Como lidar com o diabetes tipo 1 em ambiente escolar?

Dra. Andressa Heimbecher Soares
Endocrinologista
Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Médica colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Membro Ativo da Endocrine Society.

O diagnóstico de Diabetes em uma criança traz um mundo de preocupações para os pais. Desde as mais imediatas: como vou aplicar insulina? Como vou conseguir ver se meu filho está com hipoglicemia? E se o açúcar no sangue subir? Até preocupações um pouco menos imediatas, mas nem por isso menos importantes: será que ele vai aceitar o diagnóstico? E na escola, como vai ser?

Este texto trata justamente dessa última pergunta: E na escola? Como será? Bem, aqui vai um passo a passo!

 

1) Plano com a escola: o primeiro passo é uma conversa com a direção da escola sobre o diagnóstico e o tratamento que a criança está realizando no momento. Doses de insulina, grau de controle do Diabetes, se a criança faz hipoglicemias, de quanto em quanto tempo precisa se alimentar... enfim, é importante que uma rotina do tratamento, alimentação e das condutas a serem adotadas em caso de emergências sejam passadas para a escola. Os contatos médicos e claro, dos pais devem ser passados para que sejam facilmente acessados caso seja necessário. Em caso de hipoglicemia grave, é importante que seja mantido na escola um kit de emergência com Glucagon, para ser administrado prontamente. Aqui, é importante ajustar junto com a escola que este importante medicamento de segurança esteja disponível. O Centro de Controle de Doenças Americano tem disponível em seu site em Inglês, o Guia para as escolas, orientando sobre hipoglicemia e hiperglicemia. (http://www.cdc.gov/features/diabetesinschool/)

2) A preparação da criança: não existe uma idade específica para que a criança passe a assumir algumas tarefas do controle do seu Diabetes. Existem crianças que desde muito cedo, com 5 ou 6 anos, já se sentem confortáveis de realizar a glicemia capilar (medir o Diabetes), enquanto outras vão fazer um pouco mais tarde. O primeiro passo é que ela comece a demonstrar interesse e responsabilidade no controle da própria doença, a partir daí ela pode com a supervisão dos pais ou responsável, prosseguir medindo o Diabetes e aplicando insulina já com a dose calculada por um adulto. Adolescentes, no geral, já se sentem mais responsáveis para calcular os próprios ajustes de doses de insulina. No entanto, não existe uma regra geral. O que vale é a observação caso a caso.

3) O que levar para a escola: uma sugestão é levar o glicosímetro com baterias extras (!), insulina, seringas ou canetas, lenços antissépticos de álcool 70%, balas em caso de hipoglicemia e água – a hidratação da criança com Diabetes é sempre fundamental.

4) De olho no lanche: a própria criança com Diabetes deve ser orientada pelos pais e professores sobre sua alimentação nos intervalos e a qualidade destes alimentos. O foco é nos alimentos integrais, frutas e chás. Evitar o consumo de refrigerantes, bebidas artificialmente adoçadas e lanches com alto teor de gorduras e carboidratos simples (como farinhas brancas).

5) Rede de apoio: Colegas de classe, professores, funcionários todos são uma rede de apoio para que a criança se sinta segura no ambiente escolar. Os próprios colegas de classe muitas vezes são os primeiros a perceber episódios de hipoglicemia e portanto a sugestão é que devam receber orientação sobre procurar imediatamente o professor ou funcionário caso percebam alguma alteração com o amigo com Diabetes. O treinamento de um professor junto às associações de apoio a Diabéticos ou mesmo com o médico responsável pode solidificar o processo, cujo objetivo é sempre garantir o melhor desenvolvimento possível para esta criança.

Com a volta às aulas, é importante que muitas rotinas dentro do ambiente escolar sejam revistas e renovadas. Abordar e acolher melhor a criança diabética no ambiente escolar é um assunto fundamental que precisa ser discutido e ampliado. Torcemos para isso! Bom ano letivo!  

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Comentários  

geralda regina cavaco boff 28-07-2016 20:10
Sou uma incentivadora do curso de magistério em uma escola estadual, gostaria de saber se vces levam estas informações para as escolas.Gostari a de levar para e escola que trabalho.
marcos frança lima 10-03-2016 21:50
Pra mim é muito importante pois filho tem 11 anos e ficou diabético tipo 1 no dia das crianças, já estamos tendo todos estes cuidados, mais peso a orientação para os cuidados caso ele venha ter uma hiperglicemia, deste já eu agradeço pelas estas orientações. obrigado
Ione Fontes 01-03-2016 15:18
Boa tarde!
Tenho uma filha de 8 anos que tem diabete tipo 1, desde os 4 anos e meio.Quando descobri me senti totalmente despreparada,po is nem sabia que existia este tipo de diabetes.Foi muito difícil e percebi que o sistema de saude e as escolas não estão preparados para dar suporte aos pais.A minha vizinha que me ensinou a aplicar insulinas ,sofri muito com a situação. Eu não sei como é em relação a escola com outras crianças, mas nenhuma escola se responsabilizou em administras as insulinas,també m não me sentia segura .Eu e minha revezavamos para cuidar dela no ambiente escolar.Hoje ela usa bomba de insulina e está quase independente.
Aureloyse Moreira Maximo 03-02-2016 11:14
Muito bom esses lembretes para os pais no inicio do ano. A meu ver a mãe que fica com o filho é uma pessoa muito bem informada para passar todas as informações a Nova professora, e a equipe escolar da Nova Escola do seu filho, pois ela cuida 24 horas do dia dessa criança, sabe sua rotina , seus picos de ação de insulina, seus sintomas e mudanças de fisionomias e comportamentos em caso de hipos alem de ser a maior interessada para que isso ocorra . O glucagon é algo que pode muito bem ser evitado se a monitorização dessa criança ocorrer. Então isso deve ser deixado bem claro a equipe escolar. pois a meu ver não deve-se permitir chegar a situação de uma hipo inconsciente, pois os danos a crianças vão alem do físico, dependendo de como ocorra o constrangimento diante dos colegas é muito grande . Outra coisa importante seria a mãe poder estar disponível nos primeiros dias de aula para acompanhar a rotina na escola, para que a professora sinta-se segura e perceba que não é nada fora do comum ter Diabetes tipo 1 e a criança tem uma vida normal só precisa de Atenção e pessoas com Boa Vontade ao seu lado. Sou Aureloyse ... mãe do Arthur Yves 10 anos DM1 desde 5anos passou por 2 escolas onde sofreu preconceito na primeira escola após 2 anos de diagnóstico e o tratamento exigiu uma rotina de aplicações mais intensas ; após isso retirei meu filho no dia seguinte e fui atras de pessoas humanas e de boa vontade, porque acredito no Ser Humano. Hoje sou referencia na minha região , juntamente com a escola do meu filho, e auxilio mães do Brasil todo que enfrentam a mesma situação que passei pois nossos filhos não podem ser reféns de educadoras que não tem pelo menos a Boa Vontade de Fazer o exame de ponta de dedo.

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