O difícil caminho até o diagnóstico do Diabetes Tipo 1

Relato da mamãe Alice Gonzalez

Senti-me culpada, pensando em tudo que poderia ter acontecido. Hoje não me culpo e não penso mais o que poderia ter acontecido. Penso no que aconteceu e o quanto mudamos nossas vidas. Deus estava no controle e ainda está.

Meu filho Leonardo, com 12 anos na época, reclamava muito de dores na barriga. Ele sempre comeu muito mal, não gostava de frutas e nem de legumes. Levei-o à uma gastroenterologista que pediu vários exames, inclusive glicemia. Tudo estava perfeito, com exceção a alta taxa de colesterol. Uma dieta foi recomendada. Mas as dores não passaram, e vieram as dores nas pernas. Chegou o verão de 2014, praia, sol, muita água e muito xixi.

Tínhamos uma viagem programada para Israel no carnaval. Fomos, toda família, com um grupo da Igreja. Lá, todos mexiam com o Léo, pois estava sempre cansado e com uma garrafinha de água na mão. Eu e meu marido achávamos que o cansaço e a sede eram devidos a viagem, pois não parávamos e o xixi, consequente da quantidade de água ingerida. A excursão em Israel finalizou, mas nós continuamos em um passeio para Jordânia. O quadro de cansaço, sede e xixi se intensificaram. Novamente associamos a viagem, ao deserto.

Retornamos ao Brasil, com uma escala em Roma, onde ficamos 4 dias. Foram os piores 4 dias. No dia do retorno tínhamos que chegar ao aeroporto às 16 horas, mas já não aguentava ver o cansaço de meu filho e pedi a meu marido para irmos logo para o aeroporto. Após 12 horas de voo, desembarcamos no Rio. Meu sogro quando viu o Léo levou um susto, pois ele viajou gordinho, e voltou 11 kg mais magro, perdidos em 19 dias de viagem.

Fomos para casa, como ele estava com o cabelo muito grande, resolvi levá-lo para cortar. Mas, na cadeira da cabeleireira, ele pediu várias vezes para ir ao banheiro e tomou muita água. Agora não tínhamos mais a desculpa do deserto, do cansaço dos passeios. Veio em minha mente o diabetes, mas não poderia ser, não temos ninguém na família com diabetes.

Telefonei para o pediatra que o acompanhou desde o nascimento, Dr. Paulo Perricelli, e relatei o ocorrido. Perguntei se poderia levá-lo ao consultório. Ele disse - não, não o traga aqui, vá direto para o hospital, e peça um teste glicêmico, me ligue de lá. Fomos direto para o hospital, meu filho conversava normalmente, andava normalmente. Chegando à emergência pediátrica pedi urgência no atendimento de enfermagem, para realizar o teste glicêmico. As pessoas olharam para ele e devem ter imaginado que eu era uma mãe "louca", pedindo emergência para uma criança que aparenta estar saudável. Eles não conheciam meu filho, não sabiam que estava 11 kg mais magro, em 19 dias. Mas o teste foi feito, e acusou HI (glicemia acima de 600 mg/dL).

Quando vi, fiquei sem chão. Meu marido não estava entendendo o que estava acontecendo. Ele foi levado no mesmo instante para outra sala e foi feito a gasometria, quanta dor. Resultado, cetoacidose. Dois dias de CTI, mais 1 semana no quarto e hoje, 1 ano, 8 meses e 13 dias depois estamos ainda, aprendendo a conviver, como meu filho carinhosamente chama "tiabete". Seu hábito alimentar mudou, ainda não é o ideal, mas está bem melhor.

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Comentários  

Adenilce 10-12-2015 14:23
Amiga, eu me solidarizo com vc. Eu tb tenho um filho com diabete tipo 1. Descobri a 03 anos atrás qdo ele estava com 15 anos. Realmente ficamos sem chão, pois sentimos tb o que eles sentem, como no caso do meu filho ele toma 05 insulina durante o dia. Muito stress, pois ele tb não comia fruta, legumes, verduras. Já teve 03 convulsões no princípio, pois não estava levando a sério o tratamento.
Mas Deus é o nosso refúgio e Fortaleza, socorro bem presente na hora da angústia e Ele sempre esteve na vida do meu filho, isto é, em nossa família.
Meu filho com menos de um ano, fez amígdalas e adenoide, com menos de 03 anos ele fez uma cirurgia de coração no Incor, logo em seguida fez postectomia e com 15 observei q ele estava bebendo muita água e levantando a noite para fazer xixi, coisa q ele não fazia. Percebi q algo estava errado. Fui a um sobrinho q é médico e pedi um pedido de exame de sangue, logo de manhã já tinha dado mais de 200 e após o almoço foi para 400. Levei o resultado para ele, ele disse que meu filho era diabético e era para eu procurar um endocrinologist a, pois ele não era dessa área. A partir daí comecei a fazer o tratamento e agora q está melhorando com a hemoglobina glicada abaixo do limite que a Dra. Informou. Dou graças a Deus por tudo, pois até aqui Ele tem nos ajudado.

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