Diretrizes sobre tratamento do diabetes podem contribuir para a inércia clínica

Dr. Augusto Pimazoni-Netto - CREMESP 11.970

  • Doutor em Ciências (Endocrinologia Clínica) pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
  • Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim – Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
  • E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

As diretrizes e posicionamentos oficiais sobre o tratamento do diabetes constituem-se em valioso recurso de orientação na definição das melhores estratégias para o controle do diabetes. Por outro lado, existem alguns conceitos já arraigados desde há muitos anos e que precisam ser atualizados. O presente artigo aborda a possibilidade das principais diretrizes sobre tratamento do diabetes estarem retardando o necessário ajuste da conduta terapêutica, acabando por contribuir decisivamente para a inércia clínica.

A inércia clínica e a hesitação de muitos médicos em intensificar a terapia no tempo devido desempenham um papel importante em retardar o controle do diabetes. Entre outras orientações, o Posicionamento Oficial da American Diabetes Association / European Association for the Study of Diabetes (ADA/EASD) é uma diretriz altamente respeitável, com alto poder de influência sobre a comunidade médica em termos de interferir na definição de uma abordagem estratégica para superar o mau controle glicêmico.

Mas, por outro lado, esse documento contém uma recomendação que pode contribuir para a inércia clínica, uma vez que pode promover atrasos significativos na implementação de estratégias mais vigorosas, intensivas e eficazes para superar o mau controle glicêmico dentro de um prazo razoável durante a evolução da doença. Estamos nos referindo à questionável recomendação da ADA/EASD no sentido de só efetuar alterações na conduta terapêutica a cada três meses, ao invés de propor intervenções mais racionais e mais frequentes, objetivando contribuir para que o paciente atinja o bom controle glicêmico no menor espaço de tempo possível. O mesmo acontece com outros algoritmos respeitados de diferentes associações de diabetes.

Juntamente com as intervenções farmacológicas, é importante ressaltar o papel da educação em diabetes e de um acompanhamento mais intensivo da glicemia nas fases iniciais após o diagnóstico. Essas são estratégias fundamentais para o controle efetivo do diabetes. O principal objetivo de um controle mais rápido da glicemia é o de aumentar a confiança e a adesão do paciente às recomendações da equipe de cuidados com o diabetes. Resultados melhores e mais rápidos no controle da glicemia só podem ser alcançados de forma segura com a implementação conjunta de estratégias farmacológicas, educacionais e de automonitorização glicêmica estruturada, o que permitirá ajustes mais frequentes na terapia farmacológica até se atingir a melhor estratégia terapêutica para cada caso em particular.

 

Referência bibliográfica:

Pimazoni-Netto A and Zanella MT. Diabetes guidelines may delay timely adjustments during treatment and might contribute to clinical inertia. Diabetes Technol Ther. 2014 Nov;16(11):768-70.
DOI: 10.1089/dia.2014.0092 (livre acesso).

Fale Conosco SBD

Rua Afonso Braz, 579, Salas 72/74 - Vila Nova Conceição, CEP: 04511-0 11 - São Paulo - SP

(11) 3842 4931

secretaria@diabetes.org.br

SBD nas Redes