Um jeito de ver...


Nutricionista Monique Neis
CRN 10 2747
Núcleo de Atenção em Diabetes
Secretaria Municipal de Saúde de Blumenau

Tratar o diabetes apenas sob a ótica farmacológica parece pouco eficiente até o momento. Os indicadores de pacientes com índices de bom controle permanecem abaixo da meta, apesar dos esforços. Pois, na doença crônica o cuidado é permanente, é pra sempre.

Cuidar para quê? Cuidar de quê? Quando? Como? Cuidar para mim? Para o médico? Para a família? De onde veio isso doutor? O que eu fiz de errado? Porque Deus? Eu não aceito isso! E o meu emocional doutor? E o dinheiro que não dá nem para comer...  e as desculpas que não tem explicação.. e negação da doença... e o descaso.

Trabalhar frente a frente com ser humano é trabalhar frente a frente com um espelho. Ou seja, é se colocar todo dia no lugar do outro.

Olhar o indivíduo como um todo. A princípio parece uma visão romântica e os profissionais, pouco românticos, acham isso uma frescura. E quem não é dado a frescura acaba trabalhando sozinho e morrendo na praia. Brigar... bater na mesa... ser pai... pai de todos.. e se o diabetes me faz tão especial... melhor não melhorar... melhor ser o centro da atenção. Parece que ainda não encontramos o meio termo...  muito humano, pouco prático... muito prático, pouco impacto. Então quem sabe...

Quem sabe se a gente souber quem é a pessoa do outro lado da mesa...

Da onde veio... Porque veio...

Quem sabe se ela se sentir a vontade pra dizer como faz ou porque não faz o tratamento...

Talvez a gente não brigue... talvez ela se convença dos porquês. Quem sabe o que se diz por ai precisa ser revisto...

Quem sabe num tom mais baixo... se fale boas verdades... que seriam duras ditas de outra forma...

E talvez haja espaço pra cada profissional, para cada abordagem.

E talvez trabalhando em equipe... cada um olhando de um lado... de um jeito... mesmo que meio atravessado a gente ache um jeito de enxergar um todo.

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