A história de Willian: Dificuldade diagnóstica no Diabetes Tipo 1

Pela mamãe: ROSÂNGELA ROMUALDO

Bem, não sei ao certo quando começou, mas meu filho Willian já vinha reclamando de dores no corpo, câimbras, tonturas e dores de cabeça. Eu o levava ao médico e o diagnóstico era o seguinte: as dores no corpo eram devidas ao crescimento, as câimbras devidas à falta de cálcio, a tontura e dores de cabeça eram decorrentes do problema de visão que ele tem (astigmatismo).

Ele sempre foi uma criança que gosta mesmo de comer comida, nunca foi muito chegado a lanches para matar a fome. Ele sempre foi meio fofinho, até teve uma médica que uma vez me falou que aquela gordura dele não era muito saudável e parou por ai mesmo.

Um belo dia ele chegou pra mim e falou assim: “mãe você precisa me levar ao médico, pois eu estou fazendo muito xixi” e eu, na minha inocência, pelo fato de estar um dia muito quente, no começo do ano de 2013, respondi que ele não se preocupasse, atribuindo o sintoma ao clima muito quente, o que estaria levando a um aumento na quantidade de água que ele tomava.

Mas, comecei a observar que ele comia muito e estava emagrecendo. As roupas estavam caindo e eu brigava com ele, falando que ele estava jogando comida fora. Ele, então, respondia: “mãe, eu estou comendo sim”. Cheguei a tirar fotos das panelas de comida antes de sair para trabalhar para ver se estavam mexidas quando eu chegasse de volta para casa, mas ele comia sim. Não havia comida que matasse sua fome. Eu o levei ao médico e ele receitou uma vitamina e um remédio para cálcio. Comprei os medicamentos e comecei a dar como o médico mandou. Foi o estopim. Ao final do primeiro vidro de remédio para cálcio, as câimbras aumentaram e eu decidi não comprar outro vidro e parar com a vitamina. Nisso, já haviam se passado 15 dias e ele já havia emagrecido 8 kg.

Ele foi passar o final de semana na casa da tia. Foi na sexta-feira e voltou no domingo à noite, mas no sábado ele me ligou falando que estava com dores na nuca, mas não quis voltar para casa, com a desculpa de que estava melhor, que tinha dormido de mau jeito e, talvez por isso, estivesse doendo. Ao retornar para casa já não sentia mais dores. Levantei na segunda-feira e o acordei mais precisamente às 6 da manhã e perguntei como ele estava se sentindo. Ele me respondeu que estava bem e que eu poderia ir trabalhar tranquila.

Ele estuda da 13h00 às 18h20. Quando ele chegou em casa e foi abrir o portão sua chave caiu e ao abaixar-se para pegá-la, a dor na nuca retornou. Ele entrou em casa com os olhos lacrimejando, tomou um analgésico, um banho, jantou e foi dormir.

Ao me levantar para ir para o trabalho, tornei a acordá-lo e perguntei como se sentia. Ele respondeu que a cabeça e a nuca doíam, mas muito pouco. Então decidi não ir trabalhar para levá-lo ao médico. Não deixei nem que ele tomasse água, pois quando meus filhos passam mal e preciso levá-los ao médico logo pela manhã, prefiro que estejam em jejum.

Chegamos ao Pronto Socorro Maria Dirce por volta das 7h30 da manhã e ele toda hora reclamando de fome. Conseguimos entrar na sala da medica por volta das 9h00 da manhã e ela me perguntou o que estava acontecendo. Eu fui falando e quando disse que em 15 dias ele emagreceu 8 kg a doutora me fez a seguinte pergunta: “mãe, ele tem diabetes?” Eu respondi que não sabia. Ela me perguntou se havia alguém da família com diabetes. Respondi que sim. Aí a doutora disse que não queria me assustar, mas que isso era um quadro típico de diabetes.

Ela me pediu que fosse à sala da enfermagem e fizesse o teste de glicose. A enfermeira, ao ver o resultado falou assim: “nossa, o diabetes dele está muito alto”. Eu rebati dizendo que ele não tinha diabetes. A enfermeira levou o resultado para a doutora e ela mandou que o colocassem no soro para baixar a glicemia. Meu filho reclamava que estava com fome, mas não podia comer. Resumindo, fizeram dois exames de sangue nele.

Meu filho com 12 anos foi diagnosticado com DM1. Se eu tivesse demorado mais um dia para levá-lo ao médico, não sei o que teria acontecido. Ele ficou internado 21 dias no Hospital Geral de Guarulhos, onde fomos bem tratados pelas enfermeiras e médicos.

Agradeço primeiramente a Deus e, também, àquela médica abençoada que, com sua experiência, descobriu o que meu filho tinha para que ele fosse tratado corretamente. Talvez, se os médicos pelos quais passei tivessem pedido algum exame específico, quem sabe não teriam descoberto e começado o tratamento mais cedo. Hoje faz um ano, oito meses e doze dias que fomos obrigados a deixar essa amiga, que vai nos acompanhar para o resto da vida.

 

VOLTAR

Você não tem permissão para enviar comentários

Comentários  

neila cristina 05-05-2016 16:55
descobri a poucas semana q meu filho esta tem diabete tipo 1 ,ele emagrece muito era gordinho,fazia muito xixi e bebia muita água e em 2 meses emagreceu 14 kg ,Deus foi muito bom por ter cuidado dele esse tempo e não lhe aconteceu nada ,ate descobrir ,depois q descobrimos ele ficou internado com a glicose muito alta ,foi um desespero e confuso ,não sabia como lhe da com isso ,pois ele era uma criança normal,mas sei q vamos vencer essa batalha e com a ajuda de Deus vamos passar por essa e ser vitoriosos em nome de Jesus,ainda esta recente e duvidas e questionamentos ,mas sei q com o passar do tempo td vai ficar mais facil...O nome do meu filho é Kauã e tem 11 anos ...ele é um vencedor ,garoto forte e guerreiro ,me mostrou uma força ,uma garra q so tenho a agradecer pela força q ele mesmo me da sendo forte ,aceitando as comidas q não comia e furando o seu dedinho enumeras vezes ,sei q Deus vai honra lo pela força q tem e a vontade de vencer.....Q Deus nos ajude a cada dia ...Mamãe de Kauã
juliana 27-01-2015 22:12
Oi boa noite, minha filha de 04 anos também tem dm1, foi horrível perdeu 4 kilos em 02 semanas, desde 21 de agosto de 2014, agora está controlada, toda rotina da família alterada , na casa dos tios, avós e em casa claro.
Esperamos em Deus nossa força e refugio e cremos no milagre.
É muito difícil ver seu filho pedido coisas simples e não podemos fazer, doi muito. Mas é com muita fé que seguimos em frete, em BH participamos do ADI, associação muito abençoada com a Cidinha a presidente fundadora e sua equipe. Ela trata no Hospital das Clinicas muito bem atendida pelo Dr Cristiano.
Fica a esperança e a luta de cada dia.

Que Deus nos abençoe.
priscillagalvani 13-12-2014 23:31
Cara mamãe ROSANELA, aconteceu parecidamente com minha filha MAYUMI de 2 anos, ela comia muito mas não engordava e bebia muita água, também achava q era por causa do calor, aqui em Cuiabá MT, mas nunca imaginei que minha bebê viria ter diabetes. Ela teve diarréia e vômitos levei ao medico deram apenas soro, mas ela cada vez piorava aí ficando com a respiração acelerada (fadiga) dr achou melhor transferir para um hospital que tinha uti, pois ele não sabia. Ao chegar lá fizeram uma baterias de exames. Descobriram q elá estava com infecção intestinal, e a glicose dela estava muito alta levaram -a Uti ela ficou entubada e ai ficou 2 dias, eu chorei mt pois estava perdendo minha bb, só sabia pedir a Deus e aos amigos que rezassem pela vida dela. Mas graças ao bom Deus e aos Médicos maravilhosos que cuidaram e descobriram a diabetes 1. Ainda não sei como vai ser daqui pra frente. Mas pela minha bb farei tudo que puder até perder o medo de sangue pq agora serei sua enfermeira.

Outras histórias

Fale Conosco SBD

Rua Afonso Braz, 579, Salas 72/74 - Vila Nova Conceição, CEP: 04511-0 11 - São Paulo - SP

(11) 3842 4931

secretaria@diabetes.org.br

SBD nas Redes