Avaliação do perfil das pessoas com diabetes que acessam o site da Sociedade Brasileira de Diabetes

Dra. Fani Eta Korn Malerbi

  • Doutora em Psicologia Experimental pela USP
  • Professora Titular do Curso de Psicologia da PUC-SP

Dr. Augusto Pimazoni-Netto - CREMESP 11.970

  • Doutor em Ciências (Endocrinologia Clínica) pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
  • Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim – Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
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A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) disponibilizou em seu site, no período de 23 de março a 20 de abril de 2015 uma enquete que teve por finalidade conhecer o perfil das pessoas com diabetes que acessam o site da SBD em busca de um melhor conhecimento sobre sua condição. Responderam a essa enquete 469 pessoas, com idades que variaram de 4 a 82 anos (algumas crianças com idades inferiores a 10 anos certamente participaram desta enquete representadas pelos seus pais ou responsáveis), apresentando um pico de frequência na faixa etária de 32 a 36 anos, conforme mostra a Figura 1.


Figura 1 – Distribuição das faixas etárias na população de respondentes.

Quanto ao tipo de diabetes 48,2% (n=226) tinham DM1, 39,7% (n=186) DM2 e o restante (n=57) não sabia informar o tipo de diabetes. A maioria das pessoas que preencheram o questionário (n=390; 83,2%) tinha pelo menos 11 anos de estudo (2º grau completo). O diagnóstico de diabetes foi realizado nos últimos 5 anos para 48,0% (n=225) dos usuários que preencheram o questionário.

A grande maioria das pessoas (n=414; 88,3%) declarou que recebeu algum tipo de orientação por parte de algum profissional de saúde no momento do diagnóstico do diabetes. A maioria (n=405; 86,3%) também relatou conhecer as complicações crônicas do diabetes. Entretanto, um grande contingente de respondentes (n=359; 76,5%) disse nunca ter participado de programas de Educação em Diabetes. Apenas 10,4% (n=49) declararam que frequentam ou já frequentaram algum tipo de associação de apoio às pessoas com diabetes.

O acompanhamento do diabetes é feito, principalmente, através de convênio médico (n=182; 38,8%). Menos de um terço (n=126; 28,9%) relatou consultar médico particular e apenas 7,5% (n=35) disseram não ter acompanhamento médico.

Várias dificuldades enfrentadas para cuidar do diabetes, prejudicando o controle glicêmico, foram apontadas pelas pessoas que preencheram os questionários. Entre as dificuldades mencionadas destaca-se a existência de dúvidas sobre alimentação (n=178; 37,9%,) embora 64,4% (n=302) tenham dito que sabem perfeitamente quais alimentos aumentam suas glicemias. Foram citadas como principais dificuldades para seguir uma alimentação saudável o alto custo da mesma (n=306; 62,2%), o fato de a alimentação ocorrer frequentemente fora de casa (n=253; 53,9%) e a avaliação de que os alimentos saudáveis não são saborosos (n=103; 22,0%). Um número expressivo de respondentes (n=354; 75,5%) disse que não utiliza a contagem de carboidratos na sua rotina alimentar.

Outro conjunto de dificuldades apontadas engloba aquelas relacionadas com o agendamento de consultas médicas e com outros profissionais (n=165; 35,2%) ou com a realização de exames subsidiários (n=92; 19,6%). Dúvidas sobre atividade física (n=108; 23,0%) também foram mencionadas como dificuldades enfrentadas para cuidar do diabetes.

Quanto ao uso de insulina, foram apontadas dúvidas sobre o ajuste de doses (n=96; 20,5%), sendo que 50 pessoas (10,7%) disseram que nunca tomam decisões em relação ao tratamento com base nos resultados dos testes de glicemia.

Quanto aos aspectos psicossociais relacionados ao diabetes, um grande número de pessoas (n=393; 83,8%) considera que o controle do diabetes envolve muito sacrifício, sendo que 77,2% (n=362) afirmaram que o diabetes foi a pior coisa que lhes aconteceu e 74,8% (n=351) que é difícil levar uma vida normal quando se tem diabetes. No entanto, menos de um terço (n=140; 29,8%) das pessoas identificou o diabetes como a causa mais comum de problemas no seu relacionamento com a família.

Um dado interessante refere-se ao fato de que a maioria (n=298; 63,5%) relatou que nunca escondeu das pessoas a sua condição de portador de diabetes. Ao serem solicitados a fazer uma avaliação quanto a serem capazes de cuidar do seu diabetes, apenas 28,6% (n=134) se consideraram capazes em todas as ocasiões. A maioria (n=309; 65,9%) apontou que se considerava capaz em algumas ocasiões e em outras não.

Em resumo, os resultados dessa enquete permitem uma avaliação de alguns conceitos e práticas sobre como essa população está enfrentando os desafios impostos pelo diabetes. Entre todos os parâmetros avaliados, vale ressaltar que, embora 28,6% dos respondentes se considerem capazes de se cuidar em todas as situações, um contingente muito significativo (da ordem de 75,5%) refere nunca ter participado de programas estruturados de educação em diabetes. E para se ter uma ideia do impacto emocional do diabetes, ressalte-se que 77,2% (n=362) afirmaram que o diabetes foi a pior coisa que lhes aconteceu. Mas essa percepção pode mudar radicalmente para melhor quando as pessoas com diabetes procuram se informar cada vez mais sobre como superar as eventuais limitações que a doença impõe.

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