Obesidade metaforicamente saudável? Existe?

Dra. Andressa Heimbecher Soares

  • Endocrinologista
  • Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
  • Médica colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
  • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Membro Ativo da Endocrine Society.

Em que extensão o peso corpóreo de uma pessoa pode influir em sua saúde? Uma pessoa magra tende a ser mais saudável que uma pessoa acima do peso? Existe, afinal, o fato de ser metabolicamente saudável, mesmo estando um pouco acima do peso? Para esta pequena polêmica, vamos aos fatos:

 

O que se sabe: algumas pessoas com índice de massa corporal que indicam obesidade não desenvolvem, no curto prazo, alterações metabólicas que poderiam nos preocupar, como aumento dos níveis de colesterol, níveis de açúcar e, consequentemente, não estariam, em tese, em risco de ter maiores complicações por causa do excesso de peso. Esta situação, que vem ganhando muita atenção no meio médico, agora tem nome e sobrenome ”obesidade metabolicamente saudável”, ou do termo em inglês “metabolically healthy obesity (MHO)”.

 

A consequência disso: bem, a primeira ideia levantada é que precisamos de outros parâmetros para avaliar o peso de uma pessoa e sua saúde. O índice de massa corporal sozinho não basta. É necessário incluir, também, uma análise mais detalhada da composição corporal: onde está o excesso de gordura do paciente? Seria a gordura intra-abdominal a mais danosa? Seria a gordura subcutânea menos perigosa?

 

A segunda ideia é que, talvez em curto prazo, as pessoas com MHO realmente sejam saudáveis, mas precisamos confirmar se no futuro elas ainda continuarão assim. Especialistas tem visto que o organismo consegue manter um equilíbrio na saúde por um curto período de tempo, de meses a alguns anos, porém, é possível que em determinado momento, ocorra um desequilíbrio e as alterações como diabetes, colesterol e pressão alta passem a se manifestar nesses pacientes.

 

E então, qual é o certo para nosso peso, se pensarmos em saúde?

 

Subir na balança fornece uma informação importante para a avaliação do peso corpóreo, mas não é o único parâmetro a ser considerado. Pode parecer simples, mas tira o sono de muitos de nós. “Existe peso ideal? Qual é o peso certo para mim? Ter sobrepeso é bom?” São muitas perguntas. No meio científico há um grande debate sendo feito nos últimos anos para tentar responder essas e outras perguntas.

 

A discussão esquentou quando um estudo publicado em janeiro de 2013, na conceituada revista médica JAMA – Revista da Associação Médica Americana, na tradução livre para o português – sugeriu que uma pessoa com sobrepeso poderia apresentar riscos menores à saúde e, portanto, poderia viver mais quando comparadas às  pessoas com obesidade graus 2 e 3 e também as com as peso normal.

 

Esse fato gerou polêmicas no mundo inteiro, chegando a questionar se realmente haveria benefícios em se manter o peso normal, algumas até sugerindo que a população deveria tender para o ganho de peso como forma de proteção contra possíveis doenças. No entanto, isso não é verdade.

 

O ganho de peso gera consequências à saúde, como diabetes, pressão alta, aumento dos níveis de colesterol e risco de infarto e derrame. O que é importante saber é que este estudo utilizou apenas o IMC (índice de massa corporal), um cálculo simples, para obter os resultados. Não foram utilizados outros parâmetros, tais como: percentual de gordura corporal, quantidade de gordura dentro do abdome (a visceral) que é mais danosa à saúde, nem níveis de colesterol e açúcar para fazer a previsão do risco de saúde dessas pessoas. 

 

Para saber o seu índice de massa corporal, basta dividir seu peso em quilos pelo quadrado da sua altura, em metros. O resultado é um número que irá ajudar a dizer se você está dentro ou fora do seu peso. Porém, o IMC não deve ser o único parâmetro avaliado para quem está fora do peso.

 

O IMC não diferencia gordura de músculos e não deve ser o único parâmetro avaliado para saber se uma pessoa está acima do peso. A maior quantidade de tecido gorduroso define uma elevação de alguns riscos importantes para a saúde, como colesterol, diabetes e problemas cardíacos. É fundamental avaliar caso a caso. Além disso, alguns problemas, como o mau funcionamento da tireoide, podem facilitar o ganho de peso. Tudo deve ser investigado a partir, inclusive, dos exames clínicos recomendados para cada faixa etária.

 

O peso ideal é aquele em que a pessoa não apresenta limitações para sua qualidade de vida. Deve ser considerado analisando diversos aspectos: o próprio peso na balança, a composição corporal com quantidade de gordura e massa muscular, os exames de sangue, a capacidade de mobilidade articular (se há restrições de movimentação com o peso), se o peso altera a qualidade de sono ou gera doenças como diabetes e pressão alta.  Ah, e também é preciso considerar outro fator importante: sua felicidade com o seu peso, por que não?

 

E para terminar, que tal um “novo” IMCC?

  • I = Individualizar
  • M = Medida
  • CC = Composição Corporal

Individualizar a Medida de Composição Corporal

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