Sarcopenia: um diagnóstico que precisa ser feito no paciente diabético

Dra. Andréa Messias Britto Fioretti

  • Endocrinologia e Medicina do Esporte

Nesse ano, o Consenso Europeu de Diagnóstico e Tratamento de Sarcopenia revisou a definição anteriormente aceita em 2010, salientando que se trata de um distúrbio muscular generalizado e progressivo provocado não apenas pela perda de massa, mas também e principalmente pela perda de força muscular. (Cruz-Jentoft 2010 e 2019, Dent, 2018).

Identificada atualmente como doença (CID-10- M62.5), a sarcopenia é um crescente problema de saúde pública mundial. Afeta 5-13% dos indivíduos com idade entre 60 e 70 anos e até 50% dos indivíduos com mais de 80 anos de idade (Morley, 2008). Como já ocorre uma perda gradativa da quantidade de fibras musculares a partir dos 50 anos de idade, a sarcopenia não é exclusiva dos idosos e demanda uma abordagem prematura para evitar o agravamento da perda de força muscular (Faulkner, 2007).

Como está associada ao aumento do risco de quedas e fraturas, à perda da capacidade de realização de atividades rotineiras, a cardiopatias, a doenças respiratórias e a distúrbios cognitivos, a sarcopenia compromete a qualidade de vida e aumenta o risco de hospitalização e morte.

O diagnóstico é facilmente obtido através da utilização de um questionário fácil, prático e accessível composto por 5 perguntas sobre a capacidade do indivíduo de levantar peso, de se levantar de uma cadeira, de caminhar, de subir escadas e sobre a ocorrência de quedas. Além das alterações constatadas com a resolução do questionário, a presença de uma circunferência de panturrilha inferior a 31cm aumenta a probabilidade de sarcopenia (Barbosa-Silva, 2016).

Durante o exercício, o músculo, em contração, libera substâncias denominadas miocinas. Dentre essas, a irisina aumenta a massa muscular e a resposta do indivíduo à insulina. Em repouso, por outro lado, o músculo produz miostatina que impede o crescimento muscular.

O indivíduo obeso, especialmente o portador de resistência à insulina e o diabético apresentam menores níveis de irisina e maiores níveis de miostatina, o que aumenta o risco de sarcopenia (Polyzos, 2018) . Contudo, quando o indivíduo se engaja em um treinamento físico, apresenta elevação dos níveis de irisina e redução dos níveis de miostatina, prevenindo assim o desenvolvimento dessa doença (Hittel, 2010; LeBlanc, 2017).

Portanto, você, portador de diabetes, inicie um treinamento físico, ative a irisina, reduza a miostatina e evite a sarcopenia!!!

Referências:

Barbosa-Silva TG, Menezes AMB, Bielemann RM, Malmstrom TK, Gonzalez MC. Enhancing SARC-F: Improving Sarcopenia Screening in the Clinical Practice. JAMDA, 2016: 17, Issue 12, Pages 1136–1141.doi: https://doi.org/10.1016/j.jamda.2016.08.004

Cruz-Jentoft AJ, Baeyens JP, Bauer JM et al. Sarcopenia: European consensus on definition and diagnosis: report of the European working group on sarcopenia in older people. Age Ageing 2010; 39: 412–23.

Cruz-Jentoft AJ, Bahat G JP, Bauer JM et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age and Ageing 2019; 48: 16–31 doi: 10.1093/ageing/afy169 39: 412–23.

Dent JE, j.e. Morley JE, Cruz-Jentoft AJ, Arai H, Kritchevsky SB, Guralnik J, International Clinical Practice Guidelines for Sarcopenia (ICFSR): screening, diagnosis and management. Nutr Health Aging. 2018;22(10):1148-1161

Faulkner JA, Larkin LM, Claflin DR, Brooks SV. Age-related changes in the structure and function of skeletal muscles. Clinical and Experimental Pharmacology & Physiology. 2007; 34(11):1091–6.

Hittel, DS., Axelson M, Sarna N, Shearer J, Huffman KM, Kraus WE. Myostatin Decreases with Aerobic Exercise and Associates with Insulin Resistance. Med. Sci. Sports Exerc, 2010; 42(11): 2023–2029.

LeBlanc DRB, Rioux BV, Pelech C, Moffatt TL, Kimber DE et al. Exercise-induced irisin release as a determinant of the metabolic response to exercise training in obese youth: the EXIT trial. Physiol Rep, 2017: 5 (23):e13539. https://doi.org/10.14814/phy2.13539.

Morley JE. Sarcopenia: diagnosis and treatment. The Journal of Nutrition, Health & Aging., 2008; 12(7):452–6.

Polyzos AS, Anastasilakis AD, Efstathiadou ZA, Polyzois Makras P., Perakakis N, Kountouras J, Mantzoros CS. Irisin in metabolic diseases. Endocrine, 2018; 59: 260–274 DOI 10.1007/s12020-017-1476-1.