçá em obesidade. Apesar de, como discutido pelo Dr. Pimazoni, ter sido interrompido por não mostrar benefícios no objetivo principal, qual seja, a redução de eventos cardiovasculares, o resultado traz boas notícias. A primeira é que foi interrompido não por mostrar riscos, como aconteceu com outros estudos como o ACCORD. Outras boas notícias referem-se a fatos como a melhora da pressão arterial, dos lipídeos, da apneia do sono, do uso de antidepressivos e até a remissão do diabetes e a redução nas doses e no uso de medicamentos em alguns pacientes. Então porque não foi possível obter a tão sonhada redução de eventos cardiovasculares?

Algumas razões podem ser sugeridas, mas as reais razões podem levar tempo para serem respondidas. Vejamos algumas: apesar de uma perda...

Congratulo o Dr Godoy pela opinião dada sobre as vertentes atuais para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 ( DMT2). Porém algumas considerações são importantes relativas ao seu tratamento cirúrgico. Não questiono de forma alguma o papel da restrição calórica no controle inicial do no mundo, mantém uma restrição calórica conforme a proposta pelo Dr Godoy "ad eternum"? Quero ser apresentado a algum desses heróis. Aliás, o CALERIE group, da Universidade de Washington mostrou em 2006 que até dá para segurar dieta muito hipocalórica em um grupo por um ano. Mas o número que conseguiu suportar sem "roubar calorias" foi 15% daqueles que começaram. Um clássico trabalho publicado no New England Journal of Medicine (NEJM) (Sumithran P, et. al  2011) claramente demonstrou que depois de 1 ano de dieta hipocalórica e intensa orientação nutricional, as alterações hormonais gastrointestinais conspiram para o reganho de peso e no sub grupo de...

Fiquei com vontade de escrever sobre este assunto que há muito tempo vem me incomodando.

Trata-se da falta de decoro e de limites que venho observando em diversos (eu diria muitos) colegas não endocrinologistas.Hoje mesmo consultei dois pacientes que exemplificam o que quero dizer.

Um deles, uma senhora diabética obesa que, tendo sido consultada por um cardiologista, este modificou a medicação hipoglicemiante que eu lhe vinha prescrevendo há tempo. Outro é um paciente diabético que apresenta quadro de Síndrome Metabólica típica com IMC de 29 kg/m², tratado por mim há anos, e que tinha alterações graves de enzimas hepáticas (transaminases superiores a 200). O paciente tomava gliptina + metformina + sulfoniluréia e já havia feito inúmeras tentativas (inclusive com medicamentos) para emagrecer.

Diante da possibilidade do paciente estar desenvolvendo um problema hepático grave, talvez necessitando de uma biópsia sugeri ao mesmo que procurasse um hepatologista que ele mesmo escolheu. No retorno o paciente...

Com muita probabilidade você vem respondendo sim a esta pergunta há muitos anos. 

Desde a publicação de Haffner e col (New England Journal of Medicine 1998; 339:229) a afirmação de que o risco de um diabético ter um infarto do miocárdio é igual ao de um indivíduo que já teve um infarto tornou-se um axioma (isto é, uma frase sem contestação). 

Acontece que alguns estudos não concordam com esta afirmação. Recomendo em particular o ultimo de Cano e col (Diabetes Care 2010; 33: 2004) no qual foram seguidos 2.200 pacientes com diabetes sem coronariopatia clínica e 2.150 pacientes não diabéticos que tinham tido infarto.  

Este estudo, realizado na Catalunha, teve uma duração de 10 anos e mostrou que a ocorrência de infarto entre os diabéticos foi muito menor que nos não diabéticos infartados previamente (HQ: 0,54 e 0,28 para homens e mulheres respectivamente). No que  concerne à mortalidade cardiovascular...

Pacientes com diabetes melito e hipertensão arterial terão direito a receber alguns remédios de graça no Brasil. Sem dúvida nenhuma, isto representa um grande avanço na política da saúde do nosso país. Coisa de primeiro mundo!

Mas, ao mesmo tempo a nossa Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) convoca uma consulta publica para, segundo ela, proibir a comercialização de medicamentos contra obesidade que funcionam diminuindo o apetite.

Qual é a conexão entre as 2 notícias?

Simplesmente que o grande fator para hipertensão arterial e diabetes melito é o excesso de peso: mais que 80% dos hipertensos e mais que 90% dos indivíduos com Diabetes do tipo 2 (aquele que em geral aparece na idade adulta e que como regra não necessita de insulina) têm excesso de peso.

A que se deve esta incoerência entre prestigiar os remédios contra as conseqüências (hipertensão e diabetes melito) e condenar os remédios que combatem...

Nem a insulina glargina nem a suplementação de ômega 3 reduziu o risco de eventos cardiovasculares neste estudo de mais de 6 anos com esta população. Houve uma redução significativa da conversão da GJA / TGD em DM no grupo que utilizou insulina glargina:  HR = 0,72 (0,58- 0,91) P=0,006. A aderência e o seguimento foram considerados altos. A mediana da dose de insulina glargina foi 28 (19-39) U/dia em pessoas com 70 Kg.

Em 2009, cinco relatórios que abordam uma possível associação entre a insulina glargina e câncer foram liberados. Cada estudo chegou a conclusões diferentes: um demonstrou não haver relação entre a insulina glargina e câncer; dois sugeriram uma relação com o câncer de mama apenas quando a insulina glargina foi usada, mas não se fosse combinada com outras drogas, e outro estudo sugeriu que havia uma associação com altas, mas não baixas doses de insulina glargina. Estes...

A associação entre hipogonadismo masculino e diabetes mellitus (DM) vem ganhando força nos últimos anos.  Em 2002, na publicação de avaliação e tratamento do hipogonadismo masculino da American Association of Clinical Endocrinologists (AACE), o tema ainda não era abordado1. A partir do consenso da Endocrine Society publicado em 20062 (e revisado em 20103) é que formalmente houve indicação de pesquisa de hipogonadismo em diabéticos tipo 2 sintomáticos. Em 2009, um novo guideline de hipogonadismo masculino assinado por várias sociedades médicas (International Society of Andrology [ISA], International Society for the Study of Aging Male [ISSAM], European Association of Urology [EAU], European Academy of Andrology [EEA] e American Society of Andrology [ASA]) referendou o assunto4.

Paralelamente, vários artigos investigavam a associação entre hipogonadismo masculino e obesidade. Dessa forma, parecia inequívoco que o mesmo acontecesse com a síndrome metabólica e a deficiência de testosterona em homens adultos. Neste cenário, o artigo “O Lado Escuro da Deficiência de Testosterona: Síndrome Metabólica e Disfunção Erétil” aborda o tema com...

Ann Hammarstedt, Timothy E Graham and Barbara b Kahn
Diabetology & Metabolic Syndrome 2012 4:42 doi:10.1186/1758-5996-4-42 (19 September 2012)

A epidemia mundial de DM2 pode ser explicada, principalmente, pelo aumento crescente da prevalência da obesidade, que aparece como consequência do sedentarismo dos novos tempos e principal responsável pela resistência insulínica (RI) encontrada no diabetes. A RI pode ser observada no tecido adiposo antes mesmo do aparecimento de qualquer grau de disglicemia.

O objetivo deste estudo foi avaliar se a disfunção no tecido adiposo está mais relacionada com a hipertrofia do adipócito do que com o IMC em humanos.  Para isto, foram avaliados a expressão do GLUT4 nas células adiposas como um marcador desta disfunção, assim como os níveis séricos de adiponectina e RBP4, e sua relação com o tamanho da célula adiposa numa população de alto risco (parentes de DM2) saudáveis e não obesos.

Os principais achados foram que mesmo em...

No dia 17 de Dezembro de 2009, o MedpageToday, trouxe uma interessante reportagem sobre as 10 maiores descobertas da Medicina. Os dados foram obtidos através de uma enquete realizada pela rede ABC News com 800 cientistas no mundo inteiro. A autora do artigo é da jornalista Lauren Cox. São estes dados que trago ao conhecimento dos leitores desta coluna.

Foram consideradas descobertas feitas a partir do ano 2000 e  pesquisas que vão da bancada do laboratório à pratica médica, do laboratório, ao leito do paciente.Adotamos uma tradução livre e com alguns enxertos produtos da nossa experiência. A seguir você encontrará uma descrição destas descobertas.

1. As Descobertas do Genoma Humano Chegam à Beira do Leito

Em 2000, os cientistas começaram a corrida pela descrição do genoma humano com uma grande esperança de que a sua descrição poderia abrir o caminho para a descoberta e a cura de várias doenças.

Dois grupos...

Estive na última semana no acampamento da ADJ/UNIFESP para crianças e adolescentes com diabetes, entre 9 e 16 anos, que aconteceu no NR 1(Nosso Recanto) em Sapucaí Mirim, linda cidade bem colocada entre Minas e São Paulo, próxima a Campos do Jordão, encostada na serra da Mantiqueira.

O evento é uma colônia de férias com 1 semana de duração, que envolve 75 meninos e meninas de diferentes classes sociais e todos tendo em comum o uso de várias doses de insulina, a monitoração da glicemia, as hipoglicemias. Uma ilha no mundo de preconceito e insegurança de sentir-se diferente em um mundo cada vez mais "igual e pasteurizado". Todos passam, a partir desta experiência, a terem em comum também a vivência coletiva daquela semana no NR1, tradicional acampamento de férias de São Paulo.

Uma colônia normal, de férias de verão, contando com equipe de recreação de alto nível (incluindo vários monitores também com...

O Center for Disease Control (CDC) dos Estados Unidos publicou, no final de junho, a atualização dos dados epidemiológicos sobre diabetes naquele país. Vinte e quatro milhões de americanos tem diagnóstico de diabetes, ou 8% da população. Outros 54 milhões têm pré-diabetes, somando pouco mais de ¼ das pessoas que vivem nos Estados Unidos, apresentando problemas no metabolismo glicêmico. Em relação aos dados anteriores, de 2005, houve um aumento de 4 milhões de casos, com a prevalência da doença passando de 7% para 8% da população. Por outro lado, a percentagem de pessoas que desconhecem o diagnóstico caiu de 30 para 25% do total de pacientes diabéticos, sinalizando que as campanhas preventivas e o interesse crescente da mídia em torno do diabetes está aumentando a conscientização dos pacientes.

De acordo com os dados do relatório do CDC, o diabetes é a principal causa de cegueira adquirida, assim como de insuficiência renal terminal, sendo...

O envelhecimento, a obesidade e o sedentarismo são, sem dúvida, grandes desafios da medicina atual. Muitos adultos têm nível de capacidade funcional baixa o suficiente para que aumente seu risco de mortalidade geral.

Diversos estudos têm mostrado que tanto obesidade quanto sedentarismo podem produzir excesso de risco de mortalidade. Entretanto não se tem claramente dados sobre a relação entre obesidade e atividade física naqueles indivíduos cujo risco de complicações de saúde por esses problemas são maiores, ou seja, aqueles acima de 60 anos de idade. Alguns estudos já haviam sugerido que a mortalidade relacionada à obesidade é reduzida em indivíduos mais velhos, ou, em outras palavras, o impacto da obesidade na longevidade não é tão claro acima dos 60 anos de idade.

Um estudo recente, publicado no Jornal da Associação Americana de Medicina – JAMA, avaliou a combinação e interação entre medidas de adiposidade (IMC, circunferência abdominal e percentagem de gordura corporal) e capacidade física...

Nos primeiros meses deste ano 4 artigos importantíssimos foram publicados comparando o tratamento cirúrgico com o tratamento clínico em pacientes diabéticos. O mais badalado, que mereceu manchetes da imprensa leiga e repercutiu nas newslletters enviadas aos médicos, foi publicado no JAMA (Ikramuddin, S et al. JAMA. 2013;309:2240-2249). O especial deste estudo foi que os pacientes envolvidos deveriam ter IMC entre 30 e 39.9. Ou seja, enveredando definitivamente pela área de diabéticos com IMC abaixo de 35, limite que era, até há pouco tempo, sugerido para a indicação da cirurgia. Em breve: 120 pacientes receberam orientação para mudança do estilo de vida (MEV) e tratamento medicamentoso intensivo, dos quais a metade foi randomizada para o bypass gástrico em Y de Roux (GC=grupo cirurgia). Ao entrar no estudo algumas médias eram: idade 49, IMC ~34 (cerca de 58-60% tinham IMC abaixo de 35), duração do DM= 9 anos e HbA1c ~9.6%. Os pacientes não cirúrgicos...

Dra Silmara A. Oliveira Leite 
Endocrinologia

 

Introdução

A hiperglicemia no ambiente hospitalar é um fenômeno freqüente com ou sem história prévia de diabetes1,2. No estudo publicado por Umpierrez e col analisando 2030 adultos admitidos na enfermaria de um hospital geral, a glicemia de jejum>126mg/dL ou pelo menos duas glicemias ao acaso>200mg/dL esteve presente em 38% dos pacientes hospitalizados. Destes, 26% tinham diagnóstico prévio de diabetes e 12% foram casos novos de hiperglicemia intra hospitalar sem histórico de diabetes. Estes níveis de glicose se associaram a maior tempo de hospitalização com maior número de complicações hospitalares e necessidade de admissão na UTI com aumento de 16% da taxa de mortalidade.

Em análise prospectiva, realizada em hospital geral no Brasil2, 23,3% dos pacientes que mantiveram glicemia capilar maior que 180mg/dl, necessitaram de admissão na UTI por complicações, enquanto apenas 4,5% dos pacientes que se mantiveram normoglicêmicos complicaram no hospital necessitando UTI. A...

Atualmente está em discussão, em nosso país, uma série de medidas propostas pelo Governo, estabelecendo regras mais rígidas para a publicidadede produtos que podem trazer malefícios à saúde da nossa população. Medicamentos, bebidas alcoólicas, alimentos muito calóricos e pouco nutritivos estão entre eles. E, como não poderia deixar de ser, considerando a importância desses produtos no mercado publicitário, o assunto tem sido alvo de acirrados debates.

O Ministério da Saúde, de um lado, as agências de publicidade e as empresas de comunicação do outro. Afinal, apenas como exemplo, as indústrias de cerveja são responsáveis por um dos maiores faturamentos desse setor. A publicidade de medicamentos vendidos sem receita medica é assunto de controvérsias em todo o mundo. O acesso a informações sobre medicamentos e a facilidade de sua aquisição, sem dúvida, podem, em alguns casos, trazer benefícios.

Alívio rápido para alguns problemas simples de saúde. No entanto, também existe a probabilidade de malefícios, como uso desnecessário...

O aumento do ácido úrico no plasma é associado com doenças como a artrite gotosa e o cálculo renal. Além disso, nos últimos anos , o ácido úrico tem sido  associado com o aumento do risco cardiovascular e da doença renal(litíase). A hiperuricemia vem sendo relacionada com o maior risco de desenvolvimento de  alterações metabólicas presentes em diversas patologias, dentre elas a obesidade , o Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) e a Síndrome Metabólica. Além destas alterações metabólicas os níveis elevados de ácido úrico podem contribuir para a disfunção endotelial por alterar a biodisponibilidade do oxido nítrico e , portanto aumentar o risco cardiovascular.

O presente trabalho constitui uma revisão sobre as diferentes patologias associadas com os níveis alterados de ácido úrico no plasma e, os principais fatores de risco preditores de seu aumento como a maior idade, a etnia (African-Americans), presença de doença renal e maior ingesta de álcool....

A Medicina que tem até então sido pouco competente em tratar o excesso ponderal, mas é em descobrir os problemas de saúde, que ele acarreta. A Esteatose Hepática Não Alcoólica é mais uma. Definida como uma a quantidade de gordura no fígado aumentada em um paciente em que não exista outra causa, álcool por exemplo, para que isso viesse acontecer. Na grande maioria das vezes, isso ocorre em indivíduos com cifras ponderais aumentadas, decorrentes do excesso da gordura corporal. Excesso este localizado no tronco, principalmente no abdômen.

Este tipo de gordura abdominal gera, pela sua degradação um substância chamada ácido graxo livre que é normalmente captada pelo fígado por onde passa obrigatoriamente. Porém, quando a sua produção é excessiva, a capacidade de hepática  é ultrapassada. Resultados: os ácidos graxos livres, ganham a circulação corporal.

Os ácidos graxos livres na corrente circulatória, fazem surgir ao nível dos tecidos, resistência a ação...

Autores: Ramires Alsamir Tibana, Guilherme Borges Pereira, Jéssica Cardoso de Souza, Vitor Tajra, Denis Cesar Leite Vieira, Carmen Silvia Grubert Campbell, Claudia Regina Cavaglieri, Jonato Prestes

Diabetology & Metabolic Syndrome 2013, 5:27

O presente estudo aborda um importante componente do tratamento da Síndrome Metabólica (SM) e da redução do risco cardiovascular: o efeito do exercício físico sobre os níveis pressóricos. O objetivo da pesquisa foi avaliar os efeitos de oito semanas de treinamento de resistência sobre os níveis pressóricos em 24 horas em pacientes com e sem SM. Os autores objetivaram demonstrar uma redução nos níveis pressóricos durante o sono e também durante as atividades diárias nos pacientes com SM.

Participaram do estudo 9 mulheres com SM e 8 sem SM, todas sem experiência com treinamento de resistência ou prática regular de exercício físico. As mulheres sem SM eram normotensas e foram excluídas as diabéticas de ambos os grupos. Os...

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